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Crise na suinocultura: queda de 17,2% no preço do suíno amplia prejuízos em Santa Catarina

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A suinocultura de Santa Catarina atravessa um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A queda de 17,2% no preço base do suíno desde o início de 2026 tem ampliado os prejuízos nas propriedades e reduzido drasticamente a rentabilidade da atividade. O alerta foi feito pelo presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que estima perdas de até R$ 150 por animal enviado ao abate.

Segundo o dirigente, a crise atinge tanto produtores integrados quanto independentes, em um cenário marcado pelo excesso de oferta no mercado interno, valorização do real frente ao dólar e aumento contínuo dos custos de produção.

Preço do suíno recua e setor perde competitividade

No início do ano, o quilo do suíno era comercializado em média a R$ 6,80 em Santa Catarina. Atualmente, o valor caiu para R$ 5,80. Entre os produtores independentes, o quadro é ainda mais crítico: com custo médio de produção estimado em R$ 6,35 por quilo, muitos comercializam os animais por cerca de R$ 5,00.

De acordo com Lorenzi, o setor perdeu competitividade e retornou a patamares de preços registrados há cerca de seis anos.

“Regredimos seis anos no preço do suíno. Em outubro de 2020, o quilo era vendido a R$ 5,01. Hoje, com todos os custos mais elevados, enfrentamos uma crise insuportável”, afirmou.

Aumento da produção amplia desequilíbrio entre oferta e demanda

A ACCS aponta que o principal fator da retração é o desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno. Após períodos de boa rentabilidade, produtores ampliaram investimentos e expandiram o plantel de matrizes.

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Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que o Brasil registrou aumento de 105 mil matrizes entre 2024 e 2025. Considerando média de 30 leitões desmamados por matriz ao ano, a oferta de carne suína cresceu significativamente no período.

Além da expansão do rebanho, o setor também registrou avanços em produtividade. Informações da Agriness indicam aumento médio de 0,68 leitão desmamado por matriz ao ano, contribuindo para maior volume de produção.

O aumento do peso de abate e o descarte de matrizes — estratégia adotada para reduzir custos nas granjas — também elevaram a disponibilidade de carne no mercado, pressionando ainda mais os preços pagos ao produtor.

Exportações crescem, mas dólar reduz rentabilidade

Mesmo diante da crise interna, o Brasil alcançou recorde nas exportações de carne suína no primeiro trimestre de 2026. O volume embarcado aumentou em 55 mil toneladas, crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar do avanço nas vendas externas, a valorização do real frente ao dólar comprometeu a rentabilidade das exportações.

Segundo a ACCS, em 2025 a tonelada exportada era negociada a US$ 2.490, com dólar médio de R$ 5,77, garantindo receita de aproximadamente R$ 14.392 por tonelada. Neste ano, mesmo com valorização do produto para US$ 2.510, a queda do câmbio para R$ 5,15 reduziu a receita para R$ 12.940 por tonelada.

“A perda foi de R$ 1.452 por tonelada exportada. Com o dólar nesse patamar, praticamente desaparece a margem de lucro das empresas exportadoras”, explicou Lorenzi.

Custos trabalhistas e ambiente econômico preocupam setor

O presidente da ACCS também demonstrou preocupação com o ambiente econômico e regulatório no Brasil. Entre os principais entraves apontados estão a elevada carga tributária, insegurança jurídica e propostas de mudanças na jornada de trabalho.

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Segundo o dirigente, uma eventual transição da escala 6×1 para 5×2 pode elevar significativamente os custos operacionais em atividades que exigem funcionamento contínuo, como as cadeias de suínos, aves e leite.

A avaliação do setor é de que o aumento da necessidade de contratação de mão de obra poderá encarecer a produção agroindustrial e impactar os preços ao consumidor final.

Produtores avaliam migração de investimentos para países vizinhos

Outro ponto levantado pela entidade é o movimento de empresas e trabalhadores brasileiros em direção ao Paraguai, motivado por condições tributárias consideradas mais competitivas e maior previsibilidade regulatória.

Para a ACCS, o atual cenário econômico exige medidas estruturais para recuperar a competitividade da suinocultura brasileira, especialmente em estados líderes na produção, como Santa Catarina.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Trigo enfrenta pressão da ampla oferta global, enquanto mercado brasileiro segue lento e dependente de estoques

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O mercado internacional de trigo continua operando sob forte influência da ampla disponibilidade global do cereal, cenário que tem limitado avanços mais consistentes nos preços e mantido os compradores em posição confortável. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro segue com negociações pontuais e ritmo lento, especialmente na Região Sul, onde moinhos monitoram estoques, importações e o comportamento da demanda por farinha.

Segundo análise da TF Agroeconômica, os investidores acompanham atentamente o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que poderá trazer novos ajustes para a produção global de grãos e influenciar a direção das cotações nas próximas semanas.

Oferta mundial elevada pressiona o mercado de trigo

No cenário internacional, as condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras do Hemisfério Norte reforçam as perspectivas de uma safra robusta em 2026.

Na Europa, o trigo francês segue competitivo no mercado externo, mas encontra dificuldades para ampliar suas exportações diante da forte concorrência global. Avaliações de campo realizadas por consultorias privadas na França apresentam resultados variados, enquanto na Romênia as primeiras análises apontam para uma produção promissora.

Na América do Sul, a Argentina também contribui para o quadro de maior oferta. A Bolsa de Cereais de Rosário elevou sua estimativa para a próxima safra argentina de trigo para 20 milhões de toneladas, fortalecendo as expectativas de maior disponibilidade regional.

Esse conjunto de fatores mantém pressão sobre os preços internacionais e reduz o espaço para movimentos mais expressivos de valorização no curto prazo.

Soja e milho também acompanham cenário de oferta confortável

Além do trigo, os mercados de soja e milho iniciaram a sessão com oscilações moderadas.

Na soja, os contratos negociados em Chicago operam próximos da estabilidade, influenciados pelo clima favorável no Meio-Oeste dos Estados Unidos, pela ausência de novas compras chinesas e pelo aumento das expectativas para a produção argentina. A Bolsa de Rosário elevou a projeção da safra 2025/26 da Argentina para 51,5 milhões de toneladas.

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Outro fator observado pelos participantes do mercado é a queda dos custos de produção. O preço da ureia granulada em Nova Orleans acumula recuo de aproximadamente 36% desde abril, contribuindo para reduzir as despesas dos produtores.

No milho, o viés sazonal de baixa permanece predominante. O bom desenvolvimento das lavouras norte-americanas limita a formação de prêmios climáticos, enquanto fundos de investimento reduziram posições compradas nas últimas semanas. Apesar disso, a demanda global segue sustentando os fluxos comerciais e evitando quedas mais acentuadas.

Mercado brasileiro de trigo avança lentamente

No Brasil, o mercado de trigo segue marcado por negociações pontuais e baixa liquidez, especialmente nos estados do Sul.

No Rio Grande do Sul, houve pequena evolução nas indicações de preços, impulsionada pela valorização do trigo argentino colocado em Canoas, que alcançou US$ 300 por tonelada. Com isso, as indicações para o cereal gaúcho avançaram para R$ 1.350 por tonelada FOB para embarques entre junho e julho, R$ 1.370 para julho e agosto e R$ 1.400 para agosto.

No mercado CIF, o trigo de melhor qualidade foi negociado entre R$ 1.480 e R$ 1.500 por tonelada, enquanto lotes com qualidade inferior ficaram entre R$ 1.400 e R$ 1.420.

Apesar da leve recuperação dos preços, a demanda por farinha continua enfraquecida, dificultando reajustes mais expressivos por parte dos moinhos. A disponibilidade atual no estado é estimada em cerca de 190 mil toneladas, volume considerado insuficiente para atender plenamente o mercado até a chegada da nova safra, prevista para novembro.

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Santa Catarina mantém negócios pontuais

Em Santa Catarina, o mercado permaneceu praticamente estável ao longo da semana. Os negócios continuam ocorrendo de forma pontual, voltados principalmente para atender necessidades imediatas da indústria.

Com poucas alterações nos preços das demais regiões produtoras, o custo do frete passou a ser o principal fator de diferenciação entre as ofertas. As indicações para o trigo catarinense ficaram entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB.

Paraná sente impacto das importações

No Paraná, o mercado também apresenta baixa movimentação. A chegada de trigo importado, o abastecimento relativamente confortável dos moinhos e o comportamento ainda fraco da demanda por farinha contribuem para um ambiente de cautela.

As ofertas para trigo no mercado spot permanecem concentradas em compradores com menor nível de estoque, enquanto parte dos agentes já direciona suas atenções para contratos da nova safra.

O trigo branqueador segue sendo negociado próximo de R$ 1.450 por tonelada FOB, enquanto os preços para a safra nova variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB.

Expectativa se volta ao USDA

Com os fundamentos globais apontando para uma oferta confortável de grãos e clima favorável nas principais regiões produtoras, o mercado aguarda agora as atualizações do USDA para avaliar possíveis revisões nos estoques e na produção mundial.

Até que surjam novos fatores climáticos ou mudanças significativas na demanda internacional, a tendência permanece de cautela, com o trigo pressionado pela elevada disponibilidade global e o mercado brasileiro operando de forma seletiva, sustentado principalmente pelos custos de reposição e pela administração dos estoques internos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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