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Dólar se aproxima de R$ 6 em meio a incertezas sobre cortes de gastos e isenção de IR

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O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (28), chegando perto do patamar de R$ 6, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), opera em queda. O mercado segue atento aos desdobramentos do pacote de corte de gastos públicos e da proposta de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais, anunciados pelo governo na véspera.

Na manhã desta quinta, os ministros da Fazenda, Fernando Haddad; do Planejamento, Simone Tebet; e da Casa Civil, Rui Costa, realizaram uma coletiva para detalhar as medidas. O plano prevê uma economia de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2026, com ações como limitação ao reajuste do salário mínimo, restrições ao abono salarial e criação de uma alíquota de 10% de imposto para quem tem renda superior a R$ 600 mil anuais.

A isenção do IR para salários até R$ 5 mil, promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também foi incluída no pacote. Atualmente, o limite de isenção está em R$ 2.824.

Reação do mercado

O dólar registrava alta de 1,03% às 10h20, sendo negociado a R$ 5,9732, após atingir a máxima de R$ 5,9993 no início do dia. No acumulado do ano, a moeda já subiu 21,84%. Na véspera, o dólar havia fechado a R$ 5,9124, alta de 1,80%, marcando o maior valor do ano.

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Já o Ibovespa recuava 0,58% no mesmo horário, registrando 126.933 pontos. Na quarta-feira, o índice fechou em queda de 1,73%, aos 127.669 pontos. No ano, o indicador acumula uma perda de 4,85%.

O que está movimentando os mercados?

A instabilidade reflete a percepção do mercado sobre a sustentabilidade das contas públicas brasileiras. Apesar do pacote de cortes, a inclusão da isenção de IR gerou incertezas quanto ao impacto fiscal das medidas. Especialistas apontam que, embora o corte de gastos sinalize compromisso com o equilíbrio orçamentário, o custo da isenção pode neutralizar parte dos ganhos.

De acordo com Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, a isenção de IR poderá custar até R$ 40 bilhões anuais aos cofres públicos, valor que o governo planeja compensar com taxação de altas rendas. Haddad, no entanto, estima um impacto de R$ 35 bilhões.

“Esse tipo de medida tem um custo elevado e, se não for bem estruturada, pode comprometer a trajetória da dívida pública”, explicou Veronese.

Ainda na última semana, o governo bloqueou R$ 6 bilhões no orçamento, acumulando R$ 19,3 bilhões em contingenciamentos ao longo dos últimos meses para conter o avanço das despesas obrigatórias, como a previdência.

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Perspectivas

O mercado aguarda detalhes adicionais sobre como o governo pretende equilibrar receitas e despesas nos próximos anos. A confiança de investidores depende da previsibilidade das ações, uma vez que contas públicas controladas são vistas como essenciais para garantir a capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros.

Matheus Pizzani, economista da CM Capital, avalia que o impacto positivo da isenção no consumo das famílias pode não ser suficiente para compensar as perdas fiscais. “Falta clareza sobre a compensação para essa renúncia de receita”, afirmou.

Por enquanto, o governo busca sinalizar que o ajuste fiscal não será feito exclusivamente sobre os mais pobres, tentando equilibrar demandas políticas e econômicas em um cenário de grande expectativa e desconfiança por parte do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações brasileiras de grãos ganham ritmo em 2026, com recorde na soja e avanço logístico global

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O comércio exterior brasileiro de grãos iniciou 2026 com forte desempenho nas exportações de soja e sinais mistos para o milho, segundo o Informativo Mensal da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). O relatório também destaca recordes de embarques, desafios logísticos globais e avanços na agenda de descarbonização do transporte marítimo.

Soja lidera exportações com recorde mensal em 2026

A soja manteve protagonismo no agronegócio brasileiro. Em abril de 2026, o país registrou embarque recorde de 16,1 milhões de toneladas, reforçando a posição do Brasil como principal exportador global da oleaginosa.

No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações somaram 43,2 milhões de toneladas, acima das 40,1 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025. Para maio, o line-up aponta embarques de aproximadamente 14,1 milhões de toneladas.

A colheita da safra 2025/26 avançou até 94,7% da área, levemente abaixo do ritmo do ano anterior (97,7%), com conclusão já registrada em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Segundo a ANEC, o desempenho reforça a projeção de exportações totais próximas de 110 milhões de toneladas em 2026, consolidando o Brasil como referência global no fornecimento da oleaginosa.

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Milho tem ritmo sazonal mais lento, mas mantém projeção elevada de produção

No mercado de milho, o escoamento seguiu o padrão sazonal mais lento em abril, com embarques de 268 mil toneladas, enquanto o line-up de maio indica cerca de 188 mil toneladas.

Apesar do ritmo moderado nas exportações recentes, a produção da segunda safra segue robusta. A CONAB estima produção total de 139,6 milhões de toneladas, em área de 22,5 milhões de hectares, ligeiramente abaixo do ciclo anterior (141,2 milhões de toneladas), refletindo expectativa de produtividade menor após uma safra anterior excepcional.

Geopolítica no Oriente Médio pressiona custos logísticos globais

O relatório da ANEC também chama atenção para o impacto das tensões no Estreito de Ormuz sobre o comércio internacional. As restrições operacionais na região aumentam a incerteza no transporte marítimo global.

Entre os principais efeitos estão:

  • Alta expressiva nos fretes marítimos
  • Aumento dos prêmios de seguro
  • Elevação do custo da tonelada exportada
  • Impactos indiretos em rotas fora da região do estreito

O cenário reforça a volatilidade do comércio global e pressiona margens do setor exportador brasileiro.

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Etanol de milho ganha espaço no transporte marítimo e avança na agenda verde

Um dos destaques do relatório é o reconhecimento do etanol de milho como biocombustível compatível com o transporte marítimo, com metodologia de intensidade de carbono aprovada pela Organização Marítima Internacional (IMO).

A medida integra esforços globais de descarbonização de um setor responsável por cerca de 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Segundo a ANEC, o avanço abre novas oportunidades para o Brasil no mercado internacional de energia, ampliando o papel do milho não apenas como commodity alimentar, mas também como vetor estratégico da transição energética global.

Exportações seguem fortes e consolidam papel do Brasil no agronegócio global

O balanço da ANEC reforça o desempenho consistente do Brasil no comércio internacional de grãos, especialmente da soja, e evidencia a crescente importância da logística e da geopolítica no desempenho do setor.

Ao mesmo tempo, o avanço de biocombustíveis e a ampliação da demanda global mantêm o país em posição estratégica na segurança alimentar e energética mundial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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