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Curtailment: O Novo Desafio para o Setor Elétrico Brasileiro

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O termo curtailment – que em português pode ser traduzido como “corte de geração” – tornou-se uma preocupação crescente para as usinas eólicas e solares no Brasil. À medida que essas fontes de energia renovável ganham maior participação na matriz elétrica nacional, novos desafios operacionais surgem, exigindo ajustes para equilibrar oferta e demanda em tempo real.

O Operador Nacional do Sistema (ONS) precisa constantemente ajustar o volume de geração ao consumo. Com o aumento da geração solar e eólica, há momentos em que a oferta supera a demanda, especialmente no submercado Nordeste, forçando o desligamento temporário de diversas plantas, incluindo hidrelétricas, para manter a estabilidade do sistema.

Em certos momentos do dia, como no final da tarde, quando a geração solar diminui abruptamente, é necessário acionar outras fontes de energia, como hidrelétricas e termelétricas, o que também leva ao desligamento antecipado de usinas solares e eólicas. Essas medidas são essenciais para garantir a confiabilidade do sistema, mas resultam na redução da geração de energia dessas fontes renováveis, processo conhecido como curtailment.

O regulamento que trata dessas interrupções está previsto na Resolução Normativa 1.030/2022 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que define três tipos de cortes: por indisponibilidade externa, confiabilidade elétrica e restrição energética. Contudo, apenas o corte por indisponibilidade externa, relacionado à falha no sistema de transmissão, gera direito a compensação financeira.

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Os cortes de geração nas usinas solares e eólicas no Nordeste tiveram um aumento expressivo em 2024. Em setembro, o corte médio nas usinas solares subiu para 34,8%, contra 4,8% em abril. Para as usinas eólicas, o salto foi de 2,2% para 18,1% no mesmo período. Esse aumento foi impulsionado pelo crescimento nos cortes de confiabilidade elétrica, que passaram de 1,3% em abril para 12,6% em setembro no caso das eólicas, e de 1,9% para 20,5% nas solares.

Esses cortes impactam financeiramente as empresas de duas maneiras: pela exposição ao Mercado de Curto Prazo (MCP), que é calculada com base no Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), e pela degradação da garantia física, revisada anualmente. De acordo com a FSET, os cortes ocorridos em 2024 geraram prejuízos de R$ 711 milhões para as usinas eólicas e R$ 165 milhões para as solares.

O cenário tende a se agravar com a entrada de novas usinas renováveis no sistema, e as empresas já estão buscando medidas administrativas e judiciais para mitigar os impactos financeiros, semelhante ao que ocorreu com o GSF (Generation Scaling Factor) no passado, que levou a disputas judiciais.

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Opinião de Ivo Pugnaloni, CEO da ENERCONS

Para o engenheiro eletricista e CEO da ENERCONS, Ivo Pugnaloni, a geração solar sozinha não é suficiente para sustentar o crescimento da demanda elétrica, principalmente devido à sua intermitência, já que a produção é afetada por condições climáticas e horários. Pugnaloni enfatiza a necessidade de complementar essa geração com fontes hidrelétricas ou termelétricas para garantir o suprimento contínuo.

Ele também lamenta a falta de avanços na precificação das externalidades ambientais – benefícios e prejuízos adicionais ao meio ambiente – no setor elétrico, conforme previsto pela legislação. Segundo ele, o Ministério de Minas e Energia (MME) corre o risco de judicialização se não seguir as diretrizes para a consideração desses fatores, conforme estipulado pela Lei 9.784/99.

Pugnaloni conclui destacando que, sem novas hidrelétricas para complementar a geração solar e eólica, o Brasil dependerá cada vez mais das termelétricas, que já representam mais de 37% da capacidade instalada no país, um cenário que, segundo ele, preocupa diante da influência de lobbies no setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agrodefesa e CropLife Brasil lançam guia para proteger abelhas e fortalecer polinização no agronegócio

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A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) e a CropLife Brasil lançaram o “Guia de Boas Práticas Agrícolas para Preservação dos Polinizadores”, publicação voltada à conscientização e capacitação de produtores rurais, técnicos e profissionais do agro sobre a importância das abelhas para a produção de alimentos e para a sustentabilidade no campo.

O material digital destaca medidas de proteção aos polinizadores, orientações técnicas para o uso correto de insumos agrícolas e reforça a importância do cadastro de apiários em Goiás. A publicação está disponível gratuitamente no site oficial da Agrodefesa.

Abelhas são essenciais para a produção agrícola

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, mais de 75% das culturas agrícolas e plantas silvestres dependem da polinização realizada por abelhas e outros insetos polinizadores.

Diante desse cenário, a iniciativa busca ampliar a conscientização sobre a necessidade de conciliar produtividade agrícola, preservação ambiental e proteção da biodiversidade.

De acordo com Rafael Vieira, o guia foi desenvolvido para incentivar práticas sustentáveis e fortalecer a convivência harmoniosa entre produção agropecuária e preservação dos agentes polinizadores.

O dirigente ressalta que o cuidado com as abelhas se tornou uma preocupação global e exige cada vez mais ações de educação sanitária e boas práticas no campo.

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Cadastro de apiários ganha destaque em Goiás

Um dos principais pontos abordados na publicação é a importância do cadastro de apiários junto à Agrodefesa.

Segundo Bruno Rodrigues de Pádua, o cadastramento permite mapear a atividade apícola e meliponícola no estado, contribuindo para o planejamento de ações de defesa agropecuária e monitoramento sanitário.

As informações coletadas auxiliam na preservação da saúde das colmeias e na garantia da qualidade dos produtos apícolas produzidos em Goiás.

O guia também reforça a obrigatoriedade da emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) para movimentação de colmeias, além da necessidade de comunicação imediata de mortalidade anormal de abelhas ou suspeitas de doenças.

Guia orienta sobre uso correto de insumos agrícolas

A publicação apresenta ainda uma seção específica com recomendações técnicas intitulada “9 práticas de campo que protegem as abelhas”.

Entre os temas abordados estão o uso responsável de defensivos agrícolas, manejo adequado das aplicações e adoção de tecnologias voltadas à proteção de organismos não-alvo, especialmente os insetos polinizadores.

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Segundo Pedro Duarte, os insumos agrícolas são ferramentas estratégicas para garantir produtividade e controle de pragas, mas exigem capacitação técnica para que sejam utilizados de forma segura e sustentável.

Ele destaca que a proteção das abelhas é fundamental para a biodiversidade e para a manutenção da produtividade agrícola no longo prazo.

Cooperação fortalece sustentabilidade no agro

O lançamento do guia integra as ações previstas no Acordo de Cooperação Técnica nº 05/2021, firmado entre a Agrodefesa e a CropLife Brasil.

A parceria tem como objetivo promover práticas agrícolas sustentáveis, fortalecer a educação sanitária no campo e ampliar iniciativas de preservação ambiental relacionadas à atividade agropecuária.

Com o avanço das discussões sobre sustentabilidade e segurança alimentar, a proteção dos polinizadores vem ganhando cada vez mais espaço dentro das estratégias do agronegócio brasileiro.

Guia de Boas Práticas Agrícolas para Preservação dos Polinizadores

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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