AGRONEGÓCIO
Cuiabá reduz mais de 146 mil pacientes na fila da saúde e acelera acesso a consultas, exames e cirurgias
Publicado em
22 de março de 2026por
Da Redação
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), registrou uma queda expressiva na fila de espera por consultas, exames e cirurgias entre agosto de 2025 e março de 2026. O avanço é resultado direto de um conjunto de ações coordenadas pela Secretaria Adjunta de Atenção Hospitalar e Complexo Regulador, que reorganizou fluxos, ampliou a oferta de serviços e intensificou a busca ativa de pacientes.
No período, a demanda reprimida ambulatorial caiu de 421.981 para 323.759 solicitações, uma redução de 146.818 pacientes na fila. Do total atual, 48.596 são solicitações inseridas já em 2026, o que evidencia não apenas a diminuição do passivo histórico, mas também maior capacidade de resposta às novas demandas.
A secretária municipal de Saúde, Danielle Carmona, destaca que a redução das filas representa um avanço concreto no acesso da população aos serviços.
“Estamos enfrentando um passivo histórico com planejamento, responsabilidade e foco em resultado. Reduzir filas não é apenas um número, é garantir que o paciente tenha acesso ao diagnóstico e ao tratamento no tempo certo. Isso muda completamente o desfecho clínico e a qualidade de vida da população”, afirmou.
A melhora alcança tanto exames quanto consultas especializadas. Os exames de média e alta complexidade passaram de 221.875 para 174.045 solicitações, uma redução de 47.830. Já as consultas especializadas em Cuiabá saíram de 199.208 para 149.714, com diminuição de 49.494 pacientes aguardando atendimento.
Na alta complexidade, os resultados são ainda mais expressivos. A fila para tomografia computadorizada caiu de 4.108 para 827 pacientes do interior, com agendamento em tempo real já disponível para moradores de Cuiabá. A cintilografia óssea praticamente zerou, passando de 533 para apenas 6 pacientes.
A secretária adjunta de Atenção Hospitalar e Complexo Regulador, Susana Gutierrez, ressalta que a reorganização da regulação foi determinante para os resultados.
“Reestruturamos fluxos, qualificamos as informações no sistema e intensificamos a busca ativa de pacientes. Isso nos permitiu dar mais transparência e eficiência à fila, além de acelerar o encaminhamento para consultas, exames e cirurgias. Hoje, conseguimos dar respostas mais rápidas e assertivas para quem precisa do SUS em Cuiabá”, pontuou.
Procedimentos como capsulotomia a YAG laser reduziram de 1.227 para 407 solicitações, enquanto as cirurgias oftalmológicas caíram de 4.839 para 3.949. Também houve redução em exames de alta complexidade, de 8.445 para 7.214, e nas consultas para gestação de alto risco, de 448 para 397.
Outro destaque é a redução na fila de cirurgias eletivas, que passou de 24.071 para 17.128 solicitações, uma queda de 7.071 pacientes. Entre as especialidades, os maiores avanços foram registrados em cirurgia geral (redução de 2.425), ortopedia e traumatologia (2.268), otorrinolaringologia (841) e nefrologia/urologia (482).
Entre os procedimentos, a colecistectomia caiu de 797 para 491 pacientes, a cirurgia de hérnia inguinal unilateral de 456 para 162, e a hérnia umbilical de 276 para 88. Procedimentos como postectomia e vasectomia também tiveram reduções significativas e já operam com fluxo ágil, sendo autorizados poucos dias após a solicitação.
A reorganização da fila de regulação tem impacto direto na vida da população. Com menos tempo de espera, há maior chance de diagnóstico precoce, início mais rápido do tratamento e redução de complicações clínicas, além de aliviar a pressão sobre os atendimentos de urgência e emergência.
Os avanços são resultado de medidas estratégicas adotadas pela gestão municipal, como a realização de mutirões assistenciais, ampliação da oferta por meio de emendas parlamentares e do programa Fila Zero, além da qualificação e organização das filas no sistema de regulação.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
AGRONEGÓCIO
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
Published
1 dia agoon
23 de agosto de 2026By
Da Redação
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
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