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Déficit das contas externas cresce 60% no 1º trimestre; investimento estrangeiro diminui, aponta Banco Central

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Déficit externo avança no início do ano

O déficit das contas externas brasileiras registrou uma alta de aproximadamente 60% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (28).

Segundo a instituição, as transações correntes — que englobam a balança comercial, serviços e rendas — apresentaram um déficit de US$ 19,67 bilhões entre janeiro e março deste ano, frente aos US$ 12,39 bilhões registrados nos três primeiros meses de 2024.

As transações correntes refletem o fluxo de dinheiro entre o Brasil e o exterior, excluindo a conta financeira (que contabiliza investimentos). Quando há déficit, significa que o país enviou mais recursos para o exterior do que recebeu, principalmente via importações de bens e serviços, além da remessa de lucros, juros e dividendos.

O Banco Central observa que, em geral, o aumento do déficit nas contas externas está associado ao crescimento econômico. Com a expansão da economia, há maior demanda por produtos e serviços estrangeiros, elevando, consequentemente, o volume de gastos externos.

Balança comercial é o principal fator de piora

A deterioração das contas externas no primeiro trimestre de 2025 deve-se, principalmente, ao desempenho mais fraco da balança comercial.

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O superávit comercial — diferença entre exportações e importações — atingiu US$ 7,87 bilhões no período, resultado inferior ao saldo positivo de US$ 16,3 bilhões registrado no mesmo trimestre do ano anterior.

Em 2024, o déficit em conta corrente totalizou cerca de US$ 60 bilhões, valor já revisado pelo Banco Central. Para o fechamento de 2025, a projeção da instituição é de um déficit de aproximadamente US$ 58 bilhões.

Queda nos investimentos estrangeiros diretos

O Banco Central também reportou queda nos investimentos estrangeiros diretos (IED) na economia brasileira no início deste ano.

Entre janeiro e março, os aportes somaram US$ 14,19 bilhões, abaixo dos US$ 16,58 bilhões registrados no mesmo período de 2024.

Esse volume de investimentos não foi suficiente para cobrir o déficit de US$ 19,67 bilhões nas contas externas no primeiro trimestre. Quando isso ocorre, o país precisa recorrer a outros fluxos financeiros, como aplicações em portfólio, para suprir a diferença — que, neste caso, foi relativamente pequena.

Em 2024, os investimentos estrangeiros diretos no Brasil alcançaram US$ 71,1 bilhões. A projeção do Banco Central para 2025 é de que os aportes totalizem US$ 70 bilhões.

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Gastos de brasileiros no exterior atingem maior nível em seis anos

Os gastos de brasileiros no exterior totalizaram US$ 4,9 bilhões nos três primeiros meses de 2025, segundo o Banco Central.

Esse é o maior valor para o período desde 2018, quando as despesas chegaram a US$ 4,93 bilhões. A série histórica dessas estatísticas, mantida pela instituição, teve início em 1995.

De acordo com analistas, as despesas no exterior são influenciadas, sobretudo, por dois fatores: o nível de atividade econômica, que afeta a renda da população, e a cotação do dólar. Apesar da queda da moeda norte-americana no início de 2025, seu valor continua acima da média registrada nos últimos anos, o que ainda impõe custos mais elevados para quem gasta fora do país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Falta de boi pronto leva arroba a R$ 365 no fim de setembro

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A oferta reduzida de animais terminados levou o preço do boi gordo a encerrar setembro em alta nas principais regiões produtoras. Em São Paulo, a cotação média chegou a R$ 365,33 por arroba na quarta-feira, 30, ante R$ 362,25 no dia anterior.

A valorização ocorre num período de transição para a pecuária. Os animais mantidos a pasto atravessaram os meses de seca e ainda dependem da recuperação das pastagens para ganhar peso. Ao mesmo tempo, a entrada de bois confinados não foi suficiente para ampliar significativamente a oferta disponível no mercado.

O resultado aparece nas escalas de abate, concentradas entre seis e sete dias úteis. Esse prazo não indica falta generalizada de gado, mas mostra que os frigoríficos precisam negociar com maior frequência para manter suas unidades em funcionamento.

As maiores indústrias atravessam esse período com mais tranquilidade porque contam com animais de confinamentos próprios, contratos antecipados e parcerias com produtores. Os frigoríficos de pequeno e médio porte, mais dependentes das compras diárias, encontram maior dificuldade para completar as programações e acabam oferecendo preços mais altos por lotes prontos.

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A reação foi registrada em diferentes praças. Em Goiás, a cotação média alcançou R$ 351,25 por arroba. Minas Gerais chegou a R$ 350,88, Mato Grosso do Sul a R$ 357,61 e Mato Grosso a R$ 340,61.

O movimento não significa que todos os negócios estejam sendo fechados nesses valores. As condições variam conforme o padrão dos animais, a distância até o frigorífico, o prazo de pagamento e a necessidade de cada indústria. Bois destinados à exportação também podem receber valores diferentes.

A demanda externa ajudou a manter o ritmo dos abates durante parte de setembro, mas não explica sozinha a valorização. A alta ocorreu mesmo com a suspensão das vendas de carne bovina para a União Europeia e com a aproximação do limite imposto pela China às importações brasileiras.

Essas restrições podem afetar o mercado nos próximos meses, mas tiveram peso menor que a falta de animais terminados na formação do preço no encerramento de setembro. No curto prazo, a indústria precisa comprar gado para manter as linhas de abate, independentemente das incertezas sobre alguns destinos.

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No atacado, os preços da carne bovina também permaneceram firmes. O quarto dianteiro foi negociado a R$ 21,50 por quilo, o traseiro a R$ 28 e a ponta de agulha a R$ 20. A entrada do mês pode estimular a reposição dos estoques pelo varejo, embora a carne bovina continue enfrentando a concorrência do frango.

Para o produtor que possui boi pronto, o momento aumenta o poder de negociação, especialmente nas regiões em que os frigoríficos estão com escalas mais curtas. A recuperação das pastagens e a entrada de novos lotes de confinamento determinarão por quanto tempo essa vantagem será mantida.

Fonte: Pensar Agro

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