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Dólar inicia semana em leve alta à espera de medidas do governo sobre ‘tarifaço’ dos EUA

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O dólar abriu esta segunda-feira (11) em leve alta de 0,9%, cotado a R$ 5,442 por volta das 9h. A alta ocorre após a moeda ter fechado a última sexta-feira (8) com valorização de 0,24%, a R$ 5,4356. Já o Ibovespa encerrou o pregão anterior em queda de 0,45%, aos 135.913 pontos. As negociações na bolsa brasileira iniciam às 10h.

Governo finaliza pacote contra tarifas dos EUA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve concluir nesta segunda-feira (11) as medidas de resposta ao aumento para 50% das tarifas americanas sobre produtos brasileiros, imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A expectativa é que o anúncio oficial seja feito até terça-feira (12). O plano de contingência, em discussão entre diversos ministérios, busca reduzir o impacto sobre a economia e as empresas afetadas.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve conversar nos próximos dias com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em tentativa de reaproximação e de redução das tensões comerciais.

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Agenda doméstica: Galípolo e Boletim Focus

No Brasil, o mercado acompanha a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na expectativa de sinais sobre os próximos passos da política monetária, especialmente em relação à taxa Selic.

O Boletim Focus divulgado nesta manhã trouxe a 11ª queda consecutiva na projeção de inflação para 2024. A estimativa para 2026 também foi revisada para baixo.

O crescimento do PIB esperado para 2025 recuou de 2,23% para 2,21%, enquanto a Selic projetada para o ano permanece em 15% ao ano.

Indicadores da semana
  • Terça-feira (12): divulgação do IPCA de julho, que pode influenciar a postura do Banco Central diante da inflação ainda acima da meta.
  • Quarta-feira (13): dados de vendas no varejo.
  • Quinta-feira (14): resultados do setor de serviços.
Cenário internacional

No exterior, os índices futuros das bolsas de Nova York registram altas nesta manhã, em uma semana marcada por dados econômicos relevantes para as decisões do Federal Reserve (Fed).

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O mercado aguarda a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos EUA. Com a desaceleração do mercado de trabalho, cresce a aposta em um corte de juros na reunião de setembro. No entanto, a inflação acima da meta de 2% ainda preocupa, gerando cautela sobre novos estímulos.

Outro destaque internacional é a Nvidia. Segundo a imprensa, a gigante de tecnologia teria concordado em repassar 15% da receita obtida com vendas de inteligência artificial na China ao governo americano. O acordo teria sido discutido entre o CEO Jensen Huang e Donald Trump, em reunião na Casa Branca na semana passada.

Desempenho acumulado
  • Dólar
    • Semana: -1,96%
    • Mês: -2,95%
    • Ano: -12,04%
  • Ibovespa
    • Semana: +2,62%
    • Mês: +2,14%
    • Ano: +12,99%

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil importa 7% menos fertilizante, mas produtor gasta 7% mais

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O recuo recente dos preços internacionais dos fertilizantes ainda não chegou ao bolso do produtor brasileiro. Entre janeiro e julho deste ano, o País importou 22,4 milhões de toneladas, redução de 7,4% em relação ao mesmo período de 2025. A despesa, no entanto, aumentou 7,3% e alcançou o equivalente a aproximadamente R$ 44,8 bilhões.

Os números mostram que a queda observada depois dos picos provocados pela guerra entre Estados Unidos e Irã não foi suficiente para devolver os preços aos níveis anteriores ao conflito. O produtor está comprando menos e pagando mais, ao mesmo tempo que enfrenta preços pouco favoráveis para parte dos grãos e margens mais apertadas dentro da porteira.

Em junho, o preço médio do fertilizante importado pelo Brasil estava 26% acima do registrado um ano antes. Convertida pela cotação atual, a tonelada custava em torno de R$ 2,25 mil. A combinação de insumo caro e menor receita esperada com culturas como milho, cana-de-açúcar e laranja reduziu a capacidade de compra no campo.

Os fertilizantes nitrogenados, especialmente a ureia, apresentaram as quedas mais fortes depois da disparada dos primeiros meses da guerra. O alívio foi favorecido pela reorganização parcial dos embarques e pela busca de rotas alternativas. Ainda assim, o mercado permanece sujeito às condições no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes.

A situação é mais difícil entre os fosfatados. O preço do enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de ácido sulfúrico e de adubos fosfatados, continua elevado. O Oriente Médio responde por quase metade das exportações mundiais de enxofre, e a redução dos embarques limita a produção mesmo fora da região diretamente atingida pelo conflito.

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A diferença explica por que a queda da ureia não foi acompanhada com a mesma intensidade por produtos como o fosfato monoamônico (MAP) e o fosfato diamônico (DAP). Para o agricultor, isso significa que o custo final da adubação continua pressionado, ainda que alguns componentes tenham ficado mais baratos.

A eventual ampliação das exportações chinesas pode aumentar a disponibilidade de nitrogenados e fosfatados. Esse movimento, porém, dificilmente será suficiente para normalizar o mercado enquanto persistirem as restrições ao fornecimento de enxofre, os riscos logísticos no Golfo Pérsico e os custos elevados de energia e transporte.

O Brasil é especialmente vulnerável a essas oscilações porque importa entre 80% e 85% dos fertilizantes que utiliza. Rússia, China, Canadá e Marrocos estão entre os principais fornecedores, mas parte importante da ureia e de matérias-primas industriais depende das rotas do Oriente Médio.

No primeiro semestre, as importações brasileiras das principais matérias-primas para fertilizantes diminuíram 8,6%. Os desembarques de ureia recuaram 32%, enquanto as compras de MAP caíram 24%. Também houve redução nas entradas de nitrato de amônio e enxofre.

A produção nacional não compensou essa diminuição. Nos cinco primeiros meses do ano, as fábricas brasileiras produziram aproximadamente 2,4 milhões de toneladas de fertilizantes, queda de 17% em relação ao mesmo período de 2025. As entregas ao mercado interno somaram 15,5 milhões de toneladas, recuo de 2,2%.

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Em 2025, o Brasil havia consumido o recorde de 49,1 milhões de toneladas. Para este ano, as projeções indicam uma retração, provocada menos pela necessidade agronômica e mais pela dificuldade financeira dos produtores para manter o mesmo volume de compras.

O peso do fertilizante varia conforme a cultura e o sistema produtivo. O insumo pode representar cerca de 34% do custo operacional do milho de primeira safra, 30% no trigo e 27% no sistema formado por soja e milho de segunda safra. Por isso, mesmo pequenas alterações de preço afetam diretamente o resultado da lavoura.

A relação de troca também continua desfavorável. Não basta o preço do adubo cair no mercado internacional: para que haja melhora efetiva, o produtor precisa entregar menos sacas de soja ou milho para comprar a mesma quantidade de fertilizante. Com as cotações agrícolas pressionadas, essa recuperação ainda não aconteceu de forma consistente.

Diante desse cenário, parte dos produtores adiou compras, substituiu fontes de nutrientes ou passou a negociar volumes menores. A redução da adubação abaixo da recomendação técnica, porém, pode comprometer a produtividade e transferir o problema financeiro para a colheita seguinte.

A queda das cotações internacionais representa um primeiro sinal de alívio, mas não encerra a crise. O custo da safra 2026/27 dependerá da duração da guerra, da normalização do Estreito de Ormuz, da oferta chinesa, do câmbio e, principalmente, da recuperação dos preços recebidos pelos agricultores.

Fonte: Pensar Agro

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