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Especialista reforça falta de benefícios em azeites importados que se vendem como extravirgens

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Três temas foram debatidos na tarde de palestras do segundo dia do Olivas no Cais, na sexta-feira, 27 de outubro, no Cais Embarcadero, em Porto Alegre. Junto à feira com 31 expositores de azeites de oliva gaúchos, promovida pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) e Cais Embarcadero, os palestrantes falaram sobre assuntos como cozinha autoral, diferença do azeite extravirgem com o azeite de mercado e o novo cenário do Pampa gaúcho.

A sommelier de azeites Maria Beatriz Dal Pont falou em concorrida palestra sobre o tema do azeite vendido como extravirgem e que não é. Lembrou dos números que mais de 80% dos azeites importados comercializados no país nos supermercados não condizem com o que diz o rótulo, revelando-se uma fraude. “Nós temos dois tipos de produtos. O que nós achamos no mercado é o que chamamos de azeite commodity. O que o caracteriza é, em primeiro lugar, a produção em larguíssima escala e é uma produção mundial. Em segundo lugar, são empresas que via de regra não possuem olivais. Então elas compram azeite já elaborado em diversas partes do mundo, recolhem este azeite ate a pana engarrafadora e fazem o engarrafamento, o blend, a mistura, o engarrafamento desse azeite e eles etiquetam com marcas de vários países ou marcas próprias que eles exportam para o mundo inteiro”, salientou.

A especialista reforçou que o azeite commodity tem o foco na quantidade enquanto o azeite premium tem esta premissa da qualidade. “Essas duas coisas não andam juntas. Por mais que o discurso diga que dá para fazer qualidade com grande quantidade, neste caso não é válido justamente porque os azeites são coletados em vários países do mundo, transportados e depois embalados. Então são dois mundos à parte. Sensorialmente não existe parâmetro, porque com este tipo de processo muita coisa se perde. Então não é difícil encontrarmos azeites já cheios de defeito, completamente passados em uma garrafa com rótulo de extravirgem, ressaltou.

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Para Maria Beatriz, a questão de que o preço do azeite de mercado é mais acessível e convidativo não procede. “Na minha opinião não é porque você está comprando um produto vendido como extravirgem e que você vai ter sorte se pegar o extravirgem lá dentro. É caríssimo e não tem custo benefício nenhum. Ao passo em que o extravirgem você está comprando não só um condimento, mas um produto que tem uma funcionalidade para a saúde excepcional”, pontuou.

Seguindo na gastronomia, o chef Arthur Lazarotto falou sobre cozinha autoral. Para o especialista, este tipo de cultura valoriza o produto local. “Com o desenvolvimento da indústria de azeites aqui no Estado é uma excelente oportunidade para a gente levar isso para as cozinhas autorais, as cozinhas mais desenvolvidas no sentido gastronômico. Temos chefs muito famosos que estão ganhando prêmios Brasil afora, que têm experiência no exterior e todos eles têm essa cozinha de ingrediente, de valorizar o pequeno produtor, valorizar o que é nosso, valorizar o terroir, aquilo que a terra nos serve de sabor”, observou.

Lazarotto frisou ainda a oportunidade da olivicultura se desenvolver na gastronomia. “Uma oportunidade até para a indústria de olivas trabalhar junto e desenvolver. Eu acredito que o chef de cozinha e os donos de restaurantes, toda essa indústria de alimentos e bebidas, eles são o grande porta voz de todos os produtores de alimentos. Os produtores produzem, o chef prepara e entrega para o cliente. A forma com ele entrega para o cliente, a narrativa que ele entrega para o cliente, ele tem uma oportunidade única de educar o cliente”, explicou.

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O desenvolvimento do Pampa também foi tema de palestra, com o consultor Werner Santos. O especialista abordou o crescimento dos grãos na Metade Sul como propulsor do desenvolvimento local. “A nossa primeira ação foi um acordo, protocolo de intenções com a Embrapa Clima Temperado e começamos a aprender sobre produção de soja que parecia naquele momento uma coisa muito difícil de entender em função de ser uma área muito alagada, o que a gente chama Terras Baixas e, na verdade, foi uma experiência muito interessante”, lembrou.

Santos afirmou que a partir dessa experiência se começou a produzir soja e milho e, em um segundo momento chegou o trigo. E nesse consórcio a olivicultura também chegou para ficar e desenvolver a região. “Vemos oportunidades hoje tanto na área de grãos como hoje a gente está vendo o desenvolvimento das oliveiras, das uvas e nozes. É um trio que na nossa visão deve mudar ao longo dos próximos anos a economia da Metade Sul. Temos que levar em consideração também que estamos produzindo hoje nesta Metade Sul um azeite de oliva de altíssima qualidade. À medida que o brasileiro começar a entender isso e cada vez mais utilizar esse azeite, vai melhorar muito a economia”, conclui.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva)

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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