AGRONEGÓCIO

Entidades do agro defendem regulamentação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano

Publicado em

Um grupo de entidades representativas do setor energético e agropecuário apresentou um Position Paper com propostas para regulamentar o Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB). O objetivo é valorizar o biometano sustentável e fortalecer a biodigestão agropecuária, promovendo uma transição energética mais limpa no Brasil.

Setor agropecuário como principal foco

A iniciativa é assinada pela Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN), Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Organização Avícola do RS (Asgav/Sipargs) e Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br). Segundo o documento, o setor agropecuário responde por 93% do potencial teórico de biometano no país, sendo a principal fronteira para expansão da oferta nacional desse combustível.

Biodigestão anaeróbia: múltiplos benefícios ambientais e econômicos

O position paper reforça que a valorização da biodigestão anaeróbia de resíduos agropecuários é central para a descarbonização do país. Entre os benefícios destacados estão:

  • Geração de energia limpa;
  • Redução de emissões de metano;
  • Fortalecimento da economia rural;
  • Substituição de metano fóssil na produção de fertilizantes;
  • Promoção da circularidade em cadeias produtivas.
Leia Também:  Mato Grosso recebe congresso internacional sobre incêndios florestais

Segundo Yuri Schmitke, presidente da ABREN, “a união dessas entidades em prol da valorização do biometano sustentável mostra o enorme potencial desse segmento no país. Porém, para que possamos aproveitá-lo, é essencial o engajamento de governos, legisladores e órgãos reguladores”.

Regulamentação estratégica para reduzir emissões

O documento propõe que o CGOB diferencie o valor do biometano de acordo com a origem do resíduo e o porte da planta produtiva. Essa medida garantiria que unidades mais sustentáveis, de menor impacto ambiental e maior contribuição regional, sejam priorizadas nas políticas públicas de incentivo.

Princípios recomendados para a regulamentação

As entidades sugerem que o CGOB:

  • Estabeleça critérios objetivos de emissões de CO₂ equivalente, com pontuação diferenciada por tipo de resíduo e tecnologia utilizada;
  • Preveja mecanismos que valorizem economicamente o biometano com menor pegada ambiental, incentivando investimentos em biodigestores no agro;
  • Integre o certificado a programas de crédito de carbono e financiamento verde, garantindo a correta valoração das emissões evitadas e promovendo competitividade para tecnologias limpas e descentralizadas.
Fortalecimento da economia circular e regional

A biodigestão anaeróbia transforma passivos ambientais em ativos energéticos, promovendo benefícios sociais, econômicos e ambientais em regiões rurais. A diferenciação de preços entre moléculas de biometano de diferentes origens permitiria maior viabilidade econômica para pequenas e médias plantas, descentralizando a produção, fortalecendo cadeias agroindustriais e estimulando a bioenergia e a produção local de fertilizantes.

Leia Também:  Safra 2024/25 da Maçã Eva: Colheita Prevista para Dezembro com Expectativa de Menor Produção
Compromisso com a bioeconomia e transição energética

As entidades reafirmam seu compromisso com um setor energético mais limpo e eficiente, defendendo regulamentações que priorizem soluções tecnológicas de maior impacto ambiental e social, colocando o Brasil na liderança global da transição para uma economia de baixo carbono.

Veja mais

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

Published

on

Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

Leia Também:  BFB Foods impulsiona empregos e consolida Guariba como polo exportador de snacks proteicos

A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

Leia Também:  Bolsas globais encerram em alta com expectativa de corte de juros e otimismo nos mercados

Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA