AGRONEGÓCIO

Especialista Defende Integração e Padrão de Qualidade para Fortalecer Exportações de Arroz

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Evento Reúne Cadeia Produtiva do Arroz no Rio Grande do Sul

Durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizada nesta quarta-feira (25) na Embrapa Clima Temperado, especialistas e representantes do setor debateram as perspectivas e desafios para ampliar a presença brasileira no comércio internacional do grão.

O painel “Oportunidades no Comércio Internacional de Arroz e as Exigências para Exportação” reuniu produtores, indústrias e instituições ligadas ao agronegócio no auditório Frederico Costa, em Capão do Leão (RS). A palestra foi conduzida por Yamila Saiz, representante da empresa uruguaia Damboriarena Escosteguy SRL, e teve como foco o fortalecimento da competitividade do setor no mercado global.

Exigências Internacionais como Oportunidade de Crescimento

Durante sua apresentação, Yamila destacou que as exigências internacionais de qualidade e certificação devem ser vistas não apenas como custos adicionais, mas como investimentos estratégicos para elevar o padrão produtivo e fortalecer a imagem do arroz brasileiro.

“É fundamental promover a integração entre produtores e indústrias para competir de forma efetiva com outros países. Não podemos olhar para o mercado externo de forma isolada”, afirmou a especialista.

Ela ressaltou ainda que atender aos critérios técnicos exigidos pelos mercados importadores é essencial para conquistar novos destinos e manter a regularidade de exportações.

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Qualidade, Rastreabilidade e Logística: Pontos-Chave da Competitividade

Yamila apresentou dados sobre o Mercosul, analisou o ambiente de negócios nos Estados Unidos e na União Europeia, e destacou que qualidade, rastreabilidade e previsibilidade logística são pilares fundamentais para sustentar o crescimento das exportações de arroz.

Segundo a especialista, o Mercosul vem avançando de maneira consistente em padrões de qualidade, o que contribui para posicionar o bloco como fornecedor confiável. Ela alertou, no entanto, que a competitividade internacional exige ajuste entre oferta e demanda e planejamento logístico eficiente, garantindo previsibilidade nas entregas e estabilidade na produção.

Estados Unidos e a Dinâmica Global do Mercado de Arroz

Ao comentar o cenário internacional, Yamila citou os Estados Unidos como um dos principais concorrentes do Mercosul no mercado global de arroz.

“O país busca ampliar constantemente seu acesso a novos mercados e costuma alterar suas regras tarifárias com frequência, o que exige acompanhamento permanente por parte dos exportadores sul-americanos”, observou.

Essas mudanças, segundo ela, reforçam a importância de os países do bloco manterem monitoramento constante das políticas comerciais internacionais para evitar perda de competitividade e antecipar oportunidades.

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Integração Setorial e Inovação São Caminhos para Expandir Exportações

Encerrando sua participação, Yamila destacou que, apesar dos desafios, há espaço para crescimento das exportações brasileiras de arroz, desde que o setor invista em integração produtiva e inovação tecnológica.

“O Brasil tem potencial para ampliar sua presença no mercado global, desde que alinhe sua produção às exigências internacionais e fortaleça sua estrutura logística”, concluiu a especialista.

Colheita do Arroz: Evento Integra Campo e Mercado

Com o tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”, a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas é promovida pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), em correalização com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). O evento conta ainda com o patrocínio do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), reforçando a relevância da integração entre pesquisa, produção e mercado para o avanço do setor arrozeiro brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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