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Hedgepoint Atualiza Mercado de Soja e Óleo de Palma

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O relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) sobre soja, divulgado em dezembro, apontou uma perspectiva neutra, com poucas alterações nos números globais. A produção de soja nos Estados Unidos e no Brasil foi mantida em 124,1 milhões e 169 milhões de toneladas, respectivamente, enquanto a produção argentina teve um aumento para 52 milhões de toneladas. Segundo Luiz Fernando Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, a safra recorde na América do Sul, especialmente no Brasil, e uma safra quase recorde nos Estados Unidos devem resultar na maior produção mundial já registrada, pressionando os preços na Bolsa de Chicago nas próximas semanas.

Produção Brasileira

O plantio da safra brasileira de soja já está praticamente concluído, com apenas algumas áreas no Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e no Norte e Nordeste (Maranhão, Piauí e Tocantins) ainda em andamento. O ritmo de plantio está superior à média histórica, compensando os atrasos ocorridos nos meses de setembro e outubro. As primeiras colheitas são esperadas para janeiro, no Paraná, e fevereiro em outras regiões, como Mato Grosso e estados do Centro-Oeste e Sudeste. Caso o clima continue favorável, a expectativa é de uma safra recorde, superior a 170 milhões de toneladas.

EUA: Demanda por Óleo Vegetal

Em novembro, o esmagamento de soja nos Estados Unidos foi de 193,185 milhões de bushels, volume abaixo das expectativas de mercado, mas ainda assim o maior já registrado para o mês, representando um aumento de 2,2% em relação a novembro de 2023. A capacidade de esmagamento nos EUA tem crescido devido à forte demanda por óleo vegetal para biocombustíveis. Apesar da queda em novembro, a demanda permanece robusta, e a previsão é de que o esmagamento anual de soja nos EUA seja o maior da história, com estimativa de 65,589 milhões de toneladas esmagadas entre setembro de 2024 e agosto de 2025.

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Preços em Chicago

Os contratos futuros de soja na Chicago Board of Trade (CBOT) enfrentaram fortes perdas na última semana, pressionados pela expectativa de uma safra recorde na América do Sul e pela fraqueza do real frente ao dólar, o que diminui a competitividade do produto norte-americano no mercado internacional. A posição spot (janeiro/2025) caiu para US$ 9,5025, encerrando a US$ 9,5175, o menor valor registrado nos últimos quatro anos. Apesar de uma redução nas posições vendidas pelos fundos especuladores em 11 mil contratos, é esperado um aumento nas vendas nos próximos relatórios COT, refletindo o sentimento de queda no mercado.

Óleo de Soja e Atividades dos Fundos

O relatório de vendas de exportação dos EUA indicou que 486 mil toneladas de óleo de soja foram exportadas, número ligeiramente abaixo das 499 mil toneladas registradas anteriormente. Contudo, as exportações de óleo de soja deste ano estão superando os níveis dos últimos cinco anos, com os EUA possivelmente estabelecendo um novo recorde de exportações na campanha atual. Os fundos reduziram sua posição vendida em óleo de soja de 29 mil para 14,6 mil contratos, indicando uma postura ainda “baixista”, mas com menor exposição. Durante esse período, os preços do óleo de soja subiram 1%. Com a queda recente nos preços, espera-se um aumento na posição vendida dos fundos nos próximos relatórios COT, devido à safra recorde esperada no Brasil e nos EUA.

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Óleo de Palma

Os preços do óleo de palma seguiram a tendência de queda observada no óleo de soja, com uma perda de 4%. Isso fez com que o óleo de palma se tornasse mais barato do que os preços futuros do óleo de soja na Bolsa de Dalian, embora ainda estivesse acima dos preços de Chicago. Além disso, o governo dos Estados Unidos anunciou um plano para permitir a venda de gasolina com maior teor de etanol (E15) durante todo o ano, o que deve aumentar o consumo de milho e impactar a demanda por soja, pressionando os preços do óleo de soja.

Na Europa, há preocupações com a demanda por óleos vegetais em função da mistura de etanol E15. A Indonésia, por sua vez, implementará uma nova política de mistura de óleo de palma, aumentando a mistura de 35% para 40% e elevando a exportação de óleo de palma bruto de 7,5% para 10%, com o objetivo de financiar subsídios ao biodiesel.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Sudeste supera Centro-Oeste em custo alimentar e confinamento registra lucro recorde em 2026

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O custo alimentar do confinamento bovino no Brasil apresentou uma mudança inédita na dinâmica entre as principais regiões produtoras em março de 2026. Pela primeira vez no ano, o Sudeste registrou custo inferior ao Centro-Oeste, segundo dados do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP).

O indicador, baseado em dados reais de confinamentos que representam cerca de 62% das cabeças confinadas no país, evidencia uma nova configuração de competitividade regional, ao mesmo tempo em que a atividade atinge níveis recordes de rentabilidade.

Sudeste registra menor custo alimentar e quebra padrão histórico

Em março, o ICAP no Centro-Oeste fechou em R$ 13,23 por cabeça/dia, alta de 11,93% em relação a fevereiro, pressionado principalmente pelo encarecimento de insumos energéticos e volumosos.

Já no Sudeste, o índice foi de R$ 12,19, com recuo de 3,64% no mesmo período. O resultado consolidou a tendência de queda iniciada em fevereiro e marcou a inversão regional, com diferença de R$ 1,04 a favor do Sudeste.

Na comparação anual, ambas as regiões apresentam redução de custos. O Centro-Oeste acumula queda de 4,89%, enquanto o Sudeste registra recuo mais expressivo de 8,14% frente a março de 2025.

Insumos pressionam custos no Centro-Oeste

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o Centro-Oeste encerrou março acima da média do período, refletindo a pressão concentrada no último mês.

Os principais movimentos foram:

  • Volumosos: alta de 21,02%
  • Energéticos: alta de 12,35%
  • Proteicos: estabilidade (-0,30%)

O aumento foi impulsionado principalmente pelos energéticos, com destaque para o milho grão seco (+2,2%) e o sorgo (+6,9%), em meio à transição entre a safra de verão e a expectativa da safrinha.

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Nos volumosos, a elevação foi puxada pela silagem de capim (+30,4%), mesmo com recuos em itens como a silagem de milho (-8,1%).

Sudeste reduz custos com maior oferta de insumos

No Sudeste, o custo alimentar encerrou março 1,79% abaixo da média trimestral, influenciado principalmente pela queda nos insumos energéticos e proteicos.

Os destaques foram:

  • Energéticos: queda de 8,74%
  • Proteicos: queda de 5,11%
  • Volumosos: alta de 43,75%

Entre os energéticos, houve recuo no preço do sorgo (-15,3%) e do milho (-1,5%), reflexo da maior disponibilidade e competitividade de coprodutos agroindustriais.

Nos proteicos, a redução foi puxada pela torta de algodão (-8,2%) e pelo DDG (-2,1%). Apesar da forte alta nos volumosos, especialmente silagem de cana (+65,1%) e bagaço de cana (+23,3%), o custo total da dieta foi reduzido na região.

Rentabilidade do confinamento atinge níveis recordes

A relação entre custo alimentar e preço da arroba manteve o confinamento em um dos melhores momentos de lucratividade da série recente.

No mercado físico:

  • Centro-Oeste
    • Custo da arroba produzida: R$ 192,76
    • Preço da arroba: R$ 345,00
    • Lucro: R$ 1.278,79 por cabeça
  • Sudeste
    • Custo da arroba produzida: R$ 193,50
    • Preço da arroba: R$ 350,00
    • Lucro: R$ 1.267,65 por cabeça

As duas regiões registraram crescimento superior a 24% na rentabilidade em relação a fevereiro, com margens acima de R$ 1,2 mil por animal.

Convergência de custos e competitividade entre regiões

Outro destaque foi a forte aproximação no custo por arroba produzida entre as regiões. A diferença caiu para apenas R$ 0,74 em março, ante mais de R$ 17 no mês anterior.

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Esse movimento indica uma equalização da competitividade entre Centro-Oeste e Sudeste, reforçada também por um empate técnico na lucratividade — com diferença inferior a R$ 12 por cabeça.

No mercado de exportação, o Sudeste apresenta leve vantagem, com lucro estimado em R$ 1.324,35 por animal, impulsionado por preços mais elevados do boi destinado à China.

Inversão de custos levanta dúvidas sobre tendência para 2026

A mudança no padrão regional de custos, considerada atípica para a pecuária brasileira, levanta questionamentos sobre sua continuidade.

Enquanto o Centro-Oeste foi pressionado pela alta dos energéticos (+16,55%) e volumosos (+15,18%), o Sudeste se beneficiou da queda nos energéticos (-9,56%) e proteicos (-7,71%), favorecida pela maior oferta de coprodutos.

A consolidação ou não desse novo cenário dependerá, principalmente, do desempenho da safrinha de milho ao longo do ano.

ICAP se consolida como ferramenta estratégica no confinamento

O ICAP é calculado com base em dados de confinamentos monitorados por tecnologias de gestão, incluindo sistemas amplamente utilizados no Brasil.

O índice reúne milhões de registros de alimentação animal e permite acompanhar mensalmente a evolução dos custos nas principais regiões produtoras.

Segundo especialistas, a ferramenta tem se consolidado como apoio estratégico para decisões de compra de insumos, análise de viabilidade econômica e planejamento da atividade de confinamento.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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