AGRONEGÓCIO

Em abril, 95 navios que exportam café tiveram atrasos no Porto de Santos (SP)

Publicado em

Em abril de 2024, 95 navios para exportação de café, ou 80% do total, registraram atrasos ou alteração de escalas no Porto de Santos (SP), principal escoador do produto no Brasil. O maior prazo apurado foi de 30 dias entre a abertura do primeiro até o último deadline. Os dados constam no mais recente Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela ElloX Digital em parceria com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

cecafe-graf-exportacao

cecafe-graf-exportacao1

Nos demais portos brasileiros que remetem café ao exterior, o cenário também é preocupante. De acordo com o Boletim DTZ, o índice de atrasos de navios para exportação do produto no complexo portuário do Rio de Janeiro (RJ), responsável por 27% dos embarques no acumulado de 2024, foi de 70%; em Paranaguá (PR), de 42%; em Salvador (BA), de 29%; e em Vitória (ES), de 16%. No compilado geral, 210 navios para exportação de café, ou 54% de um total de 391 porta-contêineres, tiveram atrasos em abril.

“Desse número de embarcações com escalas alteradas, 95 foram somente em Santos, que responde por 70% das exportações de café no acumulado deste ano. Ou seja, os exportadores brasileiros seguem enfrentando intensos desafios logísticos, com o alto índice de atrasos de navios e a falta de espaços no porto santista, que incorrem em ineficiências, destacando-se como os principais entraves na adição de elevado custos, não planejados, aos atores do segmento”, comenta Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé.

Leia Também:  Dólar Inicia a Semana em Alta com Expectativa pela Ata do Copom e Decisões do Fed

cecafe-graf-exportacao2

Outro dado crítico apontado pelo Boletim DTZ é a continuidade do curto período de abertura de gates no Porto de Santos, que é o tempo que o exportador dispõe para entregar seus carregamentos, originados no interior do país, em cumprimento ao deadline de carga estabelecido pelos terminais nos portos.

No mês passado, apenas 11% dos procedimentos de embarque tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto por navios no Porto de Santos, o menor índice registrado desde o início do levantamento, em janeiro de 2023. Outros 63% possuíram entre três e quatro dias e 26% tiveram menos de dois dias.

cecafe-graf-exportacao3

cecafe-graf-exportacao4

“Além disso, no mês passado, 42 navios não tiveram sequer uma abertura de gate no terminal santista, o que é extremamente preocupante, uma vez que isso gera, automaticamente, custos adicionais elevados e inesperados de pré-stacking aos exportadores, que já vivem um cenário oneroso, com os gargalos logísticos, para honrar seus compromissos junto aos importadores dos cafés do Brasil”, lamenta Heron.

BOLETIM DTZ

O Cecafé fechou parceria com a ElloX Digital, uma startup de tecnologia no segmento logístico, para possibilitar que seus associados obtenham evidências, como informações e prints dos sites dos terminais portuários, colhidas de forma automática, quatro vezes ao dia, através de web crawler (robôs), sem a necessidade de alocar um profissional especificamente para essa atividade.

Leia Também:  Agro em Dados: edição de abril explora o cenário do cultivo de sorgo em Goiás

A parceria tem o objetivo de facilitar a obtenção de provas e evidenciar as causas sobre as cobranças de armazenagem adicional e detentions aos exportadores de café, provocadas pelo adiamento dos embarques ou pelos atrasos de navios por parte dos transportadores marítimos, e utilizá-las para denúncias na Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq).

“A Antaq carece de dados e provas substanciais a respeito das causas das cobranças adicionais e inesperadas para aprimorar a sua norma. Sem a apresentação de comprovações consistentes, a Agência fica limitada para aprimorar seus normativos e os usuários continuarão pagando elevadas cobranças de armazenagem adicional e detentions”, revela Heron.

Segundo ele, o Boletim DTZ se torna fundamental e eficaz, aos exportadores de café que aderirem à iniciativa, para que se possa atestar a importância do aprimoramento da regulação à Antaq.

“Notamos uma receptividade positiva da Agência sobre o tema e temos mantido uma agenda positiva com a estatal, com o intuito de aprimorar as normas e coibir abusos, por meio da apresentação dessas provas demandadas por ela, as quais obtemos através da parceria com a ElloX”, conclui o diretor técnico do Cecafé.

Os exportadores de café interessados em acessar o Boletim Detention Zero podem se inscrever através do link https://app.pipefy.com/public/form/-SYfpMNK. Com o cadastro efetuado, a Ellox passará as orientações a respeito dos procedimentos para a obtenção das informações dos terminais.

Fonte: Cecafé

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

“Mal do olho” custa R$ 1,6 bilhão por ano nos EUA e não tem dados no Brasil

Published

on

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) liderou a descoberta de uma nova espécie de bactéria associada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina, doença que causa prejuízo anual estimado em R$ 1,6 bilhão à pecuária dos Estados Unidos. Conhecida no campo como cerato, “mal do olho” ou pinkeye, a enfermidade reduz o ganho de peso, eleva os gastos com tratamento e pode desvalorizar os animais.

Ainda não existe estimativa consolidada sobre os prejuízos causados pela doença no Brasil. A escassez de informações epidemiológicas é um dos motivos para o avanço das pesquisas destinadas a identificar os agentes envolvidos e desenvolver formas mais eficientes de diagnóstico, prevenção e controle.

A nova bactéria foi batizada de Moraxella tarda. O microrganismo foi isolado da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford que apresentavam os primeiros sinais da enfermidade em uma propriedade de corte no bioma Pampa, no Rio Grande do Sul.

O trabalho foi desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico de São Paulo. O estudo foi publicado em julho na revista científica Current Microbiology.

A doença raramente provoca a morte, mas pode comprometer o desempenho econômico do rebanho. Dados de pesquisas norte-americanas indicam que animais afetados podem deixar de ganhar entre 13,6 e 18,1 quilos devido à dor, à redução do consumo de alimentos e à dificuldade para localizar água e pastagem.

Nos casos mais graves, o impacto é maior. Bezerros com apenas um olho comprometido podem perder cerca de 9 quilos em relação aos animais sadios. Quando os dois olhos são atingidos, a diferença pode se aproximar de 30 quilos ao longo de 205 dias.

Leia Também:  Imprensa internacional repercute morte de Silvio Santos

A conta também inclui medicamentos, atendimento veterinário e mão de obra para separar, conter e tratar os animais. Cicatrizes na córnea, deformações ou perda da visão podem reduzir o valor dos bovinos na comercialização e, em determinadas situações, levar ao descarte antecipado.

Na pecuária leiteira, o desconforto e a redução da ingestão de alimento podem afetar a produção. Em rebanhos de corte, a menor evolução de peso compromete o resultado principalmente quando a doença atinge bezerros próximos da desmama. Durante surtos, a enfermidade pode alcançar grande parte dos animais jovens de um lote.

As amostras que permitiram identificar a Moraxella tarda foram coletadas em 2018 pela Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul. As análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas foram aprofundadas nos laboratórios da Embrapa Gado de Leite, em Minas Gerais, e da Embrapa Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul.

A comparação do material genético mostrou que a bactéria pertence ao gênero Moraxella, mas apresenta diferenças suficientes para ser classificada como uma nova espécie. O microrganismo também demonstrou crescimento lento em laboratório.

A descoberta não permite afirmar que a Moraxella tarda seja, isoladamente, a causadora da doença. A bactéria foi encontrada em animais com sinais clínicos, mas seu papel no desenvolvimento, na gravidade e na transmissão da enfermidade ainda precisará ser investigado.

Historicamente, a Moraxella bovis é considerada o principal agente da ceratoconjuntivite. Pesquisas mais recentes mostram, porém, que outras espécies podem estar presentes nos rebanhos afetados, entre elas a Moraxella bovoculi e a Moraxella oculi.

A diversidade bacteriana pode ajudar a explicar por que algumas vacinas não apresentam a mesma eficácia em todas as propriedades. Produtos desenvolvidos contra uma ou poucas espécies podem oferecer proteção limitada em rebanhos nos quais circulam agentes diferentes.

Leia Também:  Promotorias de MT restituem quase R$ 1 mi em abril por meio de acordos 

“Essa descoberta é importante para termos vacinas polivalentes que possam, com a seleção de animais mais resistentes e com outras estratégias de manejo, controlar efetivamente a doença”, afirma o pesquisador da Embrapa Fernando Cardoso, um dos autores do trabalho.

Amostras da nova espécie foram depositadas em coleções de referência na Bélgica, em Portugal e no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. O procedimento permite que outros centros de pesquisa tenham acesso à mesma linhagem para realizar novos estudos e comparar resultados.

A complexidade da doença já havia sido observada em um surto entre novilhas da raça Holandesa no Campo Experimental da Embrapa Gado de Leite, em Coronel Pacheco, Minas Gerais. A enfermidade atingiu 72% do lote.

Os exames identificaram a presença conjunta de Moraxella bovoculi e, pela primeira vez no Brasil, de Moraxella oculi. Nenhuma amostra da tradicional Moraxella bovis foi encontrada nas lesões, mostrando que quadros severos podem ocorrer mesmo sem o agente historicamente considerado principal.

Um novo projeto da Embrapa, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), investiga surtos em bacias leiteiras mineiras. O objetivo é mapear a diversidade bacteriana, desenvolver testes rápidos de diagnóstico e identificar alvos para vacinas capazes de proteger contra diferentes espécies.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA