AGRONEGÓCIO
Estudo comprova que mais biodiesel não interfere nos negócios da Petrobras
Publicado em
15 de dezembro de 2023por
Da RedaçãoA poucos dias da próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), a Frente Parlamentar Mista do Biodiesel do Congresso Nacional (FPBio) divulga um estudo inédito e comprova que aumentar o teor de biodiesel no óleo diesel não interfere nos planos de investimentos e de negócios da Petrobras. O biodiesel nacional, diz a FPBio, substitui a parcela de diesel importado e, assim, permite reduzir gastos de bilhões de dólares, que representam uma sangria nas divisas do país.
O estudo, na visão do presidente da FPBio, deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), deverá sensibilizar favoravelmente os integrantes do CNPE – ministros de Estado – pela expansão do biodiesel, já que o setor petroleiro apresentava resistências a essa pauta, alegando justamente riscos à Petrobras. “O trabalho técnico da FPBio derruba essa argumentação. O aumento do biodiesel não interfere no fluxo de receitas da Petrobras”, afirma o deputado. “O biodiesel não é um concorrente, mas um aliado e complemento aos esforços nacionais para reduzir a dependência energética externa e promover a descarbonização”, completa.
Lula poderá participar do CNPE
A reunião está agendada para 18 de dezembro e deverá avaliar a antecipação do aumento do teor de biodiesel dos atuais 12% para 15%. A expectativa da frente parlamentar é que o encontro seja conduzido pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, presidente do Conselho. “Logo após a COP28, anunciar a expansão acelerada da produção e do uso de um biocombustível eficaz para mitigar emissões é um ganho político importante para o Brasil perante o mundo”, avalia Alceu Moreira.
Segundo a FPBio, mesmo que o CNPE autorize a antecipação dos 15%, de 2026 para 2024, o Brasil seguirá tendo que importar diesel por muitos anos. Isso porque as refinarias nacionais não conseguem atender à demanda – ou seja, há ambiente de tranquilidade para a petrolífera expandir seus investimentos em refinarias no país.
Hoje, o diesel importado responde por 25% da demanda. Adiantar o cronograma de aumento do biodiesel na mistura é a forma mais rápida e com menores investimentos para reduzir as importações de diesel, ressalta o estudo – elaborado com base em dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pela própria Petrobras.
- Clique em https://is.gd/mais_biodiesel_para_Brasil para acessar o estudo completo.
A FPBio sustenta que o custo de fornecimento de diesel por parte dos importadores é maior do que o custo de fornecimento das refinarias, portanto, o aumento da mistura do biodiesel desde 2024 até 2030 vai deslocar o fornecedor menos eficiente, que são os importadores, projeta a frente.
Fatores favoráveis à expansão do biodiesel
Além do estudo da FPBio, outros fatores podem influenciar os rumos da reunião do CNPE. O ministro Alexandre Silveira declarou na COP28 – Conferência do Clima das Nações Unidas, realizada em Dubai, que o CNPE poderá vir a autorizar teores até 25%. O presidente Lula e o vice, Geraldo Alckmin, além de outros ministros, já se manifestaram publicamente favoráveis ao aumento do teor de forma mais acelerada e montadoras, como a Scania, já vendem caminhões para rodarem com 100% de biodiesel no país.
Outro ponto positivo é que a produção de biodiesel está intrinsicamente ligada ao desenvolvimento socioeconômico e ambiental e pode estimular políticas públicas específicas para esta finalidade. “Produzir mais biodiesel é estimular a neoindustrialização, a geração de empregos, a renda no campo, o aumento do valor agregado das exportações (cadeias da proteína animal e soja) e a utilização, em sua produção, de subprodutos que possam gerar impacto ambiental, como gorduras animais e óleos residuais. Isso tudo acompanhado da redução substancial das emissões de poluentes, sem mencionar que o Brasil pode se tornar um expoente na exportação de biodiesel”, ressalta Alceu Moreira.
No caso das exportações, a FPBio destaca que a produção de biodiesel gera ganhos ao país. Ao se produzir biodiesel, gera-se um subproduto, que é o farelo de soja, usado na ração animal. Ou seja, agrega-se valor ao grão de soja e se torna mais rentável, portanto, exportar farelo do que o grão; e exportar carne do que farelo.
Fonte: Assessoria de Comunicação Frente Parlamentar Mista do Biodiesel – FPBio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente
Published
14 horas agoon
18 de agosto de 2026By
Da Redação
Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.
Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.
O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.
O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.
Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.
Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.
A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.
Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.
Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.
Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.
A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.
Fonte: Pensar Agro
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