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Embrapa e Associações de Criadores Desenvolvem Ferramenta Genômica Inédita para Bovinos Leiteiros

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Uma inovação sem precedentes no campo da zootecnia está em desenvolvimento no Brasil: uma ferramenta genômica de avaliação multirracial que envolverá as raças de bovinos leiteiros Holandesa, Gir Leiteiro e a raça sintética Girolando. Este projeto é resultado de uma colaboração entre a Embrapa Gado de Leite, a Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH). Recentemente, as instituições lançaram um edital público com o objetivo de atrair empresas privadas do setor de genética para colaborar no desenvolvimento da ferramenta.

A proposta inicial inclui a avaliação de características importantes para a produção de leite, como a quantidade produzida em um período de até 305 dias e a idade ao primeiro parto das vacas. De acordo com o pesquisador da Embrapa, João Cláudio Panetto, um dos maiores desafios é integrar a vasta base de dados dos programas de melhoramento genético existentes. No Brasil, a raça Holandesa é a mais popular, com mais de dois milhões de bovinos registrados, enquanto o programa de melhoramento do Gir Leiteiro conta com cerca de quatro décadas de dados. O Girolando, resultante do cruzamento dessas raças, tem seu programa de melhoramento iniciado em 1997 e também acumulou um extenso conjunto de dados.

Claudio Napolis Costa, outro pesquisador da Embrapa, ressalta que a etapa atual do projeto se concentra na identificação das melhores estratégias para incorporar esses dados aos programas de melhoramento em andamento. As expectativas são otimistas, com a conclusão prevista para em apenas dois anos, permitindo que a ferramenta de análise genômica esteja disponível comercialmente para os produtores em 2026.

O objetivo é que os criadores consigam identificar os melhores touros Gir Leiteiro para cruzamento com vacas Holandesas, e vice-versa, a fim de produzir Girolandos de alta qualidade. Essa abordagem de melhoramento genético multirracial proporcionará informações mais precisas, auxiliando os produtores na formação de rebanhos com maior potencial econômico.

Avanços em Melhoramento Genético e Produção de Leite

Os programas de melhoramento genético, estabelecidos separadamente para cada raça há quase 40 anos, têm sido cruciais para a identificação de animais com alto potencial produtivo e características desejáveis. Esses programas já demonstraram resultados significativos, impactando diretamente a produção de leite. No caso da raça Girolando, por exemplo, a contribuição do fator genético foi responsável por um aumento de 28% na produção nas últimas duas décadas, enquanto a raça Gir Leiteiro teve um incremento de 31% no mesmo período.

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Denis Teixeira da Rocha, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, elogia a colaboração entre as associações e a Embrapa. “As parcerias entre instituições públicas e privadas, como associações de criadores e centrais de inseminação, têm sido fundamentais para o progresso do setor, posicionando o Brasil entre os maiores produtores de leite do mundo”, afirma. Em 2023, o País produziu 35,4 bilhões de litros de leite, utilizando um rebanho de 15,7 milhões de vacas ordenhadas, um crescimento considerável em comparação aos 11,2 bilhões de litros produzidos no início da década de 1980.

Os líderes das associações de criadores destacam o impacto positivo do melhoramento genético. Evandro Guimarães, presidente da ABCGIL, observa que “o Gir Leiteiro evoluiu significativamente nas últimas décadas, em grande parte devido ao Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (PNMGL), com a média de produção mais que dobrando em quase 40 anos”. Da mesma forma, Domício Arruda, presidente da Girolando, afirma que “as vacas Girolando aumentaram a produção em cerca de 35% na última década, demonstrando os resultados de um programa de melhoramento bem executado”. Armando Rabbers, presidente da ABCBRH, acrescenta que a implementação de tecnologias avançadas, como análise genômica e inteligência artificial, tem contribuído para o aprimoramento contínuo na seleção de touros e vacas.

Integração dos Programas de Melhoramento

Os pesquisadores garantem que a nova ferramenta não interferirá nos programas de melhoramento existentes de cada raça. A intenção é gerar informações a partir de uma análise única dos dados coletados, contemplando aspectos genômicos, características fenotípicas e pedigree. Claudio Napolis ressalta que “a avaliação genômica multirracial representa um avanço que se baseia no conhecimento adquirido ao longo dos anos nos programas de seleção”.

Esse enfoque permitirá ampliar a base genética dos rebanhos, ajudando a prevenir a endogamia e os riscos de defeitos genéticos. “Ao integrar dados de diferentes raças, as avaliações genômicas podem melhorar a precisão das estimativas de valor genético, especialmente para características com baixa herdabilidade”, explica o pesquisador Marcos Vinícius da Silva.

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A pesquisa também poderá determinar se os melhores animais para a produção de raça pura são os mais adequados para a produção de animais cruzados. Panetto observa que “as avaliações genômicas multirraciais auxiliarão na formulação de programas de cruzamento que otimizam a produção de leite, a fertilidade e outras características economicamente relevantes, resultando em um melhor desempenho do rebanho”.

Benefícios para os Produtores e Mercado Global

Rocha acredita que a avaliação multirracial trará benefícios para todas as três raças. “A maior parte do mercado de sêmen da raça Holandesa e quase todo o da raça Gir Leiteiro é voltado para a produção de Girolando. Com a nova ferramenta, esse mercado será positivamente impactado”, afirma.

A oferta de touros com perfil de reprodutor também deve aumentar, proporcionando maior valor agregado. “Muitas propriedades vendem touros Holandeses a preços baixos por não realizarem avaliações individuais para progênies cruzadas”, completa Marcos Silva.

Os presidentes das associações de criadores esperam que o principal beneficiado seja o produtor de leite. O acesso a informações que identificam linhagens genéticas promissoras ajudará na otimização dos recursos financeiros e temporais na produção de Girolandos de qualidade. Evandro Guimarães resume: “Acreditamos que os produtores terão ferramentas mais robustas e precisas na escolha do reprodutor que melhor atenda às suas necessidades”.

Os avanços no sistema de produção brasileiro também podem repercutir internacionalmente, uma vez que o sêmen de touros da raça Holandesa comercializado no Brasil é, em grande parte, importado. O material genético é frequentemente enviado para países tropicais para a produção de Girolando, oferecendo ao Brasil uma oportunidade de exportar tecnologia. “As avaliações multirraciais trarão informações valiosas para programas de melhoramento em todo o mundo, promovendo a colaboração internacional e o intercâmbio de recursos genéticos”, finaliza Silva.

Armando Rabbers, presidente da ABCBRH, conclui: “Estabelecer parcerias entre diferentes raças é essencial para promover melhorias na cadeia produtiva, resultando em produtos de qualidade superior para a indústria e os consumidores”.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de carne bovina do Brasil disparam em 2026 e superam 1,3 milhão de toneladas até maio

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As exportações brasileiras de carne bovina seguem em forte expansão em 2026. Em maio, o Brasil embarcou 297 mil toneladas da proteína para o mercado internacional, volume 17,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho reforça o protagonismo do país no comércio global de carne bovina e consolida a trajetória de crescimento observada ao longo do ano.

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), mostram que o faturamento das exportações atingiu US$ 1,83 bilhão em maio, avanço de 6,5% em relação ao mês anterior.

Além do aumento nos embarques, o setor também foi beneficiado pela valorização do produto no mercado internacional. O preço médio da carne bovina exportada alcançou US$ 6.163 por tonelada, registrando alta de 3,5% na comparação com abril.

China responde por mais da metade das exportações brasileiras

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, ampliando sua participação nas compras externas e sustentando o crescimento das exportações nacionais.

Em maio, os chineses adquiriram 157,6 mil toneladas da proteína, movimentando US$ 1,06 bilhão. O volume representa crescimento de 39,6% em relação ao mesmo período do ano passado e corresponde a 53,1% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no mês.

O avanço das compras chinesas ocorre em um momento de antecipação dos embarques por parte dos importadores, diante da implementação de medidas de salvaguarda anunciadas pelo governo do país asiático para o setor de carne bovina.

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Estados Unidos mantêm posição estratégica entre os compradores

Os Estados Unidos seguiram como o segundo principal mercado para a carne bovina brasileira em maio. As exportações para o país somaram 28,8 mil toneladas, gerando receita de US$ 195,6 milhões.

Na comparação anual, os embarques para o mercado norte-americano cresceram 5,1%, demonstrando a manutenção da demanda mesmo em um cenário de maior concorrência internacional.

Entre os principais compradores também se destacaram a Rússia, com importações de 13,7 mil toneladas, o Chile, com 8,5 mil toneladas, e a União Europeia, que adquiriu 8,3 mil toneladas da proteína brasileira durante o mês.

Carne in natura domina receita das exportações

A carne bovina in natura continua sendo o principal produto exportado pelo setor. Em maio, essa categoria respondeu por 88,2% do volume total embarcado e por 93,1% de toda a receita obtida com as exportações brasileiras.

O faturamento da carne in natura atingiu aproximadamente US$ 1,7 bilhão no período, reforçando sua relevância para a balança comercial do agronegócio brasileiro.

Brasil acumula mais de 1,38 milhão de toneladas exportadas em 2026

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 1,388 milhão de toneladas, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025.

A receita gerada pelo setor chegou a US$ 7,88 bilhões entre janeiro e maio, refletindo tanto o aumento do volume exportado quanto a valorização dos preços internacionais.

O preço médio das exportações brasileiras atingiu US$ 5.677 por tonelada no período, significativamente acima dos US$ 4.824 por tonelada registrados nos cinco primeiros meses do ano passado.

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Diversificação de mercados fortalece competitividade brasileira

A China segue liderando o ranking anual de compradores, com 631,9 mil toneladas importadas e faturamento de US$ 3,78 bilhões. O país asiático respondeu por 45,5% do volume exportado pelo Brasil e por 48% de toda a receita gerada pelo setor no acumulado de 2026.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 178,6 mil toneladas embarcadas e receita superior a US$ 1,16 bilhão. Na sequência estão Chile, Rússia e União Europeia, todos registrando crescimento nas importações da proteína brasileira.

Segundo a ABIEC, o desempenho positivo reflete a ampla presença da carne bovina brasileira no mercado internacional.

Atualmente, o produto nacional está presente em mais de 177 destinos ao redor do mundo, estratégia que contribui para ampliar a competitividade do setor, reduzir riscos comerciais e fortalecer a posição do Brasil como um dos maiores exportadores globais de proteína animal.

Perspectivas seguem positivas para o restante do ano

Com demanda internacional aquecida, preços sustentados e diversificação crescente dos mercados compradores, o setor de carne bovina mantém perspectivas favoráveis para os próximos meses.

A continuidade do forte ritmo de exportações reforça a importância da pecuária de corte para o agronegócio brasileiro e para a geração de divisas, consolidando o país como um dos principais fornecedores mundiais de carne bovina.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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