AGRONEGÓCIO
Dólar em Queda Pode Desacelerar Comercialização de Soja no Brasil
Publicado em
19 de julho de 2024por
Da RedaçãoNesta sexta-feira, o mercado brasileiro de soja deve experimentar um ritmo mais lento de comercialização, em contraste com o dia agitado de ontem. A variação cambial é o principal ponto de atenção. Após uma alta significativa do dólar ontem, que animou os produtores, o cenário de hoje indica uma correção, o que pode diminuir o ímpeto dos vendedores. Os prêmios mantiveram-se estáveis, mas a semana foi positiva, com ganhos moderados em Chicago.
Na quinta-feira, a alta dos preços trouxe otimismo aos produtores brasileiros. O mercado registrou um aumento nas transações, impulsionado pela forte valorização cambial. Prêmios firmes, resultantes das exportações robustas, também ajudaram a sustentar as cotações domésticas.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 131,00 para R$ 132,00. Na região das Missões, a cotação aumentou de R$ 130,00 para R$ 131,00 a saca. No Porto de Rio Grande, o preço avançou de R$ 136,00 para R$ 138,00 a saca.
Em Cascavel (PR), a saca valorizou de R$ 127,50 para R$ 130,00. No Porto de Paranaguá (PR), o preço cresceu de R$ 137,00 para R$ 139,00.
Em Rondonópolis (MT), a saca subiu de R$ 125,00 para R$ 126,50. Em Dourados (MS), o preço aumentou de R$ 120,00 para R$ 122,00 a saca. Já em Rio Verde (GO), a saca valorizou de R$ 121,00 para R$ 123,00.
Cenário Internacional
Os contratos futuros com entrega em novembro registram alta de 0,31%, cotados a US$ 10,46 1/4 por bushel. O mercado tenta estender os ganhos de ontem, sustentado pela demanda crescente pelo produto dos Estados Unidos. No entanto, a ampla oferta global e as boas condições das lavouras norte-americanas limitam os ganhos. A maior aversão ao risco, com quedas nas bolsas de valores e no preço do petróleo, também impacta o ímpeto comprador.
Prêmios e Exportações
Os preços FOB da soja nos portos brasileiros tiveram poucas alterações na quinta-feira. Houve um ajuste nos prêmios para embarques mais próximos, enquanto Chicago registrou ganhos moderados. As negociações mantiveram um ritmo lento, com prêmios da nova safra subindo acentuadamente no dia. O interesse de compra para embarques em fevereiro e março aumentou consideravelmente, mas os vendedores preferiram esperar por melhores oportunidades, levando em conta o atual ritmo lento de vendas dos agricultores.
Os prêmios de exportação da soja para agosto estavam entre +45 e +60 centavos de dólar sobre Chicago no final da quinta-feira no Porto de Paranaguá. Para setembro de 2024, o prêmio era de +95 a +110 centavos. Para fevereiro de 2025, o prêmio variava entre +15 e +40 pontos, conforme dados da Safras & Mercado.
O preço FOB (flat price) para agosto ficou entre US$ 420,20 e US$ 425,70 por tonelada na quarta-feira. No dia anterior, a cotação oscilou entre R$ 421,50 e R$ 427,10.
Câmbio e Indicadores Financeiros
- O dólar comercial opera em baixa de 0,97%, cotado a R$ 5,4342. O Dollar Index (DXY) subia 0,15%, alcançando 104,33 pontos.
- As principais bolsas da Ásia fecharam em baixa, com exceção de Xangai, que subiu 0,17%. Em Tóquio, houve uma queda de 0,16%.
- Na Europa, as principais bolsas operam em baixa: Paris caiu 0,67%, Frankfurt 0,77% e Londres 0,53%.
- O petróleo registra cotações em baixa, com o WTI para agosto recuando 0,21%, cotado a US$ 82,64 o barril.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil
Published
1 hora agoon
3 de junho de 2026By
Da Redação
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.
Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.
Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural
O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.
Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.
De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.
Agro sente impacto de forma gradual
Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.
O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.
A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.
Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.
Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.
Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.
Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada
Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.
As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.
Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.
Agronegócio acompanha cenário com atenção
Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.
O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.
Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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