AGRONEGÓCIO
Curtailment: O Novo Desafio para o Setor Elétrico Brasileiro
Publicado em
22 de outubro de 2024por
Da Redação
O termo curtailment – que em português pode ser traduzido como “corte de geração” – tornou-se uma preocupação crescente para as usinas eólicas e solares no Brasil. À medida que essas fontes de energia renovável ganham maior participação na matriz elétrica nacional, novos desafios operacionais surgem, exigindo ajustes para equilibrar oferta e demanda em tempo real.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) precisa constantemente ajustar o volume de geração ao consumo. Com o aumento da geração solar e eólica, há momentos em que a oferta supera a demanda, especialmente no submercado Nordeste, forçando o desligamento temporário de diversas plantas, incluindo hidrelétricas, para manter a estabilidade do sistema.
Em certos momentos do dia, como no final da tarde, quando a geração solar diminui abruptamente, é necessário acionar outras fontes de energia, como hidrelétricas e termelétricas, o que também leva ao desligamento antecipado de usinas solares e eólicas. Essas medidas são essenciais para garantir a confiabilidade do sistema, mas resultam na redução da geração de energia dessas fontes renováveis, processo conhecido como curtailment.
O regulamento que trata dessas interrupções está previsto na Resolução Normativa 1.030/2022 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que define três tipos de cortes: por indisponibilidade externa, confiabilidade elétrica e restrição energética. Contudo, apenas o corte por indisponibilidade externa, relacionado à falha no sistema de transmissão, gera direito a compensação financeira.
Os cortes de geração nas usinas solares e eólicas no Nordeste tiveram um aumento expressivo em 2024. Em setembro, o corte médio nas usinas solares subiu para 34,8%, contra 4,8% em abril. Para as usinas eólicas, o salto foi de 2,2% para 18,1% no mesmo período. Esse aumento foi impulsionado pelo crescimento nos cortes de confiabilidade elétrica, que passaram de 1,3% em abril para 12,6% em setembro no caso das eólicas, e de 1,9% para 20,5% nas solares.
Esses cortes impactam financeiramente as empresas de duas maneiras: pela exposição ao Mercado de Curto Prazo (MCP), que é calculada com base no Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), e pela degradação da garantia física, revisada anualmente. De acordo com a FSET, os cortes ocorridos em 2024 geraram prejuízos de R$ 711 milhões para as usinas eólicas e R$ 165 milhões para as solares.
O cenário tende a se agravar com a entrada de novas usinas renováveis no sistema, e as empresas já estão buscando medidas administrativas e judiciais para mitigar os impactos financeiros, semelhante ao que ocorreu com o GSF (Generation Scaling Factor) no passado, que levou a disputas judiciais.
Opinião de Ivo Pugnaloni, CEO da ENERCONS
Para o engenheiro eletricista e CEO da ENERCONS, Ivo Pugnaloni, a geração solar sozinha não é suficiente para sustentar o crescimento da demanda elétrica, principalmente devido à sua intermitência, já que a produção é afetada por condições climáticas e horários. Pugnaloni enfatiza a necessidade de complementar essa geração com fontes hidrelétricas ou termelétricas para garantir o suprimento contínuo.
Ele também lamenta a falta de avanços na precificação das externalidades ambientais – benefícios e prejuízos adicionais ao meio ambiente – no setor elétrico, conforme previsto pela legislação. Segundo ele, o Ministério de Minas e Energia (MME) corre o risco de judicialização se não seguir as diretrizes para a consideração desses fatores, conforme estipulado pela Lei 9.784/99.
Pugnaloni conclui destacando que, sem novas hidrelétricas para complementar a geração solar e eólica, o Brasil dependerá cada vez mais das termelétricas, que já representam mais de 37% da capacidade instalada no país, um cenário que, segundo ele, preocupa diante da influência de lobbies no setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Pecuária leiteira enfrenta desafio de rentabilidade em meio a custos elevados e mudanças climáticas
Published
30 minutos agoon
7 de julho de 2026By
Da Redação
A pecuária leiteira brasileira atravessa um momento de desafios para transformar produção em rentabilidade. Embora o Brasil tenha ultrapassado a marca de 38 bilhões de litros de leite produzidos em 2025, consolidando-se entre os maiores produtores mundiais, a rentabilidade das fazendas continua pressionada por custos elevados, oscilações climáticas e necessidade crescente de eficiência produtiva.
Segundo análise da médica-veterinária Vanessa Amorim Teixeira, mestre e doutora em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e analista de mercado agro da Belgo Arames, o cenário exige que o produtor vá além do aumento da produção e concentre esforços na gestão da propriedade e na otimização dos recursos.
Preço do leite reage, mas ainda não recupera margens
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o preço médio nacional do leite cru pago ao produtor alcançou R$ 2,66 por litro em abril de 2026, demonstrando recuperação em relação aos meses anteriores.
Apesar da melhora, a remuneração permanece inferior aos R$ 2,74 registrados em abril de 2025 e distante do recorde histórico de R$ 3,57 por litro, alcançado em julho de 2022.
Ao mesmo tempo, despesas com energia elétrica, mão de obra, suplementação alimentar e outros custos operacionais continuam reduzindo as margens da atividade.
Clima aumenta pressão sobre os sistemas de produção
Outro fator de preocupação é o comportamento climático. A formação do fenômeno El Niño pode provocar temperaturas mais elevadas e maior irregularidade das chuvas em diversas regiões produtoras, comprometendo a disponibilidade e a qualidade das pastagens.
Como grande parte da pecuária leiteira brasileira depende do pastejo, a redução da oferta de forragem tende a impactar diretamente o consumo de nutrientes pelos animais, reduzindo a produção de leite.
Além disso, a menor disponibilidade de água e alimento pode aumentar o estresse do rebanho, comprometendo o bem-estar animal, a saúde e o desempenho produtivo.
Planejamento torna-se fator decisivo para a rentabilidade
Diante desse cenário, especialistas destacam que a sustentabilidade econômica da atividade depende cada vez mais da eficiência da gestão.
Entre as principais estratégias recomendadas estão:
- planejamento da alimentação para os períodos de seca;
- formação de reservas estratégicas de forragem;
- monitoramento constante dos indicadores técnicos e financeiros;
- controle rigoroso dos custos de produção;
- manejo adequado das pastagens;
- adoção de sistemas de pastejo rotacionado.
Essas práticas permitem aumentar o aproveitamento dos recursos da propriedade e reduzir a vulnerabilidade diante das oscilações de mercado e do clima.
Infraestrutura pode elevar produtividade e reduzir custos
Os investimentos em infraestrutura também ganham importância dentro das propriedades leiteiras. Um dos exemplos é o cercamento estratégico das áreas de pastejo, que possibilita a divisão das pastagens em piquetes para manejo rotacionado.
Esse sistema favorece a recuperação das forrageiras, melhora a utilização da área disponível, aumenta a capacidade de suporte da propriedade e reduz a necessidade de suplementação alimentar, um dos principais componentes do custo de produção.
Como consequência, os produtores podem obter ganhos como:
- aumento da produção de leite por hectare;
- maior produtividade por animal;
- redução dos gastos com alimentação suplementar;
- melhor aproveitamento das pastagens;
- menor custo de manutenção das áreas de manejo.
Tecnologia e gestão fortalecem a competitividade
Segundo Vanessa Amorim Teixeira, investir em infraestrutura de qualidade e em tecnologias voltadas para o manejo do rebanho e das pastagens deixou de ser apenas uma melhoria operacional e passou a representar uma estratégia de gestão.
A especialista destaca que soluções como cercas elétricas de alta durabilidade facilitam a implantação do pastejo rotacionado, exigem menos manutenção e contribuem para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.
Em um cenário marcado por custos elevados e maior instabilidade climática, propriedades que investem em planejamento, tecnologia e infraestrutura tendem a construir sistemas mais resilientes, sustentáveis e competitivos, preparados para enfrentar os desafios da pecuária leiteira nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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