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Estiagem Reduz Pela Metade a Produção de Pimenta-do-Reino e Afeta Colheita de Café no Espírito Santo

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A seca que atingiu o Espírito Santo causou severos prejuízos aos agricultores, comprometendo a produção de culturas essenciais para a economia local. Na Região do Caparaó, famosa pela produção de café arábica de alta qualidade, a safra pode sofrer uma queda de até 40% devido à estiagem prolongada. Já no norte do estado, a produção de pimenta-do-reino foi reduzida à metade.

Os cafeicultores da Região do Caparaó, enfrentando possivelmente um dos piores períodos de seca dos últimos anos, expressaram grande preocupação com o impacto nas plantações. A situação atual não só ameaça a quantidade, mas também a qualidade dos grãos, com consequências significativas para o mercado.

Impactos no Café e na Pimenta-do-Reino

Alexandre Lacerda, agricultor de quarta geração em Dores do Rio Preto, no distrito de Pedra Menina, compartilha a gravidade da situação: “Nos últimos três meses, choveu apenas 90 milímetros, bem abaixo dos 200 a 250 milímetros esperados. As plantas estão estressadas, e os grãos não completam o ciclo de maturação, passando de verde para seco rapidamente. Estamos enfrentando uma perda significativa na qualidade e quantidade do café, comprometendo a safra de 2024”, relata. Segundo Alexandre, a situação é inédita desde que começou a monitorar os índices de chuva em 2014.

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A Associação de Produtores Rurais de Pedra Menina (APRUPEM) alerta que, devido à seca prolongada, a produção de café especial, que geralmente representa até 80% da safra, pode cair para 40% ou menos. Com a qualidade dos grãos comprometida, o valor de mercado do café brasileiro e sua competitividade internacional também estão em risco.

Jueselito do Amaral, presidente da APRUPEM, ressalta que “a escassez de chuvas afetou todos os produtores, desde aqueles em áreas mais altas até os que estão em zonas mais baixas. A falta de polpa nos grãos está prejudicando a todos, e a expectativa é de uma queda significativa na produção, com reflexos diretos no bolso dos agricultores.”

A extensionista Priscila Nascimento, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), destaca a importância de técnicas como irrigação e sombreamento para melhorar o microclima das lavouras. “A falta de água está resultando em grãos menores e menos rendimentos, além de aumentar a incidência de doenças como a ferrugem. A irrigação e o manejo nutricional adequado são essenciais para minimizar os impactos e garantir a produção de café especial.”

Desafios na Produção de Pimenta-do-Reino

A produção de pimenta-do-reino no norte do Espírito Santo também foi severamente impactada pela estiagem. A safra atual foi reduzida em 50%, com muitos frutos abortando devido às altas temperaturas. Erasmo Negris, produtor rural, relata que a colheita será mínima: “A floração da pimenta é extremamente sensível às condições climáticas, e as temperaturas superiores a 30°C fizeram com que muitas flores abortassem.”

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Renilton Correia, presidente do Sindicato Rural de São Mateus, acrescenta que a seca afetou drasticamente os custos de produção. “O custo de colheita fica alto para o produtor, porque é por produção, e isso também afeta a economia local, já que o trabalhador tem menos renda para suas compras.”

Para mitigar esses efeitos, produtores como Erasmo estão testando a plantação em tutores vivos, uma técnica que tem mostrado resultados promissores. “Onde essa estratégia já foi aplicada, os cachos de pimenta estão mais cheios. A tendência é que, no futuro, mais produtores adotem essa prática”, conclui Renilton.

A combinação de técnicas inovadoras e manejo cuidadoso será crucial para que os agricultores capixabas superem os desafios impostos pela seca e garantam a sustentabilidade de suas produções.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Algodão em Mato Grosso exige venda acima de R$ 127/@ para cobrir custos da safra 2026/27

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O custo de produção do algodão em Mato Grosso voltou a subir em abril e acendeu um alerta para os produtores da safra 2026/27. Segundo levantamento do projeto CPA-MT, divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, o avanço das despesas foi puxado principalmente pela valorização dos macronutrientes, impactados pelas tensões geopolíticas no mercado internacional.

De acordo com os dados, o custeio da lavoura alcançou R$ 10.642,28 por hectare, crescimento de 1,05% em relação ao mês anterior. O movimento reflete a pressão sobre os insumos agrícolas diante das incertezas logísticas globais, especialmente envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de fertilizantes e commodities do mundo.

Com o encarecimento dos insumos, o Custo Operacional Efetivo (COE) do algodão também avançou em abril. O indicador foi estimado em R$ 15.227,56 por hectare, registrando alta mensal de 0,55%.

O estudo mostra ainda que, para conseguir cobrir os custos operacionais da atividade, o cotonicultor mato-grossense precisará comercializar a pluma por pelo menos R$ 127,09 por arroba, considerando uma produtividade média projetada de 119,82 arrobas por hectare.

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Apesar da elevação dos custos, o cenário de preços mais atrativos da pluma nos últimos meses vem favorecendo a estratégia comercial dos produtores. Segundo o instituto, muitos cotonicultores intensificaram o travamento de custos e a proteção de margens, aproveitando oportunidades de mercado para reduzir os riscos da safra futura.

Esse movimento também ajudou a acelerar a comercialização da safra 2026/27 em Mato Grosso. Após um período de atraso nas negociações, as vendas passaram a superar a média histórica registrada nos últimos anos, demonstrando maior interesse dos produtores em garantir rentabilidade diante da volatilidade do mercado internacional.

O cenário segue sendo monitorado pelo setor, especialmente em função das oscilações nos preços dos fertilizantes, do câmbio e das tensões externas que continuam influenciando diretamente os custos da produção agrícola brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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