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Dólar em Queda Pode Desacelerar Comercialização de Soja no Brasil

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Nesta sexta-feira, o mercado brasileiro de soja deve experimentar um ritmo mais lento de comercialização, em contraste com o dia agitado de ontem. A variação cambial é o principal ponto de atenção. Após uma alta significativa do dólar ontem, que animou os produtores, o cenário de hoje indica uma correção, o que pode diminuir o ímpeto dos vendedores. Os prêmios mantiveram-se estáveis, mas a semana foi positiva, com ganhos moderados em Chicago.

Na quinta-feira, a alta dos preços trouxe otimismo aos produtores brasileiros. O mercado registrou um aumento nas transações, impulsionado pela forte valorização cambial. Prêmios firmes, resultantes das exportações robustas, também ajudaram a sustentar as cotações domésticas.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 131,00 para R$ 132,00. Na região das Missões, a cotação aumentou de R$ 130,00 para R$ 131,00 a saca. No Porto de Rio Grande, o preço avançou de R$ 136,00 para R$ 138,00 a saca.

Em Cascavel (PR), a saca valorizou de R$ 127,50 para R$ 130,00. No Porto de Paranaguá (PR), o preço cresceu de R$ 137,00 para R$ 139,00.

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Em Rondonópolis (MT), a saca subiu de R$ 125,00 para R$ 126,50. Em Dourados (MS), o preço aumentou de R$ 120,00 para R$ 122,00 a saca. Já em Rio Verde (GO), a saca valorizou de R$ 121,00 para R$ 123,00.

Cenário Internacional

Os contratos futuros com entrega em novembro registram alta de 0,31%, cotados a US$ 10,46 1/4 por bushel. O mercado tenta estender os ganhos de ontem, sustentado pela demanda crescente pelo produto dos Estados Unidos. No entanto, a ampla oferta global e as boas condições das lavouras norte-americanas limitam os ganhos. A maior aversão ao risco, com quedas nas bolsas de valores e no preço do petróleo, também impacta o ímpeto comprador.

Prêmios e Exportações

Os preços FOB da soja nos portos brasileiros tiveram poucas alterações na quinta-feira. Houve um ajuste nos prêmios para embarques mais próximos, enquanto Chicago registrou ganhos moderados. As negociações mantiveram um ritmo lento, com prêmios da nova safra subindo acentuadamente no dia. O interesse de compra para embarques em fevereiro e março aumentou consideravelmente, mas os vendedores preferiram esperar por melhores oportunidades, levando em conta o atual ritmo lento de vendas dos agricultores.

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Os prêmios de exportação da soja para agosto estavam entre +45 e +60 centavos de dólar sobre Chicago no final da quinta-feira no Porto de Paranaguá. Para setembro de 2024, o prêmio era de +95 a +110 centavos. Para fevereiro de 2025, o prêmio variava entre +15 e +40 pontos, conforme dados da Safras & Mercado.

O preço FOB (flat price) para agosto ficou entre US$ 420,20 e US$ 425,70 por tonelada na quarta-feira. No dia anterior, a cotação oscilou entre R$ 421,50 e R$ 427,10.

Câmbio e Indicadores Financeiros
  • O dólar comercial opera em baixa de 0,97%, cotado a R$ 5,4342. O Dollar Index (DXY) subia 0,15%, alcançando 104,33 pontos.
  • As principais bolsas da Ásia fecharam em baixa, com exceção de Xangai, que subiu 0,17%. Em Tóquio, houve uma queda de 0,16%.
  • Na Europa, as principais bolsas operam em baixa: Paris caiu 0,67%, Frankfurt 0,77% e Londres 0,53%.
  • O petróleo registra cotações em baixa, com o WTI para agosto recuando 0,21%, cotado a US$ 82,64 o barril.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente

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Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.

Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.

O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.

O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.

Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.

As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.

Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.

A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.

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Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.

Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.

Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.

A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.

Fonte: Pensar Agro

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