AGRONEGÓCIO
Febre entre os consumidores, pistache atinge marca de US$ 8,8 MM em importações no Brasil em 2023
Publicado em
31 de janeiro de 2024por
Da RedaçãoNos últimos anos, o pistache conquistou o gosto dos brasileiros e se tornou um dos ingredientes mais requisitados no universo culinário, especialmente em doces e sobremesas. Como resultado desse fenômeno, as importações desta oleaginosa, típica da região mediterrânea, presenciaram um aumento significativo para suprir a procura, atingindo o total de US$ 8,8 MM, equivalentes a 608 toneladas. É o que revela um estudo realizado pela Vixtra, fintech de comércio exterior, com base em dados disponibilizados pela Secretaria de Comércio Exterior.
O período analisado compreende as últimas duas décadas, a partir de 2003, quando as importações do pistache ainda apresentavam um tímido montante de US$ 0,4 MM no Brasil. Entretanto, em 2013, os números expressaram um pico significativo, atingindo US$ 7,3 MM. Depois disso, os anos seguintes apresentaram queda, despencando para US$ 2,8 MM até 2021.
O cenário tornou a crescer em 2022, quando o pistache começou a aparecer como protagonista de inúmeras receitas, despertando a curiosidade dos brasileiros e resultando no total US$ 4,5 MM em importações. Já em 2023, a oleaginosa vivenciou seu auge no país, quando filas foram feitas para provar o novo sabor em uma sorveteria, com um impressionante crescimento de 97% em relação ao ano anterior, decorrente dos US$ 8,8 MM no total das importações.

Gráfico: Vixtra.
“É importante destacar que o Brasil não cultiva esse produto em escala comercial devido a fatores como condições climáticas, o que explica a necessidade de importação para atender à demanda crescente”, diz Leonardo Baltieri, co-CEO da Vixtra.
O levantamento aponta a origem dos três principais países exportadores do pistache para o Brasil: os Estados Unidos aparecem em primeiro lugar, com 77,7% (US$ 6,8 MM) das exportações, seguido pela Argentina com 18,2% (US$ 1,6 MM) e Irã com 4,1% (US$ 0,4 MM).
“Os Estados Unidos são um dos principais exportadores de pistache por conta da extensa área cultivada na Califórnia, especialmente no Vale Central, onde o clima similar ao território mediterrâneo oferece as condições ideais para o crescimento da castanha. A Argentina também se destaca devido ao solo e clima adequados em regiões como San Juan, além de estar mais próxima do Brasil, diminuindo os custos de transporte. O Irã, por sua vez, é reconhecido como um dos maiores produtores e exportadores de pistache do mundo devido à longa tradição na cultura e cultivo desse produto”, analisa.
“Para 2024, as expectativas em relação ao mercado de pistache no Brasil são de continuidade no aumento das importações, impulsionado por datas comemorativas como a Páscoa, trazendo os clássicos ovos de chocolate recheados com a iguaria. Diante desse cenário, é esperado um esforço contínuo para encontrar fontes confiáveis de fornecedores globais, visando garantir um abastecimento consistente”, conclui Baltieri.
Fonte: Vixtra
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Supermercados enfrentam nova pressão sobre margens mesmo com desaceleração dos preços dos alimentos
Published
6 minutos agoon
27 de maio de 2026By
Da Redação
O varejo supermercadista brasileiro entrou em uma nova fase de desafios. Mesmo com sinais de desaceleração em parte dos preços dos alimentos, o setor continua pressionado por margens apertadas, mudanças no comportamento do consumidor, juros elevados e crescente complexidade tributária e operacional.
Dados do IBGE mostram que o grupo Alimentação e bebidas avançou 0,82% em abril, mantendo impacto relevante sobre o orçamento das famílias. Ao mesmo tempo, a Pesquisa Mensal do Comércio revelou alta de 0,5% nas vendas do varejo em março, levando o setor a um novo recorde da série histórica.
Apesar do avanço da atividade econômica, especialistas alertam que crescimento nas vendas não significa, necessariamente, melhora na rentabilidade das redes supermercadistas.
Consumidor mais cauteloso muda dinâmica do setor
Segundo Márcio Goulart, especialista em gestão de supermercados e porta-voz da Meta Contabilidade, o setor deixou para trás a fase em que o principal desafio era apenas repassar a inflação ao consumidor.
Agora, o cenário é marcado por um consumidor mais seletivo, compras fragmentadas e necessidade crescente de eficiência operacional.
“Existe uma leitura equivocada de que, se alguns preços começam a aliviar, automaticamente a operação melhora. Não funciona assim. O consumidor continua pressionado financeiramente, compra com mais cautela, reduz volume, troca marcas e distribui as compras ao longo do mês. Enquanto isso, a operação segue convivendo com custos financeiros altos, exigências fiscais complexas e necessidade de resposta rápida”, afirma.
Na prática, o comportamento das famílias mudou significativamente. Crescem as compras com tickets menores, o aproveitamento de promoções pontuais e a migração entre diferentes canais, como supermercados de bairro, atacarejos e varejo digital.
Varejo alimentar perde previsibilidade e exige gestão mais técnica
A mudança no padrão de consumo elevou o nível de complexidade da operação supermercadista. Segundo especialistas, o setor passou a exigir maior capacidade analítica e decisões baseadas em dados em tempo real.
“A previsibilidade caiu. O consumidor compara mais, reage rapidamente a preço e demonstra menos fidelidade. O supermercadista que continua tomando decisão apenas com base em histórico de vendas ou percepção empírica corre risco de errar precificação, estoque e planejamento”, destaca Goulart.
Como o varejo alimentar opera tradicionalmente com margens reduzidas e alto volume de giro, pequenas falhas operacionais podem comprometer diretamente a rentabilidade.
Entre os principais pontos de atenção no setor estão:
- erros de precificação;
- estoques desalinhados com a demanda;
- desperdício operacional;
- rupturas frequentes;
- baixa visibilidade sobre margem real por categoria;
- falhas de integração entre áreas fiscal, financeira e operacional;
- crescimento descontrolado das despesas.
Juros altos afetam consumo e pressionam supermercados
O ambiente macroeconômico também amplia os desafios. Com a taxa Selic em 14,75% ao ano, o custo do crédito continua elevado, reduzindo a capacidade de consumo das famílias e alterando prioridades financeiras.
Segundo Goulart, o impacto dos juros vai além do consumo de bens duráveis e já influencia diretamente os hábitos de compra no setor alimentar.
“Quando o crédito fica caro, o orçamento doméstico muda de prioridade. O supermercado passa a disputar espaço com parcelas, renegociação de dívidas, custos financeiros e outras obrigações fixas. Isso altera comportamento, frequência de compra e sensibilidade a preço”, explica.
Esse cenário ajuda a explicar por que muitas redes conseguem manter volume de vendas, mas enfrentam deterioração gradual da margem operacional.
Reforma tributária aumenta preocupação no setor supermercadista
Além das mudanças no consumo e da pressão financeira, o varejo alimentar acompanha com cautela o avanço da regulamentação da Reforma Tributária.
A implementação da CBS e do IBS deve exigir revisão de processos internos, adaptação tecnológica e reestruturação das estratégias de precificação e aproveitamento de créditos fiscais.
Embora o objetivo da reforma seja simplificar o sistema tributário, o período de transição preocupa empresas do setor devido ao risco de distorções operacionais e aumento de custos de adaptação.
“O varejo alimentar trabalha com volume alto, margens apertadas e sensibilidade extrema a preço. Qualquer erro de parametrização tributária ou atraso na adaptação pode gerar impactos relevantes na operação”, afirma o especialista.
Setor entra em nova fase de competitividade
Para especialistas, o varejo supermercadista brasileiro vive uma transformação estrutural e não apenas um ajuste momentâneo provocado pela inflação ou pelo ciclo econômico.
O cenário atual exige controle rigoroso de custos, eficiência operacional, inteligência de dados e capacidade de adaptação rápida ao novo perfil de consumo.
“O supermercadista brasileiro sempre foi resiliente, mas o ambiente mudou. Hoje, vender bem não basta. É preciso entender margem real, comportamento do consumidor, impacto tributário, custo financeiro e eficiência operacional ao mesmo tempo”, conclui Goulart.
Com consumidores mais sensíveis a preço e margens cada vez mais pressionadas, o setor supermercadista deve continuar operando em um ambiente de alta competitividade e necessidade constante de inovação na gestão.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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