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Dólar sobe com mercado atento a novas tarifas dos EUA sobre Brasil, Canadá e União Europeia

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Dólar inicia sexta-feira em alta

Na manhã desta sexta-feira (11), o dólar avançava 0,41%, cotado a R$ 5,5653 às 9h01. O movimento reflete a apreensão do mercado diante das tarifas de 50% que os Estados Unidos pretendem impor sobre produtos brasileiros. O Ibovespa, que abre às 10h, ainda não havia iniciado as negociações.

Na véspera, a moeda americana já havia subido 0,72%, encerrando o pregão a R$ 5,5426. No mesmo dia, a Bolsa brasileira caiu 0,54%, fechando aos 136.743 pontos. Empresas exportadoras, como a Embraer, foram as mais afetadas.

Mercado reage às novas tarifas dos EUA

O mercado ainda assimila os possíveis impactos das medidas anunciadas pelo presidente Donald Trump, que incluem:

  • Tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
  • Tarifa de 35% sobre o Canadá, anunciada na noite de quinta-feira (10).
  • Notificação à União Europeia, prevista para esta sexta-feira.

Trump também tem enviado cartas a líderes de 23 países estabelecendo novas regras comerciais. O Brasil foi o mais penalizado até agora, com a tarifa mais alta.

Impacto nos indicadores econômicos

Veja o desempenho do dólar e do Ibovespa:

  • Dólar:
    • Semana: +2,18%
    • Mês: +2,01%
    • Ano: -10,31%
  • Ibovespa:
    • Semana: -3,20%
    • Mês: -1,52%
    • Ano: +13,68%
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Setores brasileiros sob risco

A tarifa de 50% anunciada pelos EUA pode atingir em cheio os setores de:

  • Petróleo
  • Aço
  • Café
  • Carne bovina
  • Suco de laranja
  • Aeronaves

A XP Investimentos aponta a Embraer como uma das empresas mais expostas, com 23,8% de sua receita vinda do mercado norte-americano. Outras companhias com forte dependência das exportações para os EUA incluem:

  • Suzano (16,6%)
  • Tupy (13,9%)
  • Jalles Machado (11%)
  • Frasle Mobility (10,8%)
Risco de inflação e juros altos

A alta do dólar pode pressionar a inflação brasileira, segundo especialistas. O economista Robson Gonçalves, da FGV, alerta que, caso o câmbio se mantenha elevado, o Banco Central poderá manter a taxa básica de juros em 15%, o que aumenta o risco de recessão.

Resposta do governo brasileiro

O presidente Lula reagiu às medidas, afirmando que o Brasil não aceitará ser tutelado e que pode acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada durante o primeiro mandato de Trump. A legislação permite ao Brasil retaliar países que impuserem tarifas extras às exportações nacionais.

A carta enviada por Trump a Lula tem tom político, com críticas ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF, classificado pelo ex-presidente americano como “vergonha internacional”. Trump também alertou que, caso o Brasil reaja com novas tarifas, os EUA retaliarão com aumentos ainda maiores.

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Efeitos globais das tarifas de Trump

As cartas enviadas por Trump seguem um padrão: reafirmam o compromisso dos EUA com o comércio, mas destacam o déficit comercial com seus parceiros. A justificativa para a tarifa contra o Canadá, por exemplo, foi a alegada ineficácia no combate ao tráfico de fentanil.

Especialistas avaliam que essas medidas podem aumentar os custos de produção nos EUA e, consequentemente, os preços ao consumidor. Caso a inflação norte-americana suba, o Federal Reserve pode manter os juros altos por mais tempo, o que fortalece o dólar e afeta economias ao redor do mundo.

Perspectivas

O cenário internacional permanece instável, com o mercado aguardando os próximos passos de Trump e a resposta do governo brasileiro. Enquanto isso, o câmbio segue pressionado, e os investidores mantêm cautela diante de possíveis desdobramentos comerciais e geopolíticos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fracassa acordo no STF e disputa sobre Moratória da Soja volta a julgamento

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O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a tentativa de construir um acordo entre produtores rurais, indústria, ambientalistas e Ministério Público sobre a Moratória da Soja. Sem consenso entre as partes, o Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) devolveu os quatro processos relacionados ao tema aos ministros relatores, abrindo caminho para a retomada do julgamento das ações, ainda sem data definida.

Em despacho assinado nesta sexta-feira (12.06), o juiz auxiliar da Presidência do STF e supervisor do Nusol, Álvaro Ricardo de Souza Cruz, afirmou que as reuniões realizadas entre abril e maio chegaram a criar um ambiente favorável à conciliação, mas houve recuo dos envolvidos, inviabilizando uma solução negociada.

“Durante as tratativas, instaurou-se amplo diálogo entre os envolvidos, tendo-se verificado, em determinado momento, ambiente propício à construção de solução consensual. Contudo, sobreveio recuo das partes, o que impossibilitou a composição”, registra o documento.

Segundo o STF, a tentativa de mediação não buscava discutir a constitucionalidade das leis estaduais questionadas, mas os efeitos práticos decorrentes de uma eventual decisão da Corte. A preocupação é evitar a multiplicação de disputas judiciais em diferentes instâncias após o julgamento das ações.

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As tratativas envolveram representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Ministério Público Federal e dos governos de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, além de partidos políticos autores das ações.

Com o fim da mediação, o Nusol reenviou as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7774, relatada pelo ministro Flávio Dino; 7775, sob relatoria de Dias Toffoli; e 7863 e 7959, ambas sob responsabilidade do ministro Luiz Fux.

As ADIs 7774 e 7775 questionam leis aprovadas em Mato Grosso e Rondônia que retiraram benefícios fiscais de empresas participantes de acordos privados, como a Moratória da Soja.

Criada em 2006, a Moratória da Soja estabelece que empresas signatárias não adquiram grãos produzidos em áreas do bioma Amazônia desmatadas após 2008, ainda que a abertura das áreas tenha ocorrido dentro dos limites previstos pela legislação ambiental.

A disputa ganhou novo capítulo após a entrada em vigor, no início de 2026, da lei de Mato Grosso que impôs restrições às tradings participantes do acordo. A medida contribuiu para o esvaziamento da Moratória, com a saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e das empresas associadas.

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No fim do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de todas as ações judiciais e administrativas relacionadas à Moratória da Soja, incluindo processos que pedem indenizações. Em uma dessas ações, produtores rurais de Mato Grosso reivindicam ressarcimento superior a R$ 1 bilhão. O setor também acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando as tradings de formação de cartel.

A tentativa de mediação havia sido anunciada em março, durante o julgamento das ações pelo plenário do STF. Com o fracasso das negociações, caberá agora aos ministros dar prosseguimento à análise do caso.

Fonte: Pensar Agro

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