AGRONEGÓCIO

Farm Show de Primavera do Leste começa com expectativa de superar R$ 2 bi em negócios

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A Farm Show MT começou oficialmente na noite de segunda-feira (09.03), em Primavera do Leste (distante 235 km da capital, Cuiabá), em Mato Grosso, e abre ao público nesta terça-feira (10) com expectativa de superar R$ 2 bilhões em negócios ao longo da semana. A feira reúne fabricantes de máquinas agrícolas, empresas de insumos, instituições financeiras e prestadores de serviços em um dos principais polos produtores de grãos do país.

Na edição anterior, realizada em 2025, o evento movimentou R$ 1,8 bilhão em vendas, resultado impulsionado principalmente pela comercialização de tratores, colheitadeiras, pulverizadores, implementos agrícolas e pacotes de tecnologia voltados à agricultura de precisão. Para este ano, organizadores projetam crescimento nas negociações, apoiado na presença ampliada de expositores e na demanda por renovação de equipamentos no campo.

A feira chega à décima edição reunindo cerca de 350 expositores e expectativa de mais de 60 mil visitantes, entre produtores rurais, técnicos e representantes de empresas ligadas ao agronegócio. Parte significativa das vendas ocorre diretamente nos estandes ou por meio de contratos iniciados durante o evento, especialmente nas linhas de crédito oferecidas por bancos e cooperativas.

A escolha de Primavera do Leste como sede da feira reflete o peso econômico da região na produção agrícola brasileira. O município está entre os maiores produtores de grãos e fibras do país, com destaque para soja, milho e algodão. Na safra 2024/25, a produção agrícola local ultrapassou 4 milhões de toneladas de grãos, somando principalmente soja e milho.

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O desempenho acompanha o avanço de Mato Grosso no cenário nacional. O Estado lidera a produção brasileira de grãos e deve colher mais de 100 milhões de toneladas na safra 2024/25, considerando soja, milho e algodão. Sozinha, a produção mato-grossense responde por cerca de 30% da soja colhida no país e por uma parcela relevante da oferta nacional de milho.

Nesse contexto, feiras tecnológicas como a Farm Show funcionam como plataformas de difusão de inovação no campo. Fabricantes utilizam o evento para apresentar novas gerações de máquinas, sistemas de monitoramento por satélite, ferramentas de gestão agrícola e soluções voltadas à redução de custos operacionais.

A demanda por tecnologia se intensificou nos últimos anos à medida que as propriedades rurais ampliaram escala e passaram a operar com maior nível de mecanização. Em regiões como Primavera do Leste, onde predominam grandes áreas de cultivo, ganhos de produtividade dependem cada vez mais da incorporação de equipamentos de alta capacidade e de sistemas digitais de gestão da lavoura.

Além da exposição de máquinas e insumos, a programação da feira inclui demonstrações técnicas, painéis sobre mercado agrícola e encontros entre produtores e empresas do setor. Instituições financeiras também participam com linhas de crédito voltadas à aquisição de equipamentos e insumos, mecanismo que historicamente impulsiona o volume de vendas durante o evento.

Imagem: assessoria

ABERTURA INSTITUCIONAL – A décima edição da Farm Show MT foi oficialmente iniciada na noite de segunda-feira (09.03), com uma cerimônia que reuniu produtores rurais, dirigentes de entidades do agronegócio e representantes políticos. O encontro antecedeu a abertura da feira ao público e serviu para marcar o início das comemorações pelos dez anos do evento.

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Entre os presentes estavam lideranças do setor produtivo e autoridades estaduais e municipais. Participaram da solenidade o presidente do Sindicato Rural do município, Marcos Bravin, o presidente da feira, José Nardes, o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios, Leonardo Bortolin, além do presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende.

Também estiveram presentes os deputados federais Rodrigo da Zaeli e José Medeiros, o deputado estadual Gilberto Cattani, além do prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machnic, e do presidente da Câmara Municipal, Marco Aurélio Salles.

Durante os discursos, lideranças destacaram a importância da feira para o fortalecimento do agronegócio regional e para a difusão de tecnologias no campo. Também houve referências aos desafios enfrentados pelos produtores e à necessidade de incentivar a sucessão rural e a formação de novas gerações ligadas à atividade agrícola.

Organizadores também prestaram homenagens a produtores, parceiros e ex-dirigentes que participaram da construção do evento ao longo da última década. Criada com caráter regional, a Farm Show ganhou dimensão estadual e passou a integrar o calendário nacional de feiras voltadas ao agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde de grãos pressiona logística no Brasil e expõe gargalos de armazenagem e transporte

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O Brasil caminha para uma safra histórica em 2025/26, com produção estimada em 356,3 milhões de toneladas de grãos e 82,2 milhões de hectares plantados, segundo o 6º Levantamento da Conab. O resultado reforça a posição do país entre os maiores produtores globais, mas também amplia a pressão sobre a infraestrutura logística nacional.

Com o agronegócio respondendo por cerca de um quarto do PIB brasileiro, o desafio deixou de ser apenas produtivo e passou a ser estrutural: escoar volumes recordes com eficiência, previsibilidade e custos competitivos.

Nesse contexto, o novo relatório “Retrato da Logística de Grãos do Brasil em 2026”, da nstech, destaca gargalos persistentes em armazenagem, transporte e integração modal, além de apontar a tecnologia como eixo central de competitividade do setor.

Reequilíbrio da matriz de transportes avança, mas rodovias seguem dominantes

Estudos do ESALQ-LOG indicavam que, em 2023, o modal rodoviário respondia por 69% do escoamento da soja, seguido por ferrovias (22%) e hidrovias (9%).

Projeções recentes baseadas em dados da ANTT e do Ministério dos Transportes indicam uma leve mudança até 2025, com avanço das ferrovias para 25%, manutenção das hidrovias em 9% e recuo das rodovias para 66%.

Apesar da evolução, a dependência do transporte rodoviário ainda é considerada um fator de ineficiência estrutural.

“Mesmo com avanço da intermodalidade, ainda há um excedente estimado de 70 mil caminhões em rotas de longa distância. A digitalização e a agenda ESG deixaram de ser diferenciais e passaram a ser exigências comerciais”, afirma Thiago Cardoso, diretor de agronegócio da nstech.

Nova dinâmica logística: valor agregado muda o perfil do transporte

A transformação do agronegócio brasileiro também passa pelo aumento da produção de coprodutos e itens de maior valor agregado.

A produção de DDG/DDGS deve atingir 4,9 milhões de toneladas na safra 2025/26, com potencial de chegar a 11 milhões até 2030. Em paralelo, o esmagamento interno de soja deve alcançar 60,9 milhões de toneladas em 2026, impulsionado pela demanda do biodiesel.

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Esses produtos exigem maior controle logístico, rastreabilidade por lote e maior uso de contêineres, reduzindo a predominância do transporte a granel e elevando a complexidade operacional dos terminais.

Ao mesmo tempo, o Brasil deve atingir um recorde na importação de fertilizantes, com 45,5 milhões de toneladas em 2025, ampliando o fluxo reverso da logística agrícola.

Frete de retorno ganha força e reduz custos logísticos

Para mitigar o impacto do transporte, que pode representar até 20% do custo de produção, o setor consolidou o modelo de “frete de retorno”, no qual caminhões que levam grãos aos portos retornam carregados com insumos agrícolas.

Um dos principais avanços recentes ocorre no corredor do Porto de Porto do Itaqui, que passou a integrar operações portuárias à malha ferroviária nacional, facilitando o fluxo de fertilizantes para regiões produtoras como Mato Grosso.

Arco Norte se consolida, mas frete rodoviário atinge picos históricos

O chamado Arco Norte segue em expansão e já responde por 36,2% das exportações de soja e 39,3% de milho, segundo a Conab. Portos como Santarém e São Luís têm papel estratégico nesse movimento.

Apesar disso, a combinação de supersafra e regulação dos pisos mínimos de frete pela ANTT provocou forte volatilidade nos preços do transporte.

No corredor Rio Verde (GO)–Santos (SP), o frete rodoviário chegou a R$ 310,5 por tonelada no pico da colheita da soja 2025/26, enquanto o modal ferroviário operou em torno de R$ 205/t, evidenciando vantagem de cerca de 28% em custo.

Déficit de armazenagem segue como principal gargalo estrutural

A limitação da capacidade estática de armazenagem continua sendo um dos principais entraves do agronegócio brasileiro.

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O país apresenta déficit estimado de 132 milhões de toneladas em capacidade de estocagem, concentrado principalmente no Centro-Oeste. Enquanto os Estados Unidos conseguem armazenar até 150% de sua produção, o Brasil opera com cerca de 50%, sendo apenas 17% dentro das propriedades rurais.

Na prática, isso força o escoamento imediato durante a colheita, elevando a demanda por transporte justamente no período de fretes mais altos.

Sustentabilidade e rastreabilidade ganham papel obrigatório no comércio global

A agenda ambiental também se consolida como fator determinante na competitividade do agronegócio brasileiro.

Regulamentos como o EUDR (Regulamento da União Europeia contra o Desmatamento) elevam o nível de exigência para rastreabilidade e georreferenciamento de grãos, tornando a conformidade ambiental um requisito comercial obrigatório.

Além disso, o relatório aponta que o transporte rodoviário emite, em média, cerca de sete vezes mais CO₂ por tonelada-quilômetro do que a ferrovia e até dez vezes mais do que o modal hidroviário.

Digitalização se consolida como solução imediata para eficiência logística

Diante dos gargalos estruturais, a digitalização da cadeia logística surge como alternativa mais imediata para ganhos de eficiência.

Segundo a nstech, o uso de plataformas integradas de gestão de transporte permite maior visibilidade, controle operacional e otimização de rotas.

“A inteligência de dados deixou de ser diferencial competitivo e passou a ser condição operacional: quem não mede, não orquestra. E quem não orquestra, paga mais caro para movimentar a mesma carga”, destaca o executivo.

A adoção de sistemas integrados de supply chain e ferramentas de rastreabilidade ponta a ponta é apontada como essencial para reduzir custos e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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