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Exportações da China desaceleram em março e refletem impactos da guerra no Oriente Médio

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As exportações da China registraram forte desaceleração em março de 2026, refletindo os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a economia global. O aumento dos custos de energia e transporte afetou diretamente a demanda internacional, colocando em evidência os riscos da estratégia chinesa de depender da manufatura para sustentar o crescimento.

Crescimento das exportações perde força após início promissor

A segunda maior economia do mundo iniciou o ano com expectativas positivas, impulsionada pela demanda por produtos eletrônicos, especialmente ligados à inteligência artificial. Esse movimento elevou as projeções de que o país poderia superar o superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão registrado anteriormente.

No entanto, o cenário mudou com a intensificação do conflito no Oriente Médio, que desacelerou o ritmo da economia global e afetou diretamente o comércio internacional.

Em março, as exportações chinesas cresceram apenas 2,5%, segundo dados da alfândega divulgados nesta terça-feira. O resultado representa o nível mais baixo dos últimos cinco meses e ficou bem abaixo do avanço de 21,8% registrado no período de janeiro a fevereiro.

O desempenho também ficou aquém das expectativas do mercado, que projetavam crescimento de 8,3%.

Guerra no Oriente Médio aumenta incerteza global

A desaceleração das exportações reflete o aumento da incerteza global provocado pelo conflito envolvendo o Irã. O cenário impacta diretamente os principais parceiros comerciais da China, reduzindo a demanda por produtos manufaturados.

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De acordo com analistas de mercado, o crescimento das exportações desacelerou de forma generalizada para os principais destinos, evidenciando o efeito do ambiente externo mais adverso.

Superávit comercial cai e frustra expectativas

Os reflexos da desaceleração já aparecem na balança comercial chinesa. Em março, o superávit foi de US$ 51,13 bilhões, bem abaixo das expectativas do mercado, que giravam em torno de US$ 108 bilhões.

O resultado reforça a percepção de que o comércio exterior do país enfrenta um momento de maior pressão, em meio à combinação de fatores geopolíticos e econômicos.

Importações avançam e pressionam balança comercial

Outro fator relevante foi o forte crescimento das importações, que avançaram 27,8% em março — o maior ritmo desde novembro de 2021.

O aumento superou tanto o desempenho de janeiro e fevereiro, quando houve alta de 19,8%, quanto as previsões do mercado, que apontavam para crescimento de 11,2%.

Esse movimento contribuiu para reduzir o saldo da balança comercial e indica maior necessidade de insumos e energia, mesmo em um cenário de desaceleração das exportações.

Dependência externa amplia vulnerabilidade da economia chinesa

A China segue altamente dependente da demanda externa para sustentar sua atividade econômica, especialmente diante das dificuldades persistentes em reativar o consumo interno.

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Além disso, a posição do país como maior fabricante global e grande importador de energia aumenta sua exposição a choques externos, como o atual aumento dos preços de petróleo e logística.

Embora o país conte com reservas estratégicas e fontes diversificadas de energia, a incerteza sobre a duração do conflito pode afetar setores-chave, como o de tecnologia, reduzindo a demanda por chips e servidores.

Custos elevados reduzem competitividade internacional

Mesmo com sua tradicional competitividade na manufatura, a China enfrenta dificuldades para repassar integralmente os custos mais altos de energia e transporte aos compradores internacionais.

Esse cenário pressiona o poder de compra dos parceiros comerciais e reduz a competitividade dos produtos chineses, especialmente em um ambiente global mais sensível a preços.

Perspectivas indicam menor superávit ao longo de 2026

Diante desse contexto, analistas avaliam que o superávit comercial da China tende a diminuir ao longo de 2026.

A combinação de custos elevados, demanda global enfraquecida e incertezas geopolíticas deve continuar limitando o desempenho das exportações e aumentando os desafios para a economia chinesa nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare

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Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.

O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.

A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.

A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.

Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.

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A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.

Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.

Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.

Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.

Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.

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O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.

Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.

Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.

Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.

Fonte: Pensar Agro

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