AGRONEGÓCIO

Fórum da Carne debate pecuária sustentável e uso da Comunicação no crescimento da atividade

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O Instituto Desenvolve Pecuária promoveu nesta terça-feira, 5 de março, o 2º Fórum da Carne Bovina, dentro da programação da Expodireto Cotrijal. O evento ocorreu no Auditório da Produção, no parque onde acontece a feira em Não-Me-Toque (RS). Na abertura, o presidente do Desenvolve Pecuária, Luis Felipe Barros, informou que este é o último evento público no qual participa como presidente do Instituto, após 3 anos de mandato.

Barros lembrou da importância de mais uma vez trazer na Expodireto Cotrijal a pecuária do Rio Grande do Sul. Enfatizou que a pecuária gaúcha foi esquecida por muitos anos, dando como exemplo que hoje o Rio Grande do Sul é o oitavo estado do país em abates. Segundo ele, isso ocorre porque a pecuária não está sendo cuidada como deveria. Barros ressaltou que o mérito do Desenvolve Pecuária tem sido trazer esse assunto para os fóruns adequados como a Expodireto.

Recordou que a pecuária gaúcha teve, em 2023, uma queda de 50% no preço do boi gordo e que 53% da carne consumida no Rio Grande do Sul vem de outros estados. ”Não é por outro motivo que entre os dez maiores municípios gaúchos produtores de soja muitos estejam na Fronteira Oeste, onde antes a principal atividade era a pecuária, como em Rosário do Sul, São Gabriel, Dom Pedrito e Santana do Livramento”, destacou.

O primeiro palestrante do Fórum foi o engenheiro agrônomo Pedro Albuquerque, que falou sobre “O Papel da Pecuária na Estabilidade dos Sistemas de Produção”. Comentou sobre a integração lavoura-pecuária e discorreu sobre o papel da pecuária, principalmente a de corte, mas também a de leite, bem como o papel do gado na estabilidade para o sistema de produção em áreas de soja, ou em áreas de outras culturas, e como a inserção do animal em área de pastagem é capaz de agir no sentido de reduzir riscos e trazer estabilidade ao sistema. “O principal gargalo, eu diria, são algumas barreiras que foram criadas por muitos anos, além do manejo inadequado, se espalharam como mitos que precisam ser quebrados”, destacou.

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Neste sentido, Albuquerque ressaltou que a ideia hoje é superar esses paradigmas e mostrar o que as pesquisas têm proporcionado, o que os produtores têm feito de diferente no sentido de sucesso na integração entre lavoura e pecuária como, por exemplo, o correto manejo do pastoreio. “A gente trabalha com animais e dependendo de como são manejados vão ter um determinado desempenho e também vão impactar o sistema de alguma forma”, ponderou.

O segundo palestrante foi o Técnico Agropecuário Roberto Calza, que abordou o tema “Programas para Carnes de Qualidade: Uma Alternativa para Indústria e Produtor; o Case Cotripal”. Calza ressaltou a pertinência do fórum e destacou o espaço dado pela Expodireto Cotrijal para a pecuária de corte, “atividade de extrema importância para a economia da propriedade, da região, e do Estado movimentando bilhões de reais”. Sobre o Case Cotripal, o palestrante ressaltou que trabalha há 40 anos com frigorífico e desenvolveu ao longo do tempo programas para a carne de qualidade, onde conseguiu agregar valor ao produto, remunerar melhor o produtor e assim beneficiar toda a cadeia da pecuária. “A integração lavoura pecuária, por exemplo, vem se disseminando cada vez mais e é uma técnica muito utilizada, mas que ainda demanda mais debate para que mais produtores tenham acesso, visto que a atividade traz benefícios como geração de renda ao produtor e potencialização das culturas”, finalizou.

O terceiro palestrante foi o produtor rural, agricultor e pecuarista Emerson Schaedler que falou sobre o tema “Programas para Carnes de Qualidade: Uma Alternativa para Indústria e Produtor”. Schaedler abordou o que é feito na sua fazenda, o que vem dando certo e os bons resultados obtidos, assim como o rendimento que vem conseguindo junto à criação de Angus. “Na nossa propriedade, nós não fazemos safrinha, após o milho colocamos pastagens para alimentar o gado, o que se torna mais rentável”, explicou. Com relação ao sucesso na criação de Angus, referiu que a precocidade da raça, no sentido de uma carne de mais qualidade, e a rapidez de engorda são as principais vantagens.

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Por fim falou o palestrante José Luiz Tejon Mejido. O tema foi “A Comunicação como Instrumento de Crescimento da Agropecuária no Brasil”. Tejon, entre outras graduações, é Doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai. Ele destacou a importância de abordar a Comunicação junto à pecuária, uma vez que a Ciência e a Tecnologia avançam em grande velocidade e a Comunicação cresce em importância como condutora dessas inovações. “Comunicação não só nas aulas, não só como professor e aluno, mas também a Comunicação pelo rádio, pelo jornal, pela internet, televisão, Comunicação científica e tecnológica é fundamental nos dias de hoje”, destacou.

O professor questionou como estão hoje os hábitos do consumidor em relação ao consumo de proteína animal e, especificamente, da carne bovina. “E aí eu vejo que precisamos de um trabalho mais forte para aumentar o consumo de carne vermelha, que tem caído muito”, observou. Tejon defendeu que houve uma perda de hábito, principalmente nas classes mais baixas, de comer cortes mais baratos de carne vermelha como miúdos, carne moída e fígado, entre outros. “Então essa mudança, eu diria, no marketing da carne vermelha fez com que ela ganhasse destaque junto aos cortes mais nobres. O professor rechaçou a hipótese de a carne bovina ter se afastado das classes mais baixas por uma questão econômica: “Eu era pobre quando criança e comia miúdos de boi, era hábito e isso era incentivado como uma coisa fácil e acessível de preparar, eu acho que essa comunicação está faltando agora no caso do consumo da carne vermelha,” concluiu.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto Desenvolve Pecuária

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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