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Inadimplência no crédito rural segue alta e força bancos a reforçar vigilância sobre risco

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A inadimplência no financiamento ao agronegócio alcançou, no terceiro trimestre, o maior nível já registrado na principal instituição pública de crédito rural do país, atingindo 5,34% da carteira. Os dados mais recentes indicam que o quadro não mostrou sinais de alívio até novembro, refletindo o aumento das dificuldades financeiras enfrentadas por produtores em diversas regiões e o avanço dos pedidos de recuperação judicial.

Embora as operações em recuperação judicial representem uma fatia reduzida do portfólio agro — R$ 6,6 bilhões de um total de R$ 398 bilhões até setembro —, seus impactos são considerados relevantes por gestores do setor financeiro. Isso porque o mecanismo exige provisões adicionais e altera a dinâmica de relacionamento com o cliente, já que qualquer decisão passa a depender da esfera judicial.

A instituição informou que cerca de 83 mil produtores estão sendo comunicados para verificar interesse nas condições de renegociação previstas na Medida Provisória 1.314/2025. Há, porém, casos de clientes que buscaram recuperação judicial e agora tentam reverter o processo para ingressar nas linhas emergenciais. O banco destaca que, uma vez decretada a RJ, a interlocução fica limitada pelas regras judiciais e pela atuação do administrador nomeado.

Diante da deterioração do cenário, o setor financeiro reforçou protocolos internos. Uma nova matriz de concessão passou a segmentar produtores por níveis de risco, permitindo ajustes nas exigências de garantias e no desenho das operações de crédito. Perfis com histórico mais estável seguem com condições semelhantes às anteriores, enquanto casos sensíveis passam por camadas adicionais de análise.

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Outra frente é o monitoramento tecnológico. O banco ampliou o uso de ferramentas para acompanhar, em tempo quase real, fatores como clima, desenvolvimento das lavouras e possíveis quebras de safra — variáveis que influenciam diretamente a capacidade de pagamento. A partir de 30 dias antes do vencimento das parcelas, há acionamento automático da equipe de atendimento para avaliar se há necessidade de renegociar ou ajustar operações. A orientação agora é agir antes da inadimplência, não depois.

Sistemas de inteligência de dados também cruzam informações regionais para localizar movimentos atípicos: se um município começa a mostrar aumento de atrasos, outros produtores da mesma área são procurados preventivamente. A lógica é identificar riscos de forma precoce, evitando que situações isoladas se tornem tendência.

A expansão dos pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais acendeu um debate mais amplo sobre o uso do instrumento. Representantes do setor financeiro têm defendido que a ferramenta, embora legítima, precisa de maior padronização para evitar distorções que possam encarecer o crédito e afetar a previsibilidade das operações. Discussões vêm sendo conduzidas com entidades do sistema de Justiça e organizações do agro na tentativa de alinhar interpretações e reduzir assimetrias.

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A avaliação é que a aplicação da recuperação judicial no campo ainda passa por um processo de maturação. Decisões divergentes entre tribunais e dúvidas frequentes entre produtores tornam o caminho incerto. Especialistas alertam que, apesar de ser vista por alguns como alternativa rápida para suspender dívidas, a RJ pode resultar em cenários mais graves, incluindo falência, caso não seja conduzida de forma técnica.

Com a inadimplência pressionando o resultado das instituições e o setor lidando com adversidades climáticas e queda de margens em algumas cadeias produtivas, a expectativa é de que o tema permaneça no centro das discussões ao longo de 2025. A combinação de monitoramento rígido, renegociações estruturadas e maior clareza jurídica será determinante para estabilizar o crédito e reduzir o avanço das recuperações judiciais no agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Trigo: menor produção no Brasil e problemas climáticos no exterior sustentam preços e elevam volatilidade

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O mercado de trigo atravessa um momento de maior volatilidade e sustentação de preços, impulsionado por fatores internos e externos. No Brasil, a perspectiva de queda na produção em 2026, que pode atingir o menor nível dos últimos seis anos, contrasta com um cenário internacional ainda relativamente equilibrado, mas pressionado por questões climáticas e geopolíticas.

A combinação desses elementos tem influenciado diretamente o comportamento das cotações, tanto no mercado doméstico quanto nas bolsas internacionais.

Produção de trigo no Brasil deve cair ao menor nível em seis anos

A estimativa para a safra brasileira de trigo em 2026 aponta para uma produção de aproximadamente 6,6 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 16% em relação ao ciclo anterior, com redução superior a 1,2 milhão de toneladas.

A área plantada deve somar 2,22 milhões de hectares, retração de 9,2% frente a 2025, enquanto a produtividade média é projetada em 2.979 kg por hectare, recuo de 7,5%.

Segundo análises do Cepea, esse cenário reflete a baixa rentabilidade das últimas safras, aliada às incertezas climáticas e aos riscos de comercialização. Outro fator relevante é que, desde o segundo semestre de 2025, os preços praticados no Sul do país vêm sendo negociados abaixo dos níveis mínimos estabelecidos pela política de garantia de preços, o que desestimula o produtor.

Menor oferta interna sustenta preços no mercado brasileiro

Com a perspectiva de redução na produção, o mercado doméstico tende a apresentar fundamentos mais firmes. A menor oferta, especialmente em estados produtores como o Rio Grande do Sul, contribui para sustentar os preços internos do cereal.

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Esse movimento ocorre em um contexto de decisões mais cautelosas por parte dos produtores, que vêm reduzindo investimentos diante da menor rentabilidade e das incertezas para a nova safra.

Mercado internacional apresenta estabilidade com leve alta

No cenário externo, os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram sessões recentes com leve valorização. O comportamento mais contido reflete uma oferta global ainda relativamente confortável, o que limita movimentos mais expressivos de alta.

Medidas envolvendo exportações de grandes produtores, como a Índia, ajudam a reduzir riscos de escassez no mercado internacional. Ainda assim, o mercado segue atento ao desenvolvimento das safras e ao fluxo global de exportações, fatores que continuam gerando volatilidade.

Clima adverso nos EUA impulsiona alta nas cotações

Os preços internacionais do trigo ganharam força diante da deterioração das lavouras de inverno nos Estados Unidos. Dados do Departamento de Agricultura dos EUA indicam que apenas 30% das áreas estão classificadas como boas ou excelentes, abaixo das expectativas do mercado.

No Kansas, um dos principais estados produtores, a situação é ainda mais crítica, com apenas 24% das lavouras em boas condições.

Além da estiagem nas Planícies, uma onda de frio recente aumentou as preocupações com possíveis danos às lavouras, reforçando o viés de alta nas cotações.

Tensões geopolíticas e custos elevam incertezas globais

O cenário internacional também tem sido influenciado por fatores geopolíticos. Tensões envolvendo a região do Estreito de Ormuz, além de eventos como a apreensão de um navio iraniano pelos Estados Unidos, contribuíram para a elevação dos preços do petróleo, impactando indiretamente as commodities agrícolas.

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Outros elementos, como a redução da área plantada na Austrália — influenciada pelo aumento no custo de insumos como a ureia — também adicionam incertezas à oferta global.

Por outro lado, o avanço das exportações da Rússia atua como fator de equilíbrio, ajudando a conter movimentos mais acentuados de alta.

Exportações dos EUA avançam e reforçam demanda

No campo da demanda, as exportações norte-americanas de trigo apresentaram crescimento recente. As inspeções semanais somaram 518.141 toneladas, acima do volume registrado na semana anterior e em linha com o mesmo período do ano passado.

No acumulado do ano-safra, iniciado em junho de 2025, os embarques já superam os registrados na temporada anterior, indicando uma demanda consistente no mercado internacional.

Trigo se mantém entre os ativos mais voláteis do agro

Diante da combinação de menor oferta no Brasil, clima adverso nos Estados Unidos e incertezas geopolíticas, o trigo se consolida como um dos produtos mais voláteis do mercado agrícola no momento.

Enquanto o cenário global apresenta certo equilíbrio, os fundamentos internos no Brasil são mais restritivos, o que tende a manter os preços sustentados no mercado doméstico.

O atual contexto reforça a necessidade de atenção por parte dos agentes do setor, já que a evolução das condições climáticas, das políticas comerciais e da produção global seguirá determinando o comportamento dos preços ao longo da temporada.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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