AGRONEGÓCIO
Exportações do Rio Grande do Sul somam US$ 21,5 bilhões em 2025, com China na liderança dos destinos
Publicado em
29 de janeiro de 2026por
Da Redação
Rio Grande do Sul mantém posição de destaque nas exportações brasileiras
O Rio Grande do Sul encerrou 2025 como o sétimo maior exportador do Brasil, com US$ 21,5 bilhões em vendas externas, o que representa 6,2% do total nacional, segundo dados do Boletim de Exportações do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).
O resultado foi impulsionado principalmente pelo bom desempenho do primeiro trimestre, quando as exportações cresceram 12,1% em relação ao mesmo período de 2024.
Soja, fumo e carnes lideram a pauta exportadora gaúcha
A pauta exportadora do estado em 2025 foi dominada pelo complexo soja, responsável por US$ 5 bilhões em embarques. Em seguida vieram fumo e derivados, com US$ 3 bilhões, carnes com US$ 2,7 bilhões, produtos florestais e cereais e farinhas, ambos com US$ 1,2 bilhão, além de veículos rodoviários, que alcançaram US$ 1,1 bilhão.
Apesar desses números, o estado registrou queda de 1,9% nas exportações totais em relação a 2024 — uma perda equivalente a US$ 426 milhões —, enquanto o Brasil, como um todo, teve crescimento de 3,5% nas vendas externas.
Estiagem e queda no complexo soja pesaram no resultado anual
O principal fator de retração foi a redução de 20,3% nas exportações do complexo soja, resultado da estiagem que afetou a produção agrícola e reduziu o volume exportado em US$ 1,3 bilhão. Também contribuíram para o recuo a queda nas exportações de máquinas e equipamentos industriais (-32,2%) e de produtos florestais (-13%).
Por outro lado, alguns setores mostraram forte recuperação. As exportações de carnes cresceram 15,4%, fumo e derivados avançaram 11,1%, e veículos rodoviários tiveram alta expressiva de 26,3%.
No setor pecuário, os embarques de carnes bovina e suína compensaram a leve queda de 1,3% na carne de frango. Já a indústria automotiva foi impulsionada pelas vendas de autopeças e veículos de passeio, que tiveram grande aceitação em mercados da América do Sul.
China mantém liderança entre os principais parceiros comerciais
A China seguiu como o principal destino das exportações gaúchas, com participação de 22,5% no total. Em seguida aparecem a União Europeia (12,9%), Estados Unidos (7,7%) e Argentina (7%). Outros mercados importantes foram Vietnã, Indonésia, Paraguai e Uruguai, que juntos representaram 61,4% das exportações do estado.
A Argentina teve destaque especial, consolidando-se como o quarto maior parceiro comercial do Rio Grande do Sul, com US$ 1,5 bilhão exportados — um salto de 36,4% em relação a 2024. O avanço foi atribuído à retomada das importações argentinas a partir do segundo semestre, com forte demanda por veículos de passageiros, autopeças e máquinas agrícolas.
Crescimento expressivo nas exportações para Singapura e Indonésia
As exportações para Singapura também registraram forte alta, somando US$ 350,5 milhões — um crescimento de 72,6% em relação ao ano anterior. Mais da metade desse valor (52%) veio de óleos combustíveis, impulsionados pela atuação da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) e pela relevância de Singapura como polo energético e logístico.
Outro destaque foi a Indonésia, que ampliou suas compras de produtos gaúchos em 167,1%, com incremento de US$ 377 milhões. O crescimento foi puxado principalmente por farelo de soja, fumo não manufaturado e cereais.
Redução nas vendas para China, Coreia do Sul e Irã
As maiores quedas nas exportações ocorreram em destinos como China, Coreia do Sul e Irã. No caso chinês, o recuo foi associado à menor oferta de soja e celulose, além da redução nos embarques de carnes.
A carne de frango, por exemplo, foi afetada por embargos temporários decorrentes de um foco de influenza aviária registrado em Montenegro (RS). Mesmo assim, o produto manteve participação estável na pauta estadual, com US$ 1,2 bilhão exportado ao longo de 2025.
Estados Unidos reduzem importações após aumento de tarifas
As vendas do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos caíram 10,9% no acumulado de 2025, o que representa uma perda de US$ 200,5 milhões. O recuo se intensificou no segundo semestre, após o aumento de tarifas de importação imposto pelo governo norte-americano.
Entre agosto e dezembro, as maiores reduções ocorreram nas exportações de fumo não manufaturado, armas e munições, madeira, tratores agrícolas e celulose, responsáveis por 63,4% da perda registrada no período.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Ureia despenca mais de 40% e fertilizantes voltam ao nível pré-crise com avanço de acordo entre EUA e Irã
Published
9 horas agoon
17 de junho de 2026By
Da Redação
Os preços internacionais da ureia registraram forte recuo nas últimas semanas e já retornaram aos níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo análise da StoneX, as cotações destinadas ao mercado brasileiro acumulam queda superior a 40% após oito semanas consecutivas de desvalorização, refletindo o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.
O movimento é acompanhado de perto pelo setor de fertilizantes, uma vez que a região concentra uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes nitrogenados. A perspectiva de retomada da navegação vem reduzindo os temores relacionados à oferta global e aos gargalos logísticos que pressionaram os preços nos últimos meses.
Mercado reage à expectativa de normalização logística
De acordo com a StoneX, a possibilidade de restabelecimento do fluxo marítimo no Golfo Pérsico tem provocado uma mudança significativa no comportamento dos mercados de energia e fertilizantes.
As restrições impostas à navegação durante o período de instabilidade elevaram custos e dificultaram o transporte de insumos estratégicos. Agora, com o avanço das negociações entre Washington e Teerã, os agentes de mercado passaram a precificar um cenário de maior disponibilidade de produtos e menor risco logístico.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o acordo preliminar representa um importante fator de pressão baixista para o setor.
“O entendimento entre Estados Unidos e Irã tem impacto direto sobre a logística global e a oferta de fertilizantes. O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre, o que torna qualquer sinalização de normalização extremamente relevante para os mercados”, avalia.
Ureia retorna aos patamares anteriores ao conflito
O efeito mais visível foi observado no mercado da ureia. As cotações CFR Brasil recuaram para níveis inferiores aos registrados antes do início da crise geopolítica, revertendo completamente os ganhos observados durante o período de maior incerteza.
A queda acumulada superior a 40% representa uma das correções mais expressivas dos últimos meses e sinaliza uma redução dos prêmios de risco que vinham sendo incorporados aos preços internacionais.
Além da expectativa de reabertura das rotas marítimas, o mercado também passou a considerar uma possível ampliação da oferta global de fertilizantes caso as negociações avancem para uma flexibilização das sanções impostas ao Irã.
Acordo ainda depende de novas etapas
Apesar da reação positiva dos mercados, o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não está concluído. Informações divulgadas pela Reuters indicam que o entendimento atual prevê a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas questões centrais continuam em negociação.
Entre os temas que permanecem em discussão está o futuro do programa nuclear iraniano, considerado um dos principais pontos de divergência entre os dois países.
Especialistas do setor marítimo alertam que a normalização completa das operações não deve ocorrer imediatamente. Mesmo após a eventual reabertura da rota, a retomada da confiança dos operadores logísticos e o reposicionamento das embarcações podem levar semanas.
Fertilizantes ainda dependem da evolução do cenário geopolítico
A StoneX destaca que o mercado segue monitorando fatores que podem limitar a recuperação plena da logística na região.
Existem preocupações relacionadas à segurança da navegação, incluindo relatos sobre possíveis áreas minadas e incertezas quanto às condições definitivas para a circulação de embarcações. Além disso, navios que permaneceram retidos durante o período de restrições poderão enfrentar atrasos até que o fluxo marítimo seja totalmente restabelecido.
Dessa forma, embora a tendência atual seja de alívio para os preços, a oferta global de fertilizantes continua condicionada à evolução das negociações diplomáticas e à estabilidade da região.
Cenário favorece importadores brasileiros
A queda das cotações ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Tradicionalmente, as compras externas de fertilizantes nitrogenados ganham força ao longo do segundo semestre, período de preparação para importantes culturas da safra de verão.
Com preços mais baixos e perspectiva de melhora na logística internacional, os importadores brasileiros encontram um ambiente mais favorável para negociar volumes e recompor estoques.
Além dos fertilizantes, o anúncio do acordo preliminar também impactou o mercado energético. Os preços do petróleo recuaram para os menores níveis dos últimos três meses, refletindo as expectativas de retomada do fluxo normal de cargas em uma das regiões mais importantes para o comércio global.
Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre fertilizantes mais baratos e redução das incertezas logísticas pode representar um importante fator de alívio nos custos de produção nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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