AGRONEGÓCIO
Safra de soja e milho 2025/26 no RS é revisada durante Fenasoja e aponta desafios climáticos e ganho no milho
Publicado em
4 de maio de 2026por
Da Redação
A segunda estimativa da safra 2025/26 de soja e milho no Rio Grande do Sul foi apresentada durante o Encerramento Nacional da Colheita da Soja, realizado na Fenasoja, em Santa Rosa (RS). Os dados, divulgados pela Emater/RS-Ascar, indicam um cenário desafiador para a soja, impactada pelo clima, e uma revisão positiva para a produção de milho.
O evento integra a programação da Fenasoja, que celebra 60 anos e ocorre entre os dias 1º e 10 de maio no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, reunindo autoridades, produtores e lideranças do agronegócio.
Soja: produtividade limitada e impacto climático
Na região de Santa Rosa, considerada o Berço Nacional da Soja, a área cultivada chega a 784.008 hectares. A produtividade média estimada é de 2.350 kg por hectare, com produção projetada em 1,84 milhão de toneladas.
A colheita já alcança 77% da área plantada, enquanto 14% das lavouras estão em maturação, 8% em enchimento de grãos e 1% ainda em floração.
Segundo a Emater/RS-Ascar, a variabilidade produtiva é significativa, com registros entre 1.200 kg/ha e 4.200 kg/ha. Fatores como irregularidade das chuvas, manejo e características do solo explicam essa oscilação.
A avaliação técnica aponta que a safra de soja segue altamente sensível às condições climáticas, refletindo diretamente no desempenho das lavouras.
Milho: produção cresce e colheita se aproxima do fim
Diferentemente da soja, o milho apresentou revisão positiva na produção. A estimativa atual aponta para 1.199.830 toneladas, aumento de mais de 66 mil toneladas em relação à previsão inicial.
A área plantada também foi ampliada, passando de 137.501 hectares para 150.204 hectares. Já a produtividade média foi revisada para 7.988 kg/ha, uma leve queda de 3,1% frente à estimativa inicial.
A colheita do cereal está praticamente concluída, com 94% das áreas já colhidas. O restante das lavouras encontra-se em fases finais do ciclo, como enchimento de grãos e maturação.
Apesar do bom desempenho, há alerta para riscos climáticos, especialmente a possibilidade de geadas precoces que podem afetar a finalização das lavouras.
Cenário estadual da safra 2025/26
No Rio Grande do Sul, a área plantada com soja está estimada em 6,62 milhões de hectares, com produtividade média de 2.871 kg/ha e produção total de 19,01 milhões de toneladas.
Para o milho, a área cultivada chega a 803.019 hectares, com produtividade média de 7.424 kg/ha e produção estimada em 5,96 milhões de toneladas.
Clima reforça necessidade de gestão e políticas públicas
Os dados apresentados reforçam o impacto direto das condições climáticas sobre a produção agrícola e os resultados econômicos no campo. A redução na produtividade da soja evidencia perdas relevantes e acende o alerta para a vulnerabilidade climática.
Especialistas destacam a importância de avançar em estratégias como irrigação, manejo eficiente e conservação do solo e da água, além do fortalecimento de políticas públicas voltadas à resiliência da produção agrícola.
Fenasoja reforça protagonismo do agronegócio
A realização do Encerramento Nacional da Colheita dentro da Fenasoja reforça o papel estratégico do evento para o agronegócio brasileiro, promovendo a integração entre produtores, instituições e mercado.
O balanço da safra 2025/26 confirma um cenário de contrastes, com desafios para a soja e maior estabilidade no milho, evidenciando a importância da gestão técnica e do acompanhamento climático para garantir produtividade e competitividade no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
52 minutos agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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