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ECONOMIA: Ipea prevê crescimento de 3,2% do PIB neste ano e mantém em 2,0% a estimativa para 2024

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A expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) avance 3,2% neste ano, especialmente devido à melhoria no consumo das famílias – sustentado pelo aumento consistente da massa salarial ampliada – e às exportações, ancoradas em produtos agropecuários e petróleo. No quarto trimestre, é esperado um crescimento de 3,0% frente ao mesmo período de 2022. Para 2024, a estimativa do PIB permaneceu em 2,0%, conforme a tabela abaixo:

ipea-26-12-2023

Justificativa – A desaceleração do crescimento prevista para 2024 em relação a 2023 é justificada principalmente pela queda esperada do valor adicionado da agropecuária (-3,2%), penalizada por fatores climáticos adversos. Porém, outras commodities, como o petróleo, podem ter desempenho positivo, dada a competitividade das áreas do pré-sal, em especial se a expectativa de manutenção do ritmo de crescimento do PIB mundial em 2024 se concretizar.

Recuo – O PIB estimado pelo Ipea para 2023 recuou 0,1 ponto percentual em relação à Visão Geral da Conjuntura divulgada em setembro, que previa 3,3%. O ajuste também se deveu também a uma adequação das previsões a revisões da série histórica do PIB, devido à atualização das Contas Anuais pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que acaba suscitando revisões nas séries trimestrais, em termos de composição da oferta e demanda. Isso contribuiu para que o resultado do terceiro trimestre – avanço de 0,1%, na comparação com o período imediatamente anterior – fosse inferior aos 0,3% que eram esperados pelo Instituto.

Exportações – Apesar da redução dos preços das commodities em 2023, o ritmo de crescimento das exportações se manteve, na medida em que houve aumento nas quantidades vendidas, resultando em forte impulso externo para o resultado do PIB. Já o desempenho do setor agropecuário, apoiado pela supersafra agrícola, e a expansão acima do esperado da produção do petróleo criaram as condições necessárias para o Brasil conquistar novos mercados, suprindo a demanda que antes era atendida por concorrentes.

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Redução da inflação – A queda do preço das commodities, por sua vez, ajudou a reduzir a inflação. Como divulgado ontem (19/12), a previsão do Ipea para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2023 foi reduzida de 4,8%, para 4,6%. Os efeitos da desaceleração inflacionária mostraram-se mais intensos para as classes de renda mais baixas, pois ocorreram em bens com maior proporção no orçamento das famílias de baixa renda, como os alimentos. Além disso, a fragilidade financeira das famílias diminuiu no segundo semestre do ano, com menor comprometimento da renda para pagamento de dívidas.

Efeitos – Essa combinação de fatores alavancou os efeitos sobre o poder de compra da contínua elevação da massa de rendimentos do trabalho ampliada por benefícios sociais (consubstanciados em programas como o Bolsa Família e nos benefícios previdenciários, elevados com a política valorização do salário mínimo), contribuindo para explicar a elevada contribuição do consumo das famílias ao PIB. A ampliação do poder de compra das famílias foi canalizada para o setor de serviços e, com isso, é possível compreender o papel desempenhado pelo setor no crescimento do PIB de 2023.

Demanda interna – A elevação da demanda interna tem sido explicada em todo ano pela expansão de um consumo de massa, aquele financiado pela elevação da massa de rendimento das famílias, incluindo não somente a renda do trabalho como também dos benefícios sociais, inclusive a previdência social. Essa expansão dinamiza o setor de serviços, abrangendo os de utilidade pública (classificados como pertencentes ao setor industrial), e o setor de bens não duráveis. Contudo, parte dessa expansão do consumo não se transforma em demanda à indústria manufatureira porque é dinamizada para as compras de importações, como é o caso de bens semiduráveis

Serviços – A expansão do setor de serviços, tipicamente intensivos em mão de obra, ajuda a elucidar a sustentação do emprego. O Grupo de Conjuntura da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea projetou uma alta de 2,6% no setor de serviços em 2023 e de 2,1% em 2024, fazendo com que ele siga como um dos principais impulsionadores do PIB. Em relação à indústria, a alta deve ser de 1,4% neste ano e de 2,5% em 2024. A perspectiva para a agricultura é de um salto de 16,7% em 2023, seguido de retração de 3,2% no próximo ano.

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Arrecadação – O dinamismo da economia em 2023, no entanto, não teve como contrapartida o aumento da arrecadação. A queda do preço das commodities reduziu os lucros das empresas exportadoras e, com isso, houve queda nas receitas tributárias incidentes sobre o lucro e rendas da exploração de recursos naturais. Além disso, a deterioração da indústria, em um crescimento liderado por serviços e agropecuária, tende a diminuir a elasticidade da receita tributária com relação ao PIB, na medida em que a incidência tributária sobre a indústria é maior. A queda da arrecadação em um cenário de aumento de gastos, em linha com a proposta da PEC de transição (PEC 32/2022), ampliou o déficit fiscal, o que tende a ser revisto com a implementação do novo arcabouço fiscal em 2024.

Indústria – Os técnicos de planejamento e pesquisa do Ipea também projetam um cenário de reação dos investimentos e do setor industrial no ano que vem, particularmente devido à elevada aprovação de financiamentos em infraestrutura por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a programas federais, como o Minha Casa, Minha Vida, e a programas de incentivo ao crédito do governo federal com sistema de garantias. Soma-se a isso a trajetória de queda prevista para a taxa de juros Selic.

Acesse a Visão Geral da Carta de Conjuntura

Fonte: Assessoria de Imprensa Ipea

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dólar recua com avanço nas negociações entre EUA e Irã e inflação americana abaixo do esperado

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Dólar cai com redução das tensões geopolíticas

O dólar registrou queda nos mercados internacionais, pressionado pelo aumento do otimismo em relação a um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

Segundo o analista Rich Asplund, da Barchart, a moeda americana perdeu força após notícias indicarem a possibilidade de extensão do cessar-fogo de duas semanas, com negociações podendo ser retomadas nos próximos dias.

Como reflexo, o índice do dólar (DXY) recuou 0,33%, atingindo o menor nível em seis semanas.

Inflação nos EUA abaixo das expectativas pressiona moeda

Outro fator relevante para a queda do dólar foi a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, que veio abaixo do esperado.

Os dados indicam que:

  • O PPI cheio subiu 0,5% no mês e 4,0% em relação ao ano, abaixo das projeções de 1,1% e 4,6%
  • O núcleo do PPI (excluindo alimentos e energia) avançou 0,1% no mês e 3,8% no ano, também abaixo das expectativas

Apesar de ainda indicar pressão inflacionária, o resultado mais fraco reforça a percepção de desaceleração, contribuindo para a desvalorização do dólar.

Expectativa de juros também pesa sobre a moeda americana

O dólar segue pressionado também por perspectivas menos favoráveis para os diferenciais de juros globais.

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De acordo com o analista, o Federal Reserve (Fed) pode realizar cortes de pelo menos 25 pontos-base em 2026, enquanto outros bancos centrais relevantes, como o Banco Central Europeu e o Banco do Japão, podem seguir caminho oposto, com possíveis elevações de juros no mesmo período.

Esse cenário reduz a atratividade relativa da moeda americana frente a outras divisas.

Euro e iene avançam diante da fraqueza do dólar

Com o enfraquecimento do dólar, outras moedas ganharam força no mercado internacional.

O euro apresentou valorização, com o par EUR/USD atingindo a máxima em seis semanas, em alta de 0,37%. O movimento também foi favorecido pela queda de cerca de 5% nos preços do petróleo, fator positivo para a economia da zona do euro, que depende de importação de energia.

Já o iene japonês também se valorizou, com o par USD/JPY recuando 0,48%. Além da fraqueza do dólar, a moeda japonesa foi sustentada pela revisão positiva da produção industrial do Japão e pela queda nos preços do petróleo, importante para um país altamente dependente de energia importada.

Ouro e prata sobem com dólar fraco e busca por proteção

Os metais preciosos registraram forte valorização no dia, acompanhando o recuo do dólar.

O ouro e a prata avançaram, com destaque para a prata, que atingiu o maior nível em três semanas e meia.

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A queda do dólar tende a favorecer esses ativos, tornando-os mais atrativos globalmente. Além disso, a redução das preocupações inflacionárias pode abrir espaço para políticas monetárias mais flexíveis, outro fator de suporte para os metais.

Incertezas seguem sustentando demanda por ativos de segurança

Apesar do otimismo com possíveis avanços diplomáticos, o cenário internacional ainda apresenta riscos relevantes.

Entre os fatores que mantêm a demanda por ativos de proteção estão:

  • Tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã
  • Incertezas sobre políticas comerciais e tarifas americanas
  • Turbulências políticas internas nos EUA
  • Níveis elevados de déficit público

Além disso, medidas como o bloqueio naval no Estreito de Ormuz reforçam a percepção de risco global, sustentando o interesse por metais preciosos como reserva de valor.

Mercado global segue sensível a dados e geopolítica

O comportamento recente do dólar reflete um ambiente global altamente sensível tanto a indicadores econômicos quanto a eventos geopolíticos.

Nos próximos dias, a trajetória da moeda americana deve continuar atrelada à evolução das negociações no Oriente Médio, aos dados de inflação e atividade nos Estados Unidos e às expectativas sobre a política monetária das principais economias do mundo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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