AGRONEGÓCIO
Iniciativa Setorial Lança Marca para Promover o Cacau Brasileiro no Mercado Internacional
Publicado em
27 de março de 2025por
Da Redação
Com o intuito de fortalecer a presença do cacau brasileiro nos mercados internacionais, a Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau e Sistemas Agroflorestais, o Centro de Inovação do Cacau (CIC), o CocoaAction Brasil, a Federação da Agricultura do Estado da Bahia e o Instituto Arapyaú uniram esforços para lançar a marca “Cacau Brasileiro – Gente, Floresta e Cultura”. A iniciativa visa promover a imagem do produto, destacando sua sustentabilidade e qualidade, com foco em mercados estratégicos como os Estados Unidos e países da Europa, e busca colocar o Brasil entre os maiores exportadores de cacau sustentável até 2030.
A marca destaca os diferenciais do cacau brasileiro no cenário global, com 80% da produção originada de práticas agroflorestais, onde o cultivo do cacau ocorre em consórcio com outras espécies florestais. Essas práticas contribuem para a mitigação das mudanças climáticas, a preservação da biodiversidade e a geração de prosperidade social. No Brasil, o cacau é cultivado principalmente por agricultores familiares e pequenas propriedades. O país também tem investido na produção de amêndoas de alta qualidade, conquistando reconhecimento internacional com prêmios em competições de qualidade.
A marca “Cacau Brasileiro” busca destacar as vantagens comparativas do produto nacional, que vai além da sua qualidade agrícola. Segundo Ricardo Gomes, gerente de Desenvolvimento Territorial do Instituto Arapyaú, “além de manter as florestas brasileiras, o cacau gera empregos e renda e está entrelaçado às tradições locais, receitas e festivais. Valorizar o cacau é também preservar a identidade cultural das comunidades. Não existe cacau sem pessoas. O cacau brasileiro é coletivo.”
A iniciativa tem o objetivo de posicionar o cacau brasileiro como um embaixador da bioeconomia e um símbolo de sustentabilidade e inovação. Cristiano Villela, diretor científico do CIC, ressalta que “queremos atrair parceiros internacionais comprometidos com critérios ambientais, sociais e de governança (ESG). O cenário global atual, com a crescente demanda por produtos agrícolas que não resultem de desmatamento, é favorável a essa proposta.”
Entre as ações previstas, estão capacitações e treinamentos voltados para os produtores de cacau, com foco em práticas agrícolas sustentáveis, visando aumentar a produtividade e a competitividade no mercado externo. Além disso, a marca pretende atrair o interesse de importadores internacionais, especialmente moageiras e chocolateiras de mercados exigentes, e estabelecer parcerias com órgãos governamentais e diplomáticos para fortalecer as negociações comerciais.
Outro foco importante da iniciativa é ampliar a conscientização sobre os benefícios do cacau sustentável. Atualmente, o Brasil é o sexto maior produtor mundial de cacau, com uma produção de cerca de 200 mil toneladas de amêndoas por ano. Contudo, o país ainda depende de importações para atender à demanda interna. De acordo com Guilherme Salata, coordenador do CocoaAction Brasil, “a aposta da iniciativa é somar esforços com políticas públicas que contribuam para que o Brasil retome o protagonismo na cadeia de valor e suprimentos global do cacau.”
Segundo um relatório da AYA Chocolates, que colaborou com o Plano de Transformação Ecológica do Governo Federal, o Brasil tem potencial para participar com 13% do mercado global de cacau até 2030, posicionando-se entre os três maiores produtores do mundo. Essa expansão poderia gerar uma receita de US$ 2,3 bilhões e criar até 300.000 empregos. Anna Paula Losi, presidente executiva da AIPC, destaca que “temos capacidade de aumentar a produção, transformando áreas degradadas em sistemas agroflorestais (SAFs), respondendo à crescente demanda mundial.”
Por fim, Guilherme Moura, vice-presidente da FAEB, enfatiza que “o envolvimento direto dos produtores, aliado ao suporte de instituições públicas e privadas, será essencial para que o Brasil se torne protagonista no setor.”
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil soma 700 novos mercados e R$ 20 bilhões em negócios mesmo sob pressão de tarifas
Published
1 hora agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
As novas autorizações para vender produtos do agro brasileiro no exterior já geraram mais de R$ 20 bilhões em negócios desde janeiro de 2023, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O balanço, anunciado nesta terça-feira (13.10), acompanha a marca de 700 aberturas de mercado. Para produtores e empresas, o avanço amplia as opções de compradores num momento em que tarifas e outras restrições encarecem as vendas internacionais.
O número exige uma distinção: são 700 autorizações para produtos em diferentes destinos, e não 700 países. Um mesmo país pode liberar a compra de carnes, frutas e sementes, por exemplo, e aparecer várias vezes na conta. Cada aprovação permite disputar um mercado, mas ainda é preciso encontrar comprador e acertar preço, frete e condições de entrega.
Os R$ 20 bilhões mostram que parte dessas oportunidades já virou negócio. O valor, porém, não permite calcular quanto as aberturas acrescentaram às exportações totais do Brasil. Uma venda a um novo destino pode representar produção adicional ou substituir um embarque antes enviado a outro comprador. O balanço também reúne negócios de quase quatro anos; não é o resultado apenas de 2026.
Entre as liberações recentes está a venda de pescado brasileiro aos Emirados Árabes Unidos, tanto de captura quanto de criação. Também foram autorizados o mamão fresco para o Kuwait e o milho em grãos para a Síria. São oportunidades para cadeias diferentes, cujo retorno dependerá do tamanho das encomendas e do custo de atender cada comprador.
A busca por alternativas ganha peso porque um aumento de tarifa pode interromper pedidos mesmo quando há produto disponível. Entre os efeitos estão o adiamento de compras, a renegociação de contratos e a redução do ganho das empresas. Para quem produz, o risco é ter mercadoria pronta e encontrar condições de venda piores do que as previstas.
Ter mais compradores ajuda a reduzir esse risco e dá alternativas quando um destino restringe as compras. A concentração ainda é relevante: em 2025, a China respondeu por 32,7% das exportações do agronegócio brasileiro, quase um terço do total, segundo o Mapa.
Produtos do agro com muitos compradores internacionais tendem a encontrar alternativas com mais facilidade do que mercadorias feitas para clientes específicos. Ainda assim, trocar de destino não assegura a manutenção do preço. Um novo comprador pode pagar menos, exigir outro padrão de produto ou estar mais longe, aumentando a conta do transporte.
Embora a tarifa seja cobrada no país importador, o exportador brasileiro também pode pagar parte dessa conta. Se houver fornecedores concorrentes, o comprador pode exigir um desconto para manter o pedido. O negócio continua, mas sobra menos dinheiro para a cadeia que produziu e entregou a mercadoria.
Por isso, o efeito sobre o campo precisa ser medido também pelo preço recebido e pelos custos, além do volume exportado. Vender mais toneladas não garante maior renda: frete caro, descontos e despesas de produção podem consumir o ganho. Os R$ 20 bilhões anunciados são negócios realizados, não lucro dos produtores.
Há despesas antes mesmo do primeiro embarque. Certificações, comprovação da origem, adaptação de embalagens e transporte precisam entrar na conta. No pescado e nas frutas, por exemplo, a conservação durante a viagem pesa na viabilidade da venda. A autorização sanitária elimina uma barreira, mas não resolve toda a operação.
Produtores, cooperativas e agroindústrias também precisam manter registros que comprovem de onde vem o produto e como foi produzido. Essas informações podem ser condição para entrar e continuar no mercado. Organizar a documentação antes de negociar ajuda a evitar que uma oportunidade seja perdida por falta de comprovação.
Para 2027, a ampliação dos destinos oferece alternativas diante de novas restrições comerciais. O resultado para o produtor dependerá de transformar essas permissões em pedidos regulares, com preços que cubram os custos. A próxima medida do avanço será quanto cada mercado compra — e quanto dessa venda chega à renda de quem produz.
Fonte: Pensar Agro
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