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Demanda da China por alimentos dá sinais de estabilização e pode mudar dinâmica das exportações do agro brasileiro

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Crescimento do consumo chinês perde força após décadas de expansão

A forte expansão da demanda chinesa por alimentos, que impulsionou as exportações do agronegócio brasileiro nas últimas décadas, começa a apresentar sinais de desaceleração.

Um estudo desenvolvido pela Embrapa Territorial em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) mostra que o consumo per capita de alimentos na China está se aproximando de um processo de estabilização, movimento considerado natural em economias mais desenvolvidas.

O levantamento foi publicado na Revista de Economia Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Lei de Engel explica desaceleração do consumo alimentar

Segundo a analista Daniela Tatiane de Santos, o comportamento segue a chamada Lei de Engel, teoria econômica que descreve mudanças no padrão de consumo conforme aumenta a renda das famílias.

Em fases iniciais de crescimento econômico, a alimentação absorve grande parte da renda adicional. Porém, após determinado nível de desenvolvimento, o consumo alimentar entra em saturação e os recursos passam a ser direcionados para:

  • Lazer
  • Serviços
  • Bens duráveis
  • Qualidade de vida
Consumo de carnes, frutas e leite perde ritmo de crescimento

O estudo mostra que categorias importantes da alimentação chinesa continuam crescendo, mas em ritmo significativamente menor do que nas décadas anteriores.

Entre os produtos em desaceleração estão:

  • Carnes
  • Leite
  • Frutas
  • Verduras
  • Legumes

O caso do leite chama atenção: o crescimento anual superior a 10% registrado nos anos 2000 caiu para apenas 0,6% entre os períodos de 2010-2012 e 2020-2022.

China já supera Brasil e Europa em consumo de alguns alimentos

Os pesquisadores apontam que parte dessa desaceleração ocorre porque o consumo alimentar da população chinesa já atingiu níveis muito elevados.

O consumo anual per capita de frutas, por exemplo, saltou de 4,3 quilos na década de 1960 para 108,7 quilos em 2022 — volume superior ao registrado no Brasil.

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Nas carnes, o avanço também foi expressivo:

  • Década de 1960: 9,9 kg per capita/ano
  • Ano de 2022: 107 kg per capita/ano

O patamar já supera médias observadas em diversos países europeus.

Segundo Marcelo Pinho, existe um limite fisiológico e econômico para o crescimento contínuo da alimentação.

“As pessoas vão aumentando e diversificando o consumo de alimentos, mas há um ponto de saturação”, explica o pesquisador.

Café e chá seguem entre os poucos alimentos em aceleração

Apesar do amadurecimento do mercado alimentar chinês, alguns segmentos ainda apresentam crescimento acelerado.

Entre eles:

  • Café
  • Chá
  • Óleo de girassol

No caso do café, os pesquisadores destacam fatores como:

  • Urbanização acelerada
  • Crescimento da classe média
  • Influência de hábitos ocidentais

Já produtos como raízes, tubérculos, carne suína e bebidas alcoólicas apresentam retração de consumo.

China mantém estratégia de reduzir dependência externa de alimentos

O estudo destaca que a China continua priorizando a produção doméstica de alimentos para consumo humano direto, ao mesmo tempo em que amplia importações de insumos estratégicos, especialmente soja.

A preocupação com segurança alimentar é considerada central para o governo chinês devido:

  • Ao tamanho da população
  • À limitação de terras agricultáveis
  • Ao histórico de crises alimentares

Dos seis alimentos mais consumidos pelos chineses — arroz, trigo, ovos, carne suína, leite e carne de aves — apenas o leite possui coeficiente de importação acima de 10%.

Soja brasileira segue estratégica para abastecimento chinês

Segundo os pesquisadores, o forte crescimento das exportações brasileiras na última década ocorreu principalmente pela ampliação das compras chinesas de:

  • Soja para ração animal
  • Celulose
  • Insumos agroindustriais

O país asiático mantém abertura maior para matérias-primas e produtos intermediários, enquanto busca limitar dependência externa de alimentos prontos para consumo.

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O professor Marcelo Pinho lembra que a China já adotou medidas para conter maior dependência de carne bovina importada quando o volume atingiu níveis considerados elevados.

Especialistas alertam para necessidade de diversificação de mercados

Apesar de não indicar queda imediata das exportações brasileiras, o estudo aponta que o ritmo de crescimento observado nos últimos 20 anos tende a perder intensidade.

Para Gustavo Spadotti, o Brasil precisa ampliar sua estratégia comercial e reduzir vulnerabilidades.

O pesquisador alerta para a dupla dependência brasileira da China:

  • Como principal comprador do agro nacional
  • Como fornecedora estratégica de fertilizantes

Segundo ele, a suspensão das exportações chinesas de fosfatados em março de 2026 reforçou o risco geopolítico para o setor.

Infraestrutura e novos mercados entram no radar do agro

Especialistas defendem que o agronegócio brasileiro avance em:

  • Diversificação de mercados internacionais
  • Investimentos em logística
  • Ampliação da autonomia em fertilizantes
  • Fortalecimento de acordos comerciais

Entre os destinos estratégicos citados estão:

  • União Europeia
  • Oriente Médio
  • Países parceiros do Mercosul
Brasil segue competitivo, mas cenário exige estratégia de longo prazo

Outro estudo da Embrapa e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) destaca que o Brasil construiu uma relação de forte complementaridade com a China graças às vantagens agroecológicas e à competitividade da produção nacional.

No entanto, os autores alertam que a sustentabilidade futura dessa relação dependerá cada vez mais de:

  • Diplomacia comercial
  • Segurança institucional
  • Planejamento estratégico
  • Redução de riscos geopolíticos

O cenário reforça que o futuro das exportações brasileiras dependerá não apenas da capacidade produtiva do campo, mas também da habilidade do país em ampliar mercados e consolidar relações comerciais de longo prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Compactação do solo ameaça produtividade no plantio direto e exige diagnóstico preciso no campo

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A compactação do solo segue entre os principais desafios silenciosos da agricultura brasileira e pode comprometer diretamente a produtividade das lavouras, especialmente em áreas conduzidas sob sistema de plantio direto. O problema limita o crescimento das raízes, reduz a infiltração de água e dificulta o aproveitamento de nutrientes pelas culturas.

Com mais de 35 milhões de hectares cultivados em plantio direto no Brasil, o manejo adequado da estrutura do solo tornou-se estratégico para garantir estabilidade produtiva, reduzir erosão e ampliar a eficiência das operações agrícolas. Nesse cenário, o diagnóstico correto das áreas compactadas e o uso de tecnologias adequadas ganham papel decisivo dentro das propriedades rurais.

Segundo Douglas Fahl Vitor, engenheiro agrônomo e Head de Inovação da Piccin Equipamentos, o primeiro passo para combater a compactação é identificar corretamente os talhões mais suscetíveis ao problema.

“É fundamental mapear as áreas com maior risco de compactação, seja por histórico de manejo, análise da mineralogia da argila ou medições com penetrômetro. Com essas informações, o produtor consegue definir com precisão onde e quando intervir”, afirma o especialista.

Compactação reduz infiltração de água e limita desenvolvimento radicular

Na prática, a compactação funciona como uma barreira física no perfil do solo. O fenômeno dificulta o avanço das raízes em profundidade e reduz a capacidade de infiltração da água, afetando diretamente a resistência das lavouras em períodos de déficit hídrico.

O problema costuma estar associado ao tráfego intenso de máquinas agrícolas, principalmente em condições inadequadas de umidade. Com o aumento do peso dos equipamentos utilizados no campo nos últimos anos, os riscos de compactação em camadas mais profundas também cresceram.

Entre os sinais mais comuns observados nas lavouras estão:

  • Desenvolvimento desuniforme das plantas;
  • Encharcamento localizado;
  • Dificuldade de infiltração de água;
  • Raízes tortuosas;
  • Maior esforço das máquinas durante as operações agrícolas.

Além dos impactos agronômicos, o manejo incorreto também pode elevar os custos operacionais, especialmente no consumo de diesel.

Profundidade incorreta aumenta gasto de combustível

De acordo com o especialista, um dos erros mais frequentes no manejo da compactação é trabalhar em profundidade superior à necessária.

“Quando o produtor atua abaixo da camada realmente compactada, ocorre desperdício de combustível sem retorno agronômico. Já operações realizadas em solo excessivamente úmido podem provocar nova compactação nas laterais do sulco”, explica.

O ideal, segundo ele, é que o solo apresente ruptura adequada durante a operação, sem efeito de “laminação”, indicando condição correta de umidade.

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Escarificadores e descompactadores ganham espaço no manejo do solo

Entre os principais equipamentos utilizados para romper camadas compactadas no plantio direto estão os escarificadores e os descompactadores.

Embora ambos tenham função semelhante, existe diferença importante na profundidade de atuação.

O escarificador atua em camadas mais rasas, enquanto o descompactador trabalha em maiores profundidades, sendo indicado em áreas onde o problema ocorre abaixo da superfície, situação cada vez mais comum em regiões de agricultura intensiva.

A linha Advanced de descompactadores da Piccin Equipamentos vem registrando crescimento de demanda justamente por permitir maior modularidade, facilidade operacional e adaptação conforme a potência dos tratores utilizados na propriedade.

Outro diferencial está no ajuste de espaçamento entre hastes, recurso que influencia diretamente no consumo de combustível.

Segundo Douglas Fahl Vitor, regulagens corretas podem reduzir entre 20% e 40% o consumo de diesel durante as operações de descompactação.

Plantas de cobertura ajudam na manutenção biológica do solo

Além da intervenção mecânica, o manejo biológico também se tornou ferramenta importante na preservação da estrutura física do solo.

Plantas de cobertura com raízes agressivas, como nabo-forrageiro, crotalária e guandu, auxiliam na formação de canais naturais no perfil do solo, favorecendo infiltração de água e desenvolvimento radicular das culturas comerciais.

Em áreas com compactação mais severa, a recomendação técnica costuma envolver a combinação entre descompactação mecânica e manutenção biológica ao longo das safras.

Janela operacional exige atenção às condições de umidade

A descompactação normalmente ocorre durante a entressafra, mas o sucesso da operação depende diretamente das condições de umidade do solo.

Em regiões com períodos chuvosos mais longos, a janela operacional tende a ser maior. Já em áreas de clima mais seco, o produtor precisa aproveitar momentos logo após precipitações para obter melhor eficiência no trabalho.

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O especialista alerta que entrar com máquinas em áreas excessivamente úmidas pode agravar ainda mais o problema.

Por isso, práticas como zoneamento de risco, planejamento das rotas de máquinas e uso de pneus de alta flutuação tornam-se aliados importantes na redução da pressão exercida sobre o solo.

Compactação pode derrubar produtividade do milho e da soja

Pesquisas científicas já demonstram impactos expressivos da compactação sobre o desempenho das lavouras.

Estudos indicam que níveis de resistência à penetração de 1,65 MPa em Latossolo Vermelho podem reduzir em até 38% a produtividade do milho.

Na soja, perdas de até 18% na densidade radicular já foram registradas em situações com resistência a partir de 0,85 MPa.

Valores próximos de 2,0 MPa já acendem o alerta técnico em diversas culturas, principalmente em anos de veranico, cenário cada vez mais frequente no Cerrado brasileiro.

“Quando as raízes encontram barreiras físicas, deixam de explorar camadas mais profundas em busca de água. Corrigir a compactação aumenta a resiliência da lavoura diante do estresse hídrico”, destaca o engenheiro agrônomo.

Planejamento e monitoramento são fundamentais

Para evitar perdas produtivas e desperdícios operacionais, especialistas reforçam a necessidade de monitoramento contínuo do solo.

Entre as principais recomendações estão:

  • Realização periódica de análises de penetrometria;
  • Mapeamento da mineralogia da argila;
  • Ajuste correto da profundidade de trabalho;
  • Definição de talhões prioritários;
  • Uso de rotação de culturas e plantas de cobertura.

Segundo Douglas Fahl Vitor, investir em diagnóstico custa menos do que lidar com prejuízos provocados por decisões tomadas sem informação técnica.

“O solo é o principal patrimônio da propriedade rural. O plantio direto só alcança todo seu potencial quando as condições físicas estão adequadas. A compactação pode ser corrigida com planejamento, informação e ferramentas corretas”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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