AGRONEGÓCIO
Fed: O que esperar da reunião desta semana
Publicado em
22 de março de 2024por
Da RedaçãoEmbora o mercado de trabalho tenha revelado uma tendência de arrefecimento, com o aumento do desemprego, os custos de habitação permanecem resistentes e os preços da energia estão novamente a exercer pressão sobre a inflação.
As apostas do mercado apontam para uma descida das taxas de juro em junho deste ano, mas há um sentimento crescente de incerteza e de aversão ao risco, com rendimentos do tesouro subindo forte nas últimas semanas.
Mais uma vez, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) irá reunir-se para determinar a orientação da política monetária nos Estados Unidos. Embora o mercado não preveja qualquer corte de taxas nesta reunião, nem uma orientação clara nesse sentido para a próxima reunião (agendada para 30 de abril a 1 de maio), a comunicação oficial será importante para compreender a visão do board sobre o atual ambiente inflacionário. Confira análise completa da hEDGEpoint Global Markets.
“Se no final de 2023 cresceu no mercado uma visão mais dovish em relação às taxas de juro na maior economia do mundo, os primeiros meses de 2024 mostram uma incerteza crescente em relação à inflação. No entanto, dados recentes apoiam a ideia de um “soft landing” na economia americana, onde a aproximação dos preços ao objetivo de 2% será alcançada sem conduzir a economia a uma recessão. A este respeito, vamos discutir os possíveis resultados da reunião da Fed que terminará esta quarta-feira, 20 de março”, observa Victor Arduin, analista de Macroeconomia e Energia da hEDGEpoint.

Os componentes sazonais voltam a pressionar a inflação nos EUA
“De um modo geral, o mercado continua à espera de um corte de juros em junho de 2024, mas podemos fazer algumas considerações. O IPC, que avançou 0,4% em fevereiro, com 60% do aumento relacionado aos custos de moradia e gasolina, traz preocupações. Embora a habitação tenha sido um dos componentes mais resistentes da inflação americana, com alta de 5,7% nos últimos 12 meses, a energia, componente mais volátil, deve voltar a pressionar o índice com mais força nos próximos meses”, acredita.
Analisando os dados relativos mercado de propriedades nos EUA, a taxa de disponibilidade de imóveis, uma medida que indica o estoque total de unidades para arrendamento, foi de 6,6% no quarto trimestre de 2023, o que indica um mercado bastante apertado.
“A baixa oferta de imóveis está exercendo pressão ascendente sobre o mercado de alugueis. Ainda, os custos da energia estão refletindo o aumento dos preços do petróleo e das paradas não programadas das refinarias do país, que rapidamente removeram mais de 14 milhões de barris de gasolina dos estoques desde fevereiro deste ano”, diz.

Segundo o analista, “neste momento, o Fed encontra-se num ponto crucial da sua jornada para levar os preços para o objetivo de 2%. A combinação de uma economia forte, de dados sobre o emprego que revelam moderação e de componentes voláteis que voltam a exercer pressão sobre a inflação não facilita a previsão do tom que a comunicação das autoridades monetárias irá adotar nesta quarta-feira”.
Se os dados atuais ainda não dão certezas suficientes para um corte nas taxas de juro, os riscos estão crescendo em torno da economia com o atual nível restritivo da política monetária, especialmente nos setores bancário e imobiliário, o que preocupa as autoridades do país.
“O PCE, o índice de inflação mais observado pelo banco central americano, situa-se em 2,4% e espera-se que continue a melhorar nos próximos meses, uma vez que reflete menos os componentes que estão exercendo maior pressão sobre o IPC. Dito isto, devemos esperar um Fed cauteloso esta semana, com preocupações sobre a trajetória da inflação, especialmente nos setores dos serviços e de alugueis, destacando um arrefecimento do mercado de trabalho”, destaca.
É provável que haja um aumento da aversão ao risco este mês, com os títulos do tesouro de curto prazo apreciando. No entanto, à medida que forem surgindo mais dados sobre a inflação nas próximas semanas, poderemos assistir a uma reversão deste cenário.

“Há espaço para uma posição mais conservadora esta semana, sem anunciar uma orientação para a flexibilização da política monetária, uma vez que as declarações hawkish fazem parte dos esforços do banco central americano para ancorar as expectativas. Por conseguinte, poderá registar-se uma volatilidade baixista durante o resto do mês para mercados de maior risco como commodities”, pontua.
E conclui: “No entanto, espera-se que esta tendência se inverta com a melhoria dos dados relativos à inflação nas próximas semanas. Apesar de alguns componentes causarem preocupação, como a energia e moradia, o balanço geral revela uma melhoria. Ademais, o atual nível restritivo da política monetária continua a contribuir para a convergência dos preços para o objetivo de 2%”.
Fonte: hEDGEpoint Global Markets
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
Published
8 horas agoon
26 de julho de 2026By
Da Redação
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro
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