AGRONEGÓCIO
Farelo de soja registra forte alta em novembro e sustenta preços no Brasil, aponta Itaú BBA
Publicado em
18 de dezembro de 2025por
Da Redação
Mercado do farelo de soja ganha força com alta internacional
O Agro Mensal, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, apontou que o mês de novembro foi marcado por forte valorização nos preços do farelo de soja na Bolsa de Chicago (CBOT). A cotação subiu 13,1%, atingindo US$ 319 por tonelada, impulsionada por paradas em plantas de esmagamento nos Estados Unidos e pela redução nas margens de processamento, que geraram preocupação com a oferta do derivado.
Esse movimento internacional refletiu diretamente no mercado brasileiro, onde os preços do farelo subiram 8% em Rondonópolis (MT), alcançando R$ 1.547 por tonelada. A elevação foi sustentada pela maior demanda e pela percepção de menor disponibilidade global.
Óleo de soja tem leve alta no exterior e queda no Brasil
Enquanto o farelo registrou forte valorização, o óleo de soja apresentou comportamento misto. Após três meses consecutivos de queda, o preço internacional teve alta de 0,4% em novembro, para US$ 50,4 centavos por libra-peso.
No mercado interno, no entanto, o cenário foi diferente: as cotações caíram 4% em Mato Grosso, para R$ 6.369 por tonelada, influenciadas pela boa disponibilidade do produto no país.
Dólar alto neutraliza impacto de queda na CBOT
No início de dezembro, a queda dos contratos de farelo na CBOT reduziu a paridade de exportação, o que poderia pressionar os preços internos. Contudo, a valorização do dólar frente ao real compensou esse efeito, mantendo as cotações estáveis no mercado doméstico.
De acordo com o Itaú BBA, a demanda interna segue equilibrada, já que boa parte dos compradores antecipou as aquisições para atender às necessidades do fim de 2025 e início de 2026. Além disso, o bom desempenho das exportações tem ajudado a reduzir estoques internos, o que evita quedas mais acentuadas nos preços mesmo diante da pressão externa.
USDA mantém projeção de esmagamento recorde nos EUA
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve a projeção de esmagamento recorde de 69,5 milhões de toneladas de soja para a safra 2025/26, mesmo com a retração das margens de processamento.
A expectativa é que as novas metas de biocombustíveis e a definição sobre isenções de mistura sejam divulgadas no início de 2026, o que deve definir o ritmo da demanda por óleo de soja no país.
Argentina reduz impostos sobre exportações agrícolas
O governo argentino anunciou redução permanente das alíquotas de exportação de grãos e derivados, com o objetivo de aliviar a carga tributária do setor agropecuário e fortalecer a competitividade da agroindústria, responsável por cerca de 60% das exportações do país.
As novas alíquotas passam a ser:
- Soja: de 26% para 24%;
- Subprodutos de soja: de 24,5% para 22,5%;
- Trigo e cevada: de 9,5% para 7,5%;
- Milho e sorgo: de 9,5% para 8,5%;
- Girassol: de 5,5% para 4,5%.
Segundo o ministro da Economia, Luis Caputo, a medida visa estimular investimentos e ampliar a geração de divisas.
União Europeia adia aplicação da Lei Antidesmatamento
Na Europa, o Conselho e o Parlamento Europeu chegaram a um acordo provisório para adiar em um ano a entrada em vigor da Lei Antidesmatamento (EUDR). A votação está prevista para ocorrer entre 15 e 18 de dezembro.
Caso aprovada, grandes empresas terão até 30 de dezembro de 2026 para se adequar às exigências de rastreabilidade, enquanto pequenos produtores e microempresas terão prazo até 30 de junho de 2027.
A EUDR proíbe a comercialização de produtos derivados de soja, café, cacau, óleo de palma, madeira, borracha e carne bovina produzidos em áreas desmatadas após 30 de dezembro de 2020. O objetivo é garantir que o consumo europeu não incentive o desmatamento em países exportadores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro
Published
18 minutos agoon
1 de julho de 2026By
Da Redação
O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.
Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.
Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela
O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.
Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.
Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.
Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural
Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.
Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.
Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.
A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.
Cooperativas ampliam presença no campo
Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.
Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.
Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.
CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado
A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.
O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.
Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.
Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.
Desafio para produtores passa a ser gestão financeira
Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.
Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.
Nova fase do crédito rural já começou
O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.
Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.
A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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