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Dólar opera em alta com incertezas sobre cenário fiscal

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O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (17), aproximando-se de R$ 5,70, em meio às crescentes preocupações do mercado com o cenário fiscal do Brasil. No dia anterior, a moeda norte-americana avançou 0,14%, fechando a R$ 5,6644, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, encerrou com ganho de 0,54%, atingindo 131.750 pontos.

A movimentação do dólar reflete as discussões em torno das medidas do Ministério da Fazenda para reduzir os gastos públicos. O mercado repercute a notícia de que a equipe econômica estuda a criação de um mecanismo para que as empresas estatais deixem de depender do Tesouro Nacional, em um esforço para aliviar o orçamento público.

Cenário internacional e impacto dos dados americanos

Além do contexto local, o mercado está atento à divulgação de novos dados econômicos nos Estados Unidos, especialmente relacionados ao mercado de trabalho e ao comércio, que podem influenciar as expectativas dos investidores em relação às taxas de juros americanas. As decisões do Federal Reserve, o banco central dos EUA, permanecem no radar, impactando diretamente as operações financeiras globais.

Cotações atualizadas

Às 9h, o dólar registrava alta de 0,30%, cotado a R$ 5,6815. No acumulado semanal, a moeda já apresentava um avanço de 0,89%, 3,99% no mês e 16,73% no ano, demonstrando um cenário de valorização contínua.

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Ibovespa em alta

O Ibovespa, que começa suas operações a partir das 10h, teve um bom desempenho na véspera, encerrando o pregão com alta de 0,54%, aos 131.750 pontos. O índice acumulou uma valorização de 1,35% na semana, apesar de uma leve perda de 0,05% no mês e uma queda de 1,82% no acumulado do ano.

Desafios fiscais e declarações do governo

Com o final do ano se aproximando, o mercado financeiro está de olho na capacidade do governo de cumprir suas metas fiscais para 2024. A proposta de dar independência financeira às empresas estatais, que atualmente dependem de recursos da União, foi recentemente mencionada como uma possível solução.

No entanto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou que não há intenção de retirar as estatais do cálculo do novo arcabouço fiscal, embora admita que ajustes podem ser feitos na redação das propostas para evitar ambiguidades. Haddad enfatizou que a revisão dos gastos públicos será uma prioridade até o fim do ano, e que medidas consistentes serão apresentadas para garantir a longevidade do arcabouço fiscal.

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Cenário internacional e eleições nos EUA

No exterior, o foco dos investidores está voltado para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, com uma disputa acirrada entre a democrata Kamala Harris e o republicano Donald Trump. A mais recente pesquisa Reuters/Ipsos mostrou Harris com 45% das intenções de voto, contra 42% de Trump, uma margem estreita que mantém o cenário eleitoral indefinido.

Trump, em suas declarações, mencionou a possibilidade de aumentar tarifas de importação caso seja eleito, o que poderia afetar o comércio global, incluindo exportadores brasileiros. Ele também afirmou que, se voltar à presidência, teria influência direta sobre o Federal Reserve, embora não planeje ordenar ajustes nas taxas de juros.

Esse cenário eleitoral se desenrola em um momento de cortes nas taxas de juros nos EUA. Recentemente, o Federal Reserve reduziu os juros em 0,50 ponto percentual, levando a taxa para uma faixa entre 4,75% e 5,00% ao ano, uma medida que deve continuar a influenciar o mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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