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China amplia cultivo de milho transgênico, mas enfrenta entraves com testes inconsistentes e ceticismo interno

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No entanto, a expansão esbarra em desafios como o controle estatal rigoroso, a desconfiança da população e os resultados insatisfatórios de testes em campo. Embora a área de plantio de milho GM tenha crescido exponencialmente, o país ainda enfrenta incertezas quanto à eficácia e à aceitação dessa tecnologia.

Expansão acelerada do milho transgênico

A área de cultivo de milho geneticamente modificado na China deverá crescer de forma expressiva em 2025, alcançando entre 40 milhões e 50 milhões de mu (cerca de 3,3 milhões de hectares), segundo estimativas da CITICS Research e fontes da indústria de sementes. O número representa um aumento de quatro a cinco vezes em relação ao plantio realizado no ano anterior.

Esse avanço ocorre após décadas de hesitação, período em que o governo chinês evitava liberar amplamente as biotecnologias agrícolas. No entanto, nos últimos dois anos, houve um aumento significativo na aprovação de variedades geneticamente modificadas, em uma estratégia para fortalecer a segurança alimentar nacional.

Estratégia geopolítica e impacto nas importações

Embora o impulso pelo milho transgênico não esteja diretamente vinculado à guerra comercial com os Estados Unidos, a medida pode afetar o volume de importações chinesas. Em 2024, os EUA foram responsáveis por cerca de 15% do milho importado pela China, e a ampliação da produção local pode reduzir essa dependência, favorecendo a posição da China em disputas tarifárias com Washington.

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Apesar da expansão, o milho GM ainda representa apenas 7% da área total cultivada no país, número distante dos mais de 90% de penetração observados em grandes potências agrícolas como Estados Unidos e Brasil.

Obstáculos regulatórios e excesso de sementes

O avanço do milho geneticamente modificado na China ainda esbarra em controles estatais rigorosos, que dificultam o planejamento e geram acúmulo de sementes nas empresas nacionais, segundo fontes do setor. Para Matthew Nicol, analista do China Policy, o sucesso da adoção comercial depende do desempenho agronômico das sementes e da capacidade do governo de lidar com o ceticismo persistente de consumidores e agricultores.

Resultados decepcionantes nos testes de campo

Apesar do potencial de aumento de produtividade de 6% a 13% apontado por analistas, os testes com as variedades transgênicas apresentaram resultados abaixo do esperado. Em algumas regiões que participaram dos ensaios entre 2022 e 2023, os rendimentos foram até 20% menores do que os observados com cultivares tradicionais.

As falhas foram atribuídas à inadequação das sementes às condições locais e à falta de retrocruzamento genético, técnica fundamental para estabilizar as características desejadas. Os resultados desses testes não foram divulgados publicamente, o que gera ainda mais desconfiança sobre o real desempenho das novas sementes.

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Demanda reprimida e uso de sementes ilegais

Mesmo diante das incertezas, alguns produtores têm recorrido a sementes transgênicas ilegais ou híbridas convencionais na busca por melhores rendimentos. Essa prática revela uma demanda latente por cultivares com características agronômicas superiores, como destacou Nicol.

Em resposta, o Ministério da Agricultura da China emitiu um alerta às províncias solicitando ações de repressão à produção e venda ilegal de sementes geneticamente modificadas.

Desafios da adoção em larga escala

Com a transição dos ensaios piloto para o cultivo em larga escala, a produtividade pode cair inicialmente, segundo Even Rogers Pay, analista da Trivium China. Isso porque os agricultores não conseguem dedicar o mesmo nível de cuidado a cada planta, o que exige tempo de adaptação às novas variedades.

Apesar disso, a expectativa é de continuidade na expansão. “Se os resultados forem positivos, é razoável esperar que o cultivo siga crescendo. O gênio proverbial já saiu da lâmpada”, afirmou Pay.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produção de grãos deve crescer 11,9% na safra 2024/25 e atingir novo recorde no Brasil

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Safra brasileira de grãos caminha para novo recorde histórico

A produção brasileira de grãos na safra 2024/25 deve alcançar um novo recorde, com crescimento estimado em 11,9% em relação ao ciclo anterior. De acordo com dados da Conab, o volume total deve atingir patamar histórico, impulsionado principalmente pela recuperação da produtividade e pela expansão da área cultivada.

O resultado reflete condições climáticas mais favoráveis em comparação à safra passada, além de investimentos em tecnologia e manejo por parte dos produtores.

Expansão da área plantada contribui para aumento da produção

A área total destinada ao cultivo de grãos também apresenta crescimento, reforçando o potencial produtivo do país.

Esse avanço é puxado principalmente por culturas estratégicas, como:

  • Soja
  • Milho
  • Algodão

A ampliação da área, aliada a ganhos de produtividade, sustenta a expectativa de uma safra robusta e com forte impacto no abastecimento interno e nas exportações.

Soja lidera produção nacional e mantém protagonismo

A soja segue como principal cultura do país, com participação significativa no volume total produzido.

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A expectativa é de recuperação na produtividade, após desafios climáticos enfrentados no ciclo anterior. Esse desempenho reforça o papel do Brasil como um dos maiores produtores e exportadores globais da commodity.

Milho apresenta recuperação e reforça oferta interna

A produção de milho também deve crescer na safra 2024/25, impulsionada pelo bom desenvolvimento da segunda safra (safrinha).

A combinação de clima mais favorável e maior área plantada contribui para elevar a oferta do cereal, que é fundamental tanto para o mercado interno quanto para exportação.

Algodão e outras culturas também registram avanço

Além de soja e milho, outras culturas importantes, como o algodão, também apresentam perspectiva de crescimento.

O avanço dessas cadeias produtivas amplia a diversificação da produção agrícola brasileira e fortalece a posição do país no comércio internacional.

Condições climáticas favorecem desenvolvimento das lavouras

O clima tem sido um fator decisivo para o bom desempenho da safra atual. Em comparação ao ciclo anterior, marcado por irregularidades climáticas, a safra 2024/25 apresenta maior regularidade nas chuvas e melhores condições para o desenvolvimento das culturas.

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Esse cenário contribui diretamente para o aumento da produtividade média das lavouras.

Impactos positivos para o mercado interno e exportações

O crescimento da produção deve gerar efeitos relevantes em toda a cadeia do agronegócio:

  • Maior disponibilidade de produtos no mercado interno
  • Potencial de redução de preços em alguns segmentos
  • Aumento das exportações
  • Fortalecimento da balança comercial

Com maior oferta, o Brasil tende a consolidar ainda mais sua posição como um dos principais fornecedores globais de alimentos.

Perspectivas: safra robusta reforça protagonismo do agronegócio

A expectativa de uma produção recorde reforça o papel estratégico do agronegócio na economia brasileira.

Com ganhos de produtividade, expansão de área e clima favorável, o setor segue como um dos principais motores de crescimento do país, com impactos positivos sobre renda, emprego e comércio exterior.

A consolidação desses resultados ao longo da safra dependerá da manutenção das condições climáticas e do cenário de mercado nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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