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Demanda chinesa em queda e revisão da safra no Centro-Sul impactam mercado de açúcar, aponta Hedgepoint

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Cenário econômico chinês pressiona demanda por açúcar

A China vem enfrentando desafios econômicos persistentes, especialmente no setor imobiliário, caracterizados por deflação e altos níveis de endividamento. Para mitigar os efeitos dessa conjuntura, o governo chinês tem recorrido a estímulos fiscais na tentativa de impulsionar a atividade econômica. A recente intensificação da guerra comercial com os Estados Unidos tende a agravar esse cenário e levanta preocupações adicionais quanto à demanda global por açúcar, sobretudo no que diz respeito às importações chinesas.

De acordo com relatório da Hedgepoint Global Markets, mesmo com fundamentos que sinalizam menor necessidade de compras externas, como a produção doméstica recorde, a China não aproveitou oportunidades recentes de arbitragem em regiões não produtoras, o que poderia ter estimulado aquisições.

Demanda chinesa abaixo do esperado levanta alerta

“Historicamente, mesmo com a arbitragem fechada nas regiões produtoras, a abertura em regiões não produtoras costumava impulsionar as importações. Embora isso não significasse aumento fora das expectativas, era razoável esperar alguma movimentação diante dos preços baixos do açúcar bruto”, analisa Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

A ausência dessas compras, segundo ela, indica que a demanda está de fato enfraquecida ou, ao menos, temporariamente contida, à espera da nova safra brasileira. Como resultado, os preços do açúcar permanecem próximos de 18 centavos de dólar por libra-peso, refletindo a leitura do mercado diante das variáveis macroeconômicas atuais.

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Perspectivas para a safra brasileira são ajustadas para baixo

Apesar do cenário internacional adverso, a Hedgepoint avalia que as perspectivas da safra brasileira continuam positivas. No entanto, uma leve revisão para baixo foi feita nas estimativas de produção. A precipitação abaixo da média nos meses de fevereiro e março afetou a umidade do solo, que atingiu seu nível mais baixo em 30 anos.

A empresa utilizou o Índice de Saúde da Vegetação (VHI), com base em dados do NOAA, para avaliar o impacto nas lavouras de cana-de-açúcar do Centro-Sul. Apesar do estresse hídrico nos primeiros meses do ano, chuvas mais regulares em março e um abril próximo da média permitiram certa recuperação da vegetação.

De acordo com os dados, o VHI não caiu abaixo do nível crítico de 40, o que afasta, por ora, preocupações maiores com estresse hídrico severo.

Revisão na produtividade e área plantada modifica projeções

A atualização do modelo da Hedgepoint, que incorpora dados de precipitação, VHI, temperatura e umidade do solo, aponta para uma redução de 1,1% no TCH (tonelada de cana por hectare). Contudo, ao contrário do que se previa, houve um ligeiro aumento na área plantada, segundo relatos das usinas.

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Com isso, a estimativa de moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul foi revisada de 630 milhões de toneladas para 621,2 milhões de toneladas.

Produção de açúcar também sofre revisão

Mesmo com ajustes na moagem, a Hedgepoint manteve inalteradas suas projeções para o mix de açúcar (51%) e para o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), estimado em 141,2 kg/t.

A produção total de açúcar, no entanto, foi reduzida de 43,3 milhões para 42,6 milhões de toneladas, resultando em uma queda de quase 700 mil toneladas. Isso implicou em uma leve redução no superávit dos fluxos comerciais do setor.

“O Brasil continua sendo um importante fator de pressão baixista para os preços internacionais do açúcar, contribuindo para a manutenção da cotação abaixo dos 18 centavos de dólar por libra-peso”, destaca Lívea Coda.

Safra 2025/2026 pode trazer novas surpresas

Apesar das expectativas positivas, a analista aponta que os primeiros dados da safra 2025/2026, divulgados pela UNICA, podem indicar uma produtividade menor. “Já se espera que a primeira parcela da safra apresente desempenho inferior, pois é composta majoritariamente por cana que sofreu os maiores impactos da seca no ciclo anterior”, afirma Coda.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Chuva falha no Centro-Oeste e sobra no Sul na largada da safra

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Outubro começa com risco de replantio da soja no Centro-Oeste e de paralisação das máquinas no Sul. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuva abaixo da média em Mato Grosso e Goiás, enquanto o Rio Grande do Sul pode receber até 200 milímetros acima do normal em algumas áreas.

O contraste ocorre no início do plantio da safra 2026/27, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 366,6 milhões de toneladas de grãos. A soja deverá ocupar 49,3 milhões de hectares, mas a semeadura ainda ocorre de forma pontual nas áreas de sequeiro de Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul e no Paraná, as condições permitiram o início dos trabalhos.

O maior risco no Centro-Oeste não é apenas o atraso do plantio. O Inmet alerta que chuvas isoladas, seguidas por períodos secos, podem provocar germinação irregular, falhas na formação das lavouras e necessidade de replantio. Em Goiás e no Distrito Federal, as temperaturas podem superar em mais de 2°C a média histórica de outubro, acelerando a perda de água do solo.

A decisão de esperar pela regularização das chuvas também afeta o milho segunda safra. Quanto mais tarde a soja for semeada e colhida, menor será a janela para implantar o cereal dentro do período de menor risco climático.

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No Matopiba, formado por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão também é desfavorável. As precipitações de setembro aliviaram o risco de incêndios, mas não foram suficientes para recompor a umidade do solo na maioria das áreas de sequeiro. O plantio de soja e milho deverá depender de chuvas mais regulares.

Em Mato Grosso do Sul, a condição tende a ser melhor, principalmente no sudoeste e no leste do Estado. Mesmo assim, o centro-norte e o Pantanal podem receber chuva abaixo da média, o que exige atenção antes da entrada das semeadoras.

No Sul, o excesso de umidade cria o problema inverso. A chuva pode reduzir as janelas para o preparo do solo e o plantio de soja, milho e arroz. No Rio Grande do Sul, o acumulado de outubro pode ficar aproximadamente 75 milímetros acima da média e alcançar excesso de até 200 milímetros no oeste do Estado.

O trigo é a cultura mais exposta neste momento. Parte das lavouras está em fases críticas de desenvolvimento ou de colheita. A combinação de chuva frequente e calor favorece doenças como giberela, ferrugem, oídio e manchas foliares, além de aumentar o risco de perda de qualidade e germinação do grão ainda na espiga.

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Em São Paulo, a chuva tende a favorecer o plantio da soja e o desenvolvimento da cana-de-açúcar, das pastagens e das hortaliças. Minas Gerais e Espírito Santo, porém, devem enfrentar precipitações irregulares e temperaturas elevadas. Para o café, a condição pode prejudicar a uniformidade da florada e o pegamento dos frutos.

A previsão é influenciada pelo El Niño, que tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O fenômeno ajuda a explicar a tendência de seca no Centro-Norte e chuva acima da média no Sul, mas não determina sozinho o volume que cairá em cada propriedade.

Para o produtor, a recomendação prática é não definir a semeadura apenas pela ocorrência de uma chuva. No Centro-Oeste, será necessário conferir se existe umidade suficiente no perfil do solo para sustentar a emergência das plantas. No Sul, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo seco sem entrar com máquinas em áreas encharcadas.

Fonte: Pensar Agro

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