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Etanol de Trigo Ganha Espaço e Impulsiona Nova Demanda no Rio Grande do Sul

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O trigo, tradicionalmente marcado por dificuldades de comercialização, começa a ganhar um novo papel na economia do Rio Grande do Sul. O estado, que é o maior produtor nacional do cereal, agora vê na produção de etanol uma alternativa para agregar valor ao cultivo, ampliar o uso industrial e fortalecer o mercado de energia renovável.

Dois grandes empreendimentos estão no centro dessa transformação: a CB Bioenergia, que iniciou suas operações neste mês em Santiago (RS), e a Be8, que constrói uma usina de R$ 1 bilhão em Passo Fundo, com previsão de início das atividades em dezembro.

Primeira usina de etanol de trigo do Brasil começa a operar

A CB Bioenergia recebeu recentemente autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e se tornou a primeira usina de etanol de trigo do país. O investimento de R$ 100 milhões permitirá o processamento de 100 toneladas de trigo por dia, gerando cerca de 40 mil litros de etanol.

Segundo a diretora da empresa, Maria Eduarda Bonotto, neta e filha de produtores de trigo, a ideia surgiu das dificuldades em comercializar o cereal durante o inverno. “Chegava o final da safra e vendíamos o trigo por um preço muito baixo, com grandes descontos por qualidade. É diferente de commodities como a soja”, relata.

A família Bonotto cultiva 36 mil hectares de trigo, que inicialmente abastecerão a usina. No futuro, a empresa também pretende comprar grãos de produtores da região. O diferencial está no critério de avaliação: o trigo será analisado pelo teor de amido, o que permite o uso de grãos com qualidade inferior, ampliando as oportunidades de venda.

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Cada tonelada de trigo pode gerar 400 litros de etanol e 300 quilos de DDGS (grãos secos solúveis de destilaria), usados na nutrição animal. Além do trigo, a planta poderá utilizar outras culturas ricas em amido, como cevada, centeio, sorgo, triticale, milho e arroz.

Foco em álcool neutro e não em combustíveis tradicionais

Diferente das usinas de milho e cana-de-açúcar, a CB Bioenergia pretende produzir álcool neutro, usado em cosméticos, bebidas e produtos sanitários, como álcool em gel. “Não queremos competir com o etanol de bomba. Nosso foco é outro mercado”, explica Bonotto.

Essa estratégia reduz a competição direta com outros biocombustíveis e reforça a aposta da empresa em segmentos industriais de maior valor agregado.

Be8 investe R$ 1 bilhão em nova usina de etanol de trigo

Outro destaque é o projeto da Be8, uma das maiores produtoras de biocombustíveis do país. A companhia investe R$ 1 bilhão na construção de uma usina de etanol de trigo flex, em Passo Fundo (RS). Com 40% das obras concluídas, a planta deve entrar em operação até dezembro de 2026.

A unidade terá capacidade de processar 1,5 mil toneladas de trigo por dia, totalizando 525 mil toneladas por ano, e produzir 220 milhões de litros de etanol, o equivalente a 23% da demanda do Rio Grande do Sul.

Segundo o vice-presidente de operações da empresa, Leandro Zat, o projeto surgiu da necessidade de reduzir a dependência externa do estado em relação ao etanol hidratado e anidro. Além disso, a Be8 quer criar um modelo de integração entre energia e alimentos, produzindo glúten vital, um melhorador natural usado em panificação e confeitaria.

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Atualmente, o Brasil importa 100% do glúten vital que consome, cerca de 24 mil toneladas por ano. A nova usina pretende produzir 26,9 mil toneladas anuais, atendendo à demanda nacional e abrindo espaço para exportação.

Novas perspectivas para o mercado de trigo gaúcho

Especialistas apontam que os projetos de etanol de trigo devem criar liquidez para as culturas de inverno e oferecer maior estabilidade ao produtor.

“O etanol de trigo será uma fonte importante de demanda para o cereal gaúcho e dará mais segurança aos agricultores, com preços mais atrativos e previsibilidade”, avalia Luiz Carlos Pacheco, da TF Consultoria Agroeconômica.

Para ele, a nova indústria tende a impactar o preço do trigo, embora a concorrência principal seja com as exportações e o uso do grão para ração, que não exige alta qualidade.

O analista Élcio Bento, da Safras & Mercado, reforça que o estado produz cerca de 3,5 milhões de toneladas de trigo, das quais 1,6 milhão são exportadas. “O preço do trigo para etanol deve seguir a paridade de exportação. Não significa uma recuperação imediata dos preços, mas a nova demanda pode incentivar o aumento do plantio”, destaca.

Energia limpa e desenvolvimento regional

Com a chegada das usinas de etanol de trigo, o Rio Grande do Sul se consolida como pioneiro na produção de biocombustíveis a partir de cereais de inverno, combinando sustentabilidade, inovação e valorização agrícola.

Além de fortalecer o agronegócio local, os empreendimentos devem gerar emprego, diversificar a matriz energética e estimular o desenvolvimento regional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mutirão de regularização fundiária no Doutor Fábio Leite II é retomado nesta segunda-feira

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A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária, retoma, nesta segunda-feira (4), até quarta-feira (6), o mutirão de cadastramento voltado aos moradores do bairro Doutor Fábio Leite II que desejam regularizar seus imóveis. O atendimento ocorre das 9h às 16h, na Rua dos Trabalhadores, quadra 77, casa 18.

A ação teve início na quarta-feira (29) e também foi realizada na quinta-feira (30), dando continuidade ao processo de regularização fundiária. O objetivo é garantir o acesso ao título definitivo de propriedade, assegurando mais segurança jurídica às famílias e contribuindo para a valorização dos imóveis.

De acordo com a coordenadora de Habitação, Graziele Rondon, a entrega e a atualização dos documentos são etapas fundamentais para o andamento do processo. “Estamos orientando os moradores sobre a atualização dos documentos. Quem já tem processo em andamento poderá complementar a documentação e, para quem ainda não iniciou, será aberto um novo processo pela equipe técnica de regularização. Em outro momento, a equipe social realizará visita domiciliar para comprovação dos documentos apresentados e também para verificar o uso do lote”, explicou.

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Entre os moradores que compareceram nos primeiros dias de atendimento está André Luiz, que vive há mais de 15 anos no bairro. Segundo André, a regularização representa mais segurança para a família. “Para nós, moradores, regularizar o terreno é uma garantia a mais. Moro aqui há mais de 15 anos e vi toda a evolução do bairro. Já temos asfalto, melhorias, mas precisamos do documento. Morar em um lugar sem documentação é não ter garantia de nada. Vim dar entrada no processo para ter essa segurança”, afirmou.

A moradora Karina Cristine, que reside há 26 anos no bairro Doutor Fábio Leite II, também participou do mutirão. “Já tenho mais de 26 anos morando aqui e, há dois anos, dei entrada no processo. Acredito que agora será a oportunidade de concluir. É um sonho ter o documento da casa, não só para mim, mas para muitas pessoas que moram aqui há tantos anos”, relatou.

Durante o mutirão, os moradores recebem orientações sobre a documentação necessária, podem entregar pendências e contam com o apoio da equipe social para dar andamento às etapas do processo de regularização fundiária.

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Confira abaixo os documentos necessários para dar início ao processo de regularização:

Para solteiros: certidão de nascimento, RG e CPF;
Para casados: certidão de casamento, RG e CPF de ambos;
Para divorciados: certidão de casamento com averbação do divórcio, RG e CPF apenas de quem está requerendo e partilha de bens ou formal de partilha (se houver);
Para viúvos: certidão de casamento e certidão de óbito do cônjuge falecido, RG e CPF de quem está requerendo e partilha de bens ou formal de partilha (se houver);
União estável: escritura pública de cartório ou homologação dessa condição feita em juízo, certidão de nascimento, RG e CPF de ambos.

Trazer também:

Contrato de compra e venda da casa ou outro documento do imóvel (é necessário constar quadra e lote, por exemplo: título de posse antigo, IPTU etc.);
Comprovante de endereço da casa a ser regularizada (água, luz, telefone etc.);
Comprovante de renda de todos os moradores da casa dos últimos três meses.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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