AGRONEGÓCIO
Exportações brasileiras de grãos avançam em 2026 e devem superar 23 milhões de toneladas em fevereiro, aponta ANEC
Publicado em
19 de fevereiro de 2026por
Da Redação
Crescimento nas exportações de grãos impulsiona o agronegócio brasileiro
As exportações brasileiras de grãos iniciaram 2026 com ritmo acelerado, segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais. O levantamento referente à semana 6 de 2026 indica que o país deve embarcar entre 22,1 e 23,1 milhões de toneladas de produtos agrícolas até o fim de fevereiro, com destaque para a soja e o milho.
De acordo com informações da Cargonave, o volume acumulado até o momento é impulsionado pela forte demanda internacional e pela boa disponibilidade de grãos nos portos brasileiros, especialmente Porto de Santos, Porto de Paranaguá e Porto de São Luís (Itaqui).
Soja lidera os embarques brasileiros
A soja continua sendo o principal produto de exportação do Brasil. Para fevereiro, a ANEC estima que o país embarque entre 11,0 e 11,9 milhões de toneladas, mantendo o ritmo recorde observado em janeiro, quando foram exportadas 2,4 milhões de toneladas.
Os principais destinos da soja brasileira seguem sendo China (66%), Espanha (7%), Tailândia, Turquia e Irã, que juntos respondem por mais de 80% das vendas externas do grão.
O aumento do fluxo de soja pelos portos brasileiros reflete a boa safra esperada para 2026 e o avanço logístico, com destaque para os embarques via Porto de Barcarena e Porto de Santarém, que vêm ganhando participação nas exportações.
Milho e farelo de soja também ganham destaque
O milho é o segundo produto mais exportado, com previsão de 1,8 milhão de toneladas embarcadas em fevereiro. O desempenho positivo é sustentado pela forte demanda de países como Irã, Vietnã, Argélia e Egito, que juntos concentram mais de 70% das compras do cereal brasileiro.
Já o farelo de soja, um dos principais derivados exportados pelo Brasil, deve alcançar 300 mil toneladas em fevereiro, com destaque para embarques destinados à Indonésia (27%), Tailândia, Polônia e França.
Trigo e DDGS registram recuperação nas vendas
As exportações de trigo totalizaram 144,7 mil toneladas até a segunda semana de fevereiro, volume superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Os principais compradores foram Bangladesh (40%), Vietnã (26%) e Quênia (22%).
Além disso, o Brasil voltou a embarcar DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis), totalizando 32 mil toneladas, indicando diversificação da pauta exportadora.
Portos do Arco Norte ampliam participação nas exportações
Os portos do Arco Norte — que incluem Itaqui (MA), Barcarena (PA) e Santarém (PA) — têm ampliado sua participação nas exportações agrícolas. Na semana analisada, essas rotas responderam por mais de 25% dos embarques de soja e milho, reforçando a importância da logística integrada entre as regiões produtoras do Centro-Oeste e os terminais do Norte.
O Porto de Santos continua como principal via de escoamento do agronegócio brasileiro, com mais de 1 milhão de toneladas embarcadas apenas na sexta semana do ano.
Panorama anual indica forte ritmo de exportações
A ANEC projeta que as exportações de grãos do Brasil ultrapassem 23 milhões de toneladas no acumulado de fevereiro, somando soja, milho, farelo, trigo e outros derivados. Caso o ritmo se mantenha, 2026 poderá consolidar-se como um dos anos de maior volume exportado da história do setor.
O desempenho é favorecido pela boa colheita, pela competitividade cambial e pela crescente demanda internacional por produtos agrícolas brasileiros.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
Published
6 horas agoon
7 de setembro de 2026By
Da Redação
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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