AGRONEGÓCIO

Hedgepoint: Diesel renovável traz mudanças ao mercado energético norte-americano

Publicado em

Os EUA persistem em um ambiente inflacionário incerto, marcado por juros altos, o que impacta a demanda por esse combustível fóssil. No entanto, outros fatores do cenário americano também influenciam essa queda.

O diesel renovável vem conquistando cada vez mais espaço no consumo energético dos Estados Unidos. Essa crescente demanda se reflete na reconfiguração dos estoques nacionais, com o PADD 5 (Costa Oeste) registrando os menores níveis de destilados médios dos últimos cinco anos.

O diesel renovável vem conquistando terreno nos EUA nos últimos anos, impulsionando uma transformação no cenário energético do país. A Hedgepoint Global Markets aborda, em relatório, as mudanças que estão impactando o mercado norte-americano, e suas consequências no mercado de combustíveis fósseis.

“Apesar de ter um custo superior ao diesel derivado do petróleo, políticas federais e estaduais de descarbonização tendem a torná-lo mais competitivo. Essas medidas incluem mandatos de volumes mínimos e a concessão de créditos fiscais, que reduzem o preço final do diesel renovável para o consumidor”, explica Victor Arduin, analista de Energia e Macroeconomia da Hedgepoint.

“Por conta disso, o mercado de destilados médios nos EUA está passando por mudanças, como o padrão de estoques na Costa Oeste (PADD 5) se diferenciando significativamente das outras regiões. Essa tendência é impulsionada principalmente pelo alto consumo de diesel renovável na Califórnia, que se tornou o principal consumidor do combustível no país”, destaca.

Diesel renovável ganha mercado nos EUA

O diesel tradicional, derivado do petróleo, está perdendo cada vez mais espaço para opções como o diesel renovável e o biodiesel. Esses combustíveis são amplamente utilizados no transporte de carga, na manufatura e na construção, estando fortemente correlacionados com o ciclo econômico do país.

Conforme dados da Energy Information Administration (EIA), o consumo de destilados médios nos primeiros três meses do ano apresentou queda de 4,66%, equivalente a 186 mil barris por dia (bpd).

“Em contrapartida, o biodiesel e o diesel renovável registraram aumento de 37,62%, correspondendo a 79 mil bpd. Enquanto uma parte da redução no consumo pode ser atribuída ao cenário inflacionário nos Estados Unidos, que tem mantido as taxas de juros elevadas sobre a economia e afetando a demanda, a outra parte é explicada pelo crescente avanço dos combustíveis renováveis”, aponta.

Leia Também:  Clima ajuda na recuperação de pastagens e influencia mercado

Ainda segundo o analista, o diesel renovável, assim como o biodiesel, é derivado de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais, gorduras animais e óleo de cozinha usado (UCO).

“Por conta disso, os mercados de exportação e importação nos EUA tem mudado à medida que uma maior produção vegetal doméstica precisa ser direcionada para produção de combustíveis renováveis”, pontua.

Califórnia impulsiona diesel renovável nos EUA

Nos últimos anos, o consumo de destilados médios, principalmente diesel, na Costa Oeste dos EUA (PADD 5) vem caindo significativamente. Atualmente, o consumo é cerca de 5% menor do que o observado em 1989, um contraste marcante com o crescimento de 34,59% para o mesmo ano registrado em 2006 (572 mil barris por dia).

“A queda no consumo por diesel derivado do petróleo acontece após a implementação do Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono (LCFS) em 2011, uma regulamentação que exige que os combustíveis de transporte utilizados no estado sejam misturados com biocombustíveis para reduzir sua pegada de carbono. Ainda, a Califórnia é o único estado que oferece um reembolso aos clientes que compram diesel renovável especificamente, o que impulsiona o uso desse tipo de combustível no estado”, ressalta.

No entanto, a crescente oferta de diesel renovável pressiona as margens de lucro do biodiesel, o que pode levar ao fechamento de usinas de produção. Ambos os combustíveis competem diretamente pelo mesmo mercado.

Excesso de oferta cria desafios para mercado de renováveis

Embora tanto o biodiesel quanto o diesel renovável sejam opções renováveis, o diesel renovável se destaca por ser um substituto direto para o diesel derivado do petróleo. Ele oferece combustão mais limpa e maior potência em comparação ao biodiesel, que precisa ser misturado ao diesel de petróleo em proporções de até 20%.

Leia Também:  Mercado de café no Brasil antecipa dia de negociações reduzidas

“Nessa perspectiva, o tamanho do mercado é crucial. De acordo com as metas de mistura estabelecidas pela Renewable Fuel Standards (RFS) da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, a demanda combinada para 2025 deverá ser de 4,5 bilhões de galões, inferior à capacidade atual de produção, estimada acima de 5 bilhões de galões”, diz.

Diante do excesso de oferta, os RINs D4 (associados ao biodiesel e diesel renovável) estão nos valores mais baixos dos últimos cinco anos. Algumas mudanças estão por vir no próximo ano, como a substituição do Crédito Fiscal para Misturadores de Diesel à Base de Biomassa (BTC) pelo Crédito Fiscal para Produção de Combustíveis Limpos (PTC).

“Essa mudança removerá os incentivos fiscais que importadores têm, ajudando a aliviar um pouco o excesso de oferta no mercado”, conclui.

Em resumo, não apenas o cenário macroeconômico adverso, mas também as mudanças no mercado estão afetando a demanda pelo diesel tradicional derivado do petróleo. Opções renováveis, como o diesel renovável e o biodiesel, têm ganhado espaço nos EUA, principalmente na Califórnia, onde um conjunto de políticas públicas prioriza combustíveis com menores emissões de carbono.

Contudo, a crescente oferta de diesel renovável tem criado um desafio para as plantas produtoras de biodiesel. Apesar de ambos serem soluções renováveis, os dois competem pelo mesmo mercado, com o diesel renovável tendo a vantagem de ser um substituto direto para o diesel tradicional, enquanto o biodiesel precisa ser misturado.

As soluções renováveis, ainda mais caras que o diesel derivado do petróleo, exigem incentivos do governo para sua comercialização, como o mercado de crédito de carbono. Nos últimos meses, porém, o excesso de créditos nesse mercado vem afetando a lucratividade do setor, resultando em perdas para os produtores.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Cuiabá conquista 2º lugar no Centro-Oeste em ranking nacional de cidades sustentáveis

Published

on

Cuiabá alcançou o segundo lugar na região Centro-Oeste no Ranking Cidades Sustentáveis 2026, elaborado pela plataforma Bright Cities, que avalia indicadores de desenvolvimento urbano e qualidade de vida com base na norma internacional ABNT NBR ISO 37120. O resultado posiciona a capital mato-grossense entre os municípios mais bem avaliados da região em práticas voltadas à sustentabilidade e à gestão urbana.

O ranking foi divulgado durante o Smart City Expo Curitiba 2026, considerado um dos principais eventos sobre cidades inteligentes do país. Nesta edição, foram avaliados 338 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, com base nas estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025.

No recorte regional, Cuiabá ficou atrás apenas de Brasília (DF) e à frente de Goiânia (GO), Catalão (GO) e Rio Verde (GO), consolidando sua posição entre os municípios com os melhores indicadores de desenvolvimento sustentável do Centro-Oeste.

A metodologia utilizada pela Bright Cities é baseada na norma internacional que estabelece parâmetros para a mensuração de serviços urbanos e da qualidade de vida. Para a elaboração do ranking, foram considerados 43 indicadores distribuídos em cinco pilares: Prosperidade, Gestão, Bem-estar, Segurança e Infraestrutura e Serviços Básicos.

Leia Também:  Produção de Café em 2024 é Estimada em 54,79 Milhões de Sacas, Influenciada por Condições Climáticas

Entre os aspectos avaliados estão geração de emprego, inovação, saúde financeira dos municípios, educação, saúde, segurança pública, saneamento básico, abastecimento de água, gestão de resíduos sólidos e fornecimento de energia elétrica.

O reconhecimento foi oficializado por meio de certificado encaminhado pela Bright Cities à Prefeitura de Cuiabá. Segundo a organização, o resultado reflete os esforços dos setores público e privado na implementação de ações voltadas ao desenvolvimento urbano sustentável.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, destacou que a colocação demonstra o potencial da capital para avançar ainda mais em áreas estratégicas. “Recebemos essa conquista com satisfação, mas também com responsabilidade. É um resultado que mostra que Cuiabá está no caminho certo e nos incentiva a continuar investindo em soluções que tornem a cidade mais eficiente, moderna e preparada para o futuro”, afirmou.

De acordo com a Bright Cities, o objetivo do ranking não é promover competição entre municípios, mas incentivar a mensuração de indicadores, a troca de boas práticas e a adoção de políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento sustentável das cidades.

Leia Também:  Cuiabá realizará 7ª Conferência Municipal das Cidades

O resultado reforça a importância do planejamento urbano baseado em dados e indicadores, contribuindo para a construção de políticas públicas mais eficientes e alinhadas às necessidades da população.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA