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Fazenda no Rio de Janeiro entra no mercado de carbono com reflorestamento sem investimento inicial

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A restauração de solos degradados em áreas privadas com o objetivo de entrar no mercado de crédito voluntário de carbono é uma possibilidade que adiciona retorno financeiro à adequação ambiental de diretrizes ESG. A Fazenda das Palmas, na região de Vassouras, é uma das primeiras a entrar nessa via em parceria com a startup franco-brasileira Morfo e a organização não governamental Instituto Terra e Preservação – ITPA. Os proprietários destinaram 20 hectares para receber mudas e sementes nativas da Mata Atlântica sem investimento inicial, já que o plano é financiado com parte da pré-venda dos créditos de carbono.

A área destinada à restauração foi exaurida muito antes da aquisição da fazenda pelos donos atuais, durante o uso das terras para pasto, e não chega a ter o solo descoberto, mas a vegetação que sobrou não deixa que outras espécies se desenvolvam. Além disso, parte está em uma área de encosta, o que leva a risco de erosão. O projeto da Morfo é feito em quatro etapas. A primeira consiste em uma análise criteriosa do solo, com informações de imagens obtidas por satélite e drones processadas por Inteligência Artificial. Na segunda são definidas em testes de laboratório quais as espécies nativas que serão usadas. Entre elas, ainda há testes para saber quais possuem sementes que podem ser lançadas in natura e aquelas em que os grãos precisam ser pré-germinados e envoltos em cápsula nutritiva. A terceira etapa é o plantio propriamente dito, com a dispersão das sementes por meio de drone. “Nós usamos os drones para dispersar as sementes, algumas envolvidas por uma cápsula desenvolvida por nós, que vai nutrir, proteger e reter umidade aumentando a taxa de germinação”, explica Grégory Maitre, CEO da Morfo no Brasil.

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O plano de restauração destinou 5 hectares para o plantio manual de mudas feito pelo ITPA. Parceira da Morfo, a ONG atua há mais de 25 anos no Corredor de Biodiversidade Tinguá-Bocaina, uma área de 195 mil hectares onde está localizada a Fazenda das Palmas. Nesse tempo, plantou cerca de 4,5 milhões de árvores e vê na colaboração entre proprietários privados, comunidade local e inovações tecnológicas o caminho para dar escala à recuperação da Mata Atlântica.

A equipe da ITPA também atuou na preparação do solo e estará presente na última etapa do projeto: o monitoramento. Assim como a análise de solo, ele usa dados de imagens de satélite e de drone dentro de uma plataforma baseada em Inteligência Artificial que identifica não só a taxa de cobertura vegetal, mas também a biomassa, a biodiversidade e o estoque de carbono. O acompanhamento da evolução da nova floresta ainda permite fazer um diagnóstico precoce de eventuais problemas e encaminhar a correção, além de ficar disponível para o dono da terra.

Nesse caso, a inovação contrasta com a paisagem da centenária Fazenda das Palmas. Uma década atrás, o casal Luiza Konder e Antônio Carlos de Almeida Braga – o banqueiro e mecenas do esporte brasileiro Braguinha, falecido em 2021 – compraram a propriedade e descobriram no local o terceiro alambique comercial do Rio de Janeiro. Decidiram restaurar o local transformando o casarão principal em hospedagem e reativando a produção de cachaça.

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Construído originalmente em 1855, o alambique ainda mantinha a caldeira inglesa, importada via Alemanha no começo do século XX. A estrutura foi totalmente reformada, a cana-de-açúcar começou a ser plantada na própria fazenda e a cachaça, destilada. Foi através da colaboração familiar entre Luiza, as duas filhas, Joana e Maria Almeida Braga, e do genro, Rafael Daló, que nasceu a Pindorama. A marca fez sua estreia inicial, em 2017, no mercado português, devido às facilidades iniciais oferecidas pelo país onde, atualmente, uma dose chega a custar 9 euros (por volta de R$ 51) em restaurantes de Lisboa.

A comercialização no Brasil começou em 2021, chegando a pontos de venda no Rio de Janeiro e São Paulo. “Através da agricultura sintrópica realizamos o plantio de cana de açúcar e milho não transgênico em consórcio próximo ao alambique, como forma de proteção do solo, além da criação de uma estrutura para produção de energia através do bagaço da cana. A produção atualmente está em torno de 40 mil litros por ano. A ideia é chegar em 2028, aos 75 mil litros, o equivalente a 100 mil garrafas.”, avalia Rafael Daló, um dos sócios e diretor criativo da marca.

Fonte: Kyvo PR

Fonte: Portal do Agronegócio

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Raízen reduz moagem de cana em quase 10% na safra 2025/26, mas amplia produção de açúcar e etanol de segunda geração

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A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar, etanol e bioenergia do mundo, encerrou a safra 2025/26 (abril de 2025 a março de 2026) com uma moagem de 70,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 9,8% inferior ao registrado no ciclo anterior, quando foram processadas 78,2 milhões de toneladas.

Segundo a companhia, o desempenho foi impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo da safra, que reduziram a disponibilidade de matéria-prima e afetaram a produtividade agrícola dos canaviais. Além dos efeitos do clima, decisões estratégicas relacionadas à otimização dos ativos industriais também contribuíram para a retração do volume processado.

Clima reduziu oferta de cana

Em comunicado ao mercado, a Raízen informou que a principal razão para a queda da moagem foi o impacto das condições climáticas registradas durante o ano-safra.

A empresa estima que a menor produtividade agrícola provocou uma redução de aproximadamente 900 mil toneladas de cana disponível para processamento, refletindo os desafios enfrentados pelos canaviais em diferentes regiões produtoras.

A menor oferta de matéria-prima confirma os efeitos das adversidades climáticas sobre o setor sucroenergético brasileiro, que também atingiram outros produtores ao longo da temporada.

Estratégia operacional também reduziu o volume processado

Além do clima, a Raízen destacou que parte da redução da moagem decorreu de decisões estratégicas voltadas à otimização do portfólio de ativos.

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Entre as medidas adotadas estão:

  • venda de aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar;
  • hibernação da usina MB, paralisada desde novembro de 2024 e sem operação durante a safra 2025/26;
  • hibernação da usina Santa Elisa, que interrompeu as atividades em julho de 2025.

De acordo com a companhia, desconsiderando esses efeitos extraordinários, a moagem teria alcançado 69,2 milhões de toneladas, o que representaria uma retração mais moderada, de 3,9% em relação à safra anterior.

Mix priorizou açúcar para aumentar rentabilidade

Mesmo diante da menor moagem, a Raízen manteve sua estratégia de direcionar uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar, aproveitando as condições mais favoráveis do mercado internacional.

Na safra 2025/26, o mix de produção ficou em:

  • 53% destinado ao açúcar
  • 47% destinado ao etanol

No ciclo anterior, a divisão havia sido equilibrada, com 50% para açúcar e 50% para etanol.

Segundo a companhia, a alteração do mix acompanhou sua estratégia de maximização de rentabilidade, sustentada pelos preços previamente fixados para o açúcar e pela qualidade da matéria-prima disponível durante a safra.

Produção de etanol de segunda geração avança

Outro destaque apresentado pela empresa foi a evolução da produção de etanol de segunda geração (E2G).

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A Raízen informou que os volumes produzidos cresceram na comparação anual, impulsionados pela estabilização operacional das unidades de:

  • Bonfim;
  • Univalem;
  • Barra.

O desempenho dessas plantas reforça a estratégia da companhia de ampliar a produção de biocombustíveis de maior valor agregado, utilizando resíduos da cana-de-açúcar como matéria-prima e contribuindo para a expansão da oferta de combustíveis renováveis de baixa emissão de carbono.

Perspectivas para o setor sucroenergético

O resultado da safra 2025/26 evidencia os desafios enfrentados pelo setor sucroenergético brasileiro diante das oscilações climáticas, que vêm afetando a produtividade dos canaviais em diversas regiões do país.

Ao mesmo tempo, a decisão da Raízen de ampliar a participação do açúcar no mix de produção demonstra a busca por maior rentabilidade em um cenário de preços internacionais mais atrativos, enquanto os investimentos em etanol de segunda geração reforçam a estratégia de diversificação e fortalecimento da matriz de biocombustíveis.

Mesmo com a redução na moagem, a companhia mantém o foco na eficiência operacional, na otimização de ativos industriais e na expansão de tecnologias voltadas à produção de energia renovável, consolidando sua posição entre as principais empresas do agronegócio e do setor sucroenergético brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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