AGRONEGÓCIO
Estiagem Reduz Pela Metade a Produção de Pimenta-do-Reino e Afeta Colheita de Café no Espírito Santo
Publicado em
28 de agosto de 2024por
Da Redação
A seca que atingiu o Espírito Santo causou severos prejuízos aos agricultores, comprometendo a produção de culturas essenciais para a economia local. Na Região do Caparaó, famosa pela produção de café arábica de alta qualidade, a safra pode sofrer uma queda de até 40% devido à estiagem prolongada. Já no norte do estado, a produção de pimenta-do-reino foi reduzida à metade.
Os cafeicultores da Região do Caparaó, enfrentando possivelmente um dos piores períodos de seca dos últimos anos, expressaram grande preocupação com o impacto nas plantações. A situação atual não só ameaça a quantidade, mas também a qualidade dos grãos, com consequências significativas para o mercado.
Impactos no Café e na Pimenta-do-Reino
Alexandre Lacerda, agricultor de quarta geração em Dores do Rio Preto, no distrito de Pedra Menina, compartilha a gravidade da situação: “Nos últimos três meses, choveu apenas 90 milímetros, bem abaixo dos 200 a 250 milímetros esperados. As plantas estão estressadas, e os grãos não completam o ciclo de maturação, passando de verde para seco rapidamente. Estamos enfrentando uma perda significativa na qualidade e quantidade do café, comprometendo a safra de 2024”, relata. Segundo Alexandre, a situação é inédita desde que começou a monitorar os índices de chuva em 2014.
A Associação de Produtores Rurais de Pedra Menina (APRUPEM) alerta que, devido à seca prolongada, a produção de café especial, que geralmente representa até 80% da safra, pode cair para 40% ou menos. Com a qualidade dos grãos comprometida, o valor de mercado do café brasileiro e sua competitividade internacional também estão em risco.
Jueselito do Amaral, presidente da APRUPEM, ressalta que “a escassez de chuvas afetou todos os produtores, desde aqueles em áreas mais altas até os que estão em zonas mais baixas. A falta de polpa nos grãos está prejudicando a todos, e a expectativa é de uma queda significativa na produção, com reflexos diretos no bolso dos agricultores.”
A extensionista Priscila Nascimento, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), destaca a importância de técnicas como irrigação e sombreamento para melhorar o microclima das lavouras. “A falta de água está resultando em grãos menores e menos rendimentos, além de aumentar a incidência de doenças como a ferrugem. A irrigação e o manejo nutricional adequado são essenciais para minimizar os impactos e garantir a produção de café especial.”
Desafios na Produção de Pimenta-do-Reino
A produção de pimenta-do-reino no norte do Espírito Santo também foi severamente impactada pela estiagem. A safra atual foi reduzida em 50%, com muitos frutos abortando devido às altas temperaturas. Erasmo Negris, produtor rural, relata que a colheita será mínima: “A floração da pimenta é extremamente sensível às condições climáticas, e as temperaturas superiores a 30°C fizeram com que muitas flores abortassem.”
Renilton Correia, presidente do Sindicato Rural de São Mateus, acrescenta que a seca afetou drasticamente os custos de produção. “O custo de colheita fica alto para o produtor, porque é por produção, e isso também afeta a economia local, já que o trabalhador tem menos renda para suas compras.”
Para mitigar esses efeitos, produtores como Erasmo estão testando a plantação em tutores vivos, uma técnica que tem mostrado resultados promissores. “Onde essa estratégia já foi aplicada, os cachos de pimenta estão mais cheios. A tendência é que, no futuro, mais produtores adotem essa prática”, conclui Renilton.
A combinação de técnicas inovadoras e manejo cuidadoso será crucial para que os agricultores capixabas superem os desafios impostos pela seca e garantam a sustentabilidade de suas produções.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Agronegócio movimentou R$ 45,6 bilhões no primeiro semestre
Published
18 horas agoon
4 de agosto de 2026By
Da Redação
O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões com as vendas ao exterior no primeiro semestre de 2026. Com 8,46 milhões de toneladas enviadas a 166 países, o estado manteve a terceira posição entre os maiores exportadores do agro brasileiro, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo.
Os dados foram divulgados no Informativo Conjuntural de julho, publicado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), com base nos registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os valores foram convertidos pela cotação de R$ 5,09.
Minas Gerais respondeu por 10,3% das exportações brasileiras do agronegócio entre janeiro e junho. O setor também gerou 40,9% de toda a receita obtida pelo estado com as vendas internacionais, demonstrando a importância das atividades rurais para a economia mineira.
A China permaneceu como o principal destino dos produtos agropecuários do estado. Na sequência aparecem Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. A presença em mercados com diferentes perfis de consumo reduz a dependência de um único comprador e amplia as possibilidades de comercialização para produtores, cooperativas e agroindústrias.
O café continuou como o principal produto da pauta. As vendas somaram R$ 22,9 bilhões e representaram 50,1% de toda a receita do agronegócio mineiro no exterior. Foram embarcadas aproximadamente 10,8 milhões de sacas de 60 quilos no semestre.
O preço médio do café exportado aumentou 4,2% na comparação com o primeiro semestre de 2025. Convertida para a moeda brasileira, a média passou de aproximadamente R$ 2.034 para R$ 2.119 por saca. Essa referência corresponde ao valor do produto embarcado e não ao preço pago diretamente ao cafeicultor.
A valorização ajudou a sustentar a receita em um período de menor disponibilidade do grão. O volume exportado diminuiu 21,6%, depois dos elevados embarques realizados nos ciclos anteriores e dos efeitos do clima sobre a produção e os estoques.
A perspectiva para os próximos meses é favorecida pela entrada da safra de 2026. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil possa colher 66,2 milhões de sacas, crescimento de 17,1% sobre o ciclo anterior.
Minas Gerais, maior produtor nacional de café, deverá ter participação decisiva nesse avanço. A bienalidade positiva do arábica, a ampliação da área em produção e a recuperação esperada da produtividade podem aumentar a disponibilidade do grão para o mercado interno e para as vendas internacionais.
A soja foi o segundo principal grupo da pauta e apresentou crescimento. As exportações de grão, farelo e óleo movimentaram R$ 10,9 bilhões, alta de 10,2%. O volume chegou a 5,01 milhões de toneladas, avanço de 2,5%.
O resultado do complexo soja mostra que Minas Gerais também amplia sua participação na comercialização de produtos processados. A produção de farelo e óleo agrega valor ao grão, movimenta as indústrias de esmagamento e atende às cadeias de ração animal e biodiesel.
As carnes também avançaram. Os embarques renderam R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% em relação ao primeiro semestre do ano passado. O estado vendeu 247,3 mil toneladas, volume 3,7% maior.
O aumento mais expressivo da receita em relação à quantidade indica melhora no valor médio das carnes exportadas. O movimento favorece frigoríficos, cooperativas e pecuaristas integrados às cadeias que atendem ao mercado internacional.
O complexo sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e etanol, movimentou R$ 2,7 bilhões, enquanto os produtos florestais renderam R$ 2,6 bilhões. Juntos, café, soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais responderam por 96,2% das vendas externas do agronegócio mineiro.
Produtos tradicionais e de maior valor agregado também conquistaram espaço. Queijos, doce de leite, cachaça e doces mineiros movimentaram cerca de R$ 49,4 milhões no semestre. Embora tenham participação menor na pauta, esses produtos abrem oportunidades para pequenas e médias agroindústrias que trabalham com origem, qualidade, tradição e indicação geográfica.
Na comparação com o primeiro semestre de 2025, a receita total das exportações do agro mineiro recuou 9,6% e o volume diminuiu 3%. Ainda assim, o crescimento da soja e das carnes, a valorização média do café e a presença em 166 mercados mantiveram Minas Gerais entre as principais forças do agronegócio exportador brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
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