AGRONEGÓCIO

Especialistas projetam redução na inflação para 2024 e 2025, enquanto estimativas econômicas se ajustam

Publicado em

As análises realizadas por instituições financeiras consultadas pelo Banco Central na pesquisa Focus indicam uma revisão para baixo nas previsões de inflação para os anos de 2024 e 2025. Segundo os dados, a projeção para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2024 foi ajustada de 3,82% para 3,80%, permanecendo abaixo da meta estabelecida em 3,00%.

Para o mesmo período, a expectativa de inflação nos preços administrados, sob controle contratual ou governamental, manteve-se estável em 4,06%, enquanto a projeção para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apresentou uma redução de 3,30% para 3,22%.

Já para 2025, as instituições financeiras revisaram a previsão para a inflação medida pelo IPCA de 3,52% para 3,51%, mantendo-se alinhada à meta estabelecida em 3,00%. As estimativas de inflação nos preços administrados permaneceram estáveis em 3,92%, e o IGP-M teve sua projeção reduzida de 3,81% para 3,80%.

Além das atualizações nas previsões inflacionárias, houve um ajuste nas expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2024, com as instituições elevando a previsão de 1,68% para 1,75%. O Banco Central, por sua vez, estima um crescimento de 1,7% para a economia brasileira em 2024, conforme o Relatório Trimestral de Inflação publicado em dezembro de 2023.

Leia Também:  Mercado de soja é sacudido por incertezas econômicas

A projeção para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2024 permaneceu em 9,00%, enquanto a taxa atual é de 11,25%. Isso sugere uma expectativa do mercado de um corte de 2,25 pontos percentuais até o final do ano. Para 2025, a estimativa para a taxa Selic permaneceu em 8,50%.

Quanto à taxa de câmbio, as projeções apontam estabilidade, com a expectativa de encerrar 2024 em R$ 4,93 por dólar e 2025 em R$ 5,00 por dólar. Há quatro semanas, as previsões eram de R$ 4,92 para 2024 e R$ 5,00 para 2025.

Em relação ao superávit comercial, as instituições financeiras ajustaram a previsão para 2024, elevando-a para US$ 80,98 bilhões, em comparação aos US$ 80,00 bilhões da semana anterior. Para 2025, a expectativa é de um superávit de US$ 72,05 bilhões, superando os US$ 70,00 bilhões previstos anteriormente.

A projeção para o saldo em conta corrente em 2024 permaneceu em déficit de US$ 36,00 bilhões, enquanto para 2025 foi ajustada para déficit de US$ 36,70 bilhões. A estimativa para o investimento direto em 2025 manteve-se estável em US$ 75,00 bilhões.

Leia Também:  Verão reforça peso de El Niño e La Niña no planejamento do agronegócio

Esses dados foram fornecidos pela Agência CMA, consolidando as análises das principais instituições financeiras consultadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

Published

on

O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

Leia Também:  Demanda aquecida sustenta altas do milho em Chicago nesta quinta-feira

Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

Leia Também:  Ibovespa Almeja Sétima Alta Consecutiva com Foco em Balanços e Dados de Inflação dos EUA

O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA