AGRONEGÓCIO

Interior de São Paulo aposta em enoturismo e diversificação para impulsionar vitivinicultura

Publicado em

O 8º Encontro Enoconexão, realizado em Louveira (SP), reuniu produtores, especialistas, proprietários de vinícolas, pesquisadores, fornecedores e entusiastas do setor vitivinícola. O evento, que aconteceu ao longo de três dias no Salão de Cultura e Eventos, destacou a importância da integração da cadeia produtiva e o impacto positivo do enoturismo para propriedades rurais do interior paulista.

Autoridades locais também prestigiaram o encontro, como o prefeito de Louveira, Paulo Alberto Finamore, e representantes de municípios do Polo Turístico do Circuito das Frutas, além do Deputado Estadual Lucas Bove, que reforçou a necessidade de união entre produtores para fortalecer o setor e valorizar o trabalho rural.

“Eventos como o Encontro Enoconexão são fundamentais para a troca de conhecimento. As vinícolas precisam agir como um grupo único, pois todos crescem juntos. Levo daqui até Brasília os pedidos do setor para fortalecer a cadeia produtiva”, destacou Bove.

Turismo rural: uma estratégia lucrativa e inovadora

O turismo rural foi um dos temas centrais do evento, apresentado como alternativa estratégica para pequenas propriedades. O especialista chileno Pedro Izquierdo, engenheiro agrônomo e consultor em vitivinicultura, explicou que receber visitantes agrega valor à produção, transformando vinhedos em experiências que combinam cultura, gastronomia e natureza.

Leia Também:  Faturamento da indústria cresce em fevereiro, mas setor ainda acumula queda em 2026

Segundo Izquierdo, apesar dos desafios técnicos, o interior paulista tem grande potencial devido à proximidade de grandes centros urbanos, oferecendo público garantido para o enoturismo. Ele citou exemplos internacionais, como o México, onde pequenas propriedades dependem do turismo rural para gerar renda, fortalecer a marca local e criar novas oportunidades de negócios.

Cases de sucesso: Villagio Michelin e Sítio Fragole

Villagio Michelin aposta na diversificação e experiência do visitante

O casal Graziela e Rafael Michelin, do Villagio Michelin, em Jundiaí, destacou a transformação da propriedade familiar, presente na região desde 1930. Inicialmente focados na produção de uvas, os proprietários ampliaram a produção para goiaba, pêssego, abacate e lichia, adotaram o sistema de colha e pague e estruturaram a propriedade para receber visitantes.

Hoje, a vinícola recebe centenas de visitantes por final de semana, oferecendo café da manhã caipira, passeio de trenzinho e parcerias com escolas locais, além de eventos como casamentos e confraternizações empresariais.

Sítio Fragole diversifica cultivo e aposta no turismo

O produtor Ricardo Paulino, do Sítio Fragole, também inovou ao diversificar a produção, antes limitada ao morango. Com a ajuda de sua filha, formada em turismo, a propriedade adotou o sistema de colha e pague, plantou amora e framboesa e passou a oferecer café da manhã para visitantes, recebendo atualmente de 400 a 500 pessoas por fim de semana.

Leia Também:  CNI e ApexBrasil promovem missões empresariais à Alemanha e China para expandir indústria brasileira no mercado global
Evento promove debates e destaca inovação tecnológica

A programação do 8º Encontro Enoconexão incluiu debates sobre qualidade da produção de uvas e vinhos, valorização da mão de obra rural, redução de riscos operacionais e tecnologias para práticas mais eficientes e sustentáveis.

O evento contou com a participação de 23 vinícolas, permitindo que o público conhecesse o processo produtivo, a história de cada marca e degustasse os produtos. Segundo Rafael Vicchini, sócio-diretor da Enoconexão, a iniciativa atingiu o objetivo de atender às demandas do setor e promover conhecimento.

“Nosso objetivo sempre foi movimentar a cadeia do vinho, uva e enoturismo, incentivando iniciativas de sucesso no campo. A partir desta edição, o evento se torna bianual, retornando em 2027 com novidades e mais tempo para planejamento”, afirmou Vicchini.

Além disso, todas as palestras estarão disponíveis na internet, ampliando o acesso às informações sobre o setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais

Published

on

As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.

A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.

O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.

No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.

Leia Também:  Girassol cresce no Brasil e mostra potencial econômico e sustentável

Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.

A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.

Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.

O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.

Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.

Leia Também:  Exportações de ovos recuam no 3º trimestre, mas mantêm nível recorde histórico, aponta Cepea

Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.

Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.

A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.

Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA