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Crise e quebra de safra ameaçam o produtor rural brasileiro

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O ano passado foi um período fora da curva: clima favorável, produtividade boa e, como resultado, uma safra recorde, superior a 315 milhões de toneladas, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e 320 milhões segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Em 2024, no entanto, as condições climáticas mudaram as expectativas para o setor e as estimativas de safra diminuem a cada novo número divulgado. Com boa parte da safra ainda no campo para ser colhida, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a soja deverá ter produção próxima de 145 milhões de toneladas, um volume ainda elevado, mas abaixo do recorde de 2023. O milho, cuja safrinha já está sendo semeada, também não deve alcançar os níveis anteriores.

Nesse sentido, a queda na receita agrícola tem reflexo dentro e fora da porteira da fazenda. Preços, clima e incertezas do mercado levam o produtor a avaliar melhor os investimentos. A margem bruta da soja, por exemplo, teve queda de 68% na comparação com a safra 2022/23. Para o milho, primeira safra e segunda safra, a queda foi ainda maior.

Na pecuária leiteira o impacto também foi sentido. Segundo a CNA, com o movimento de retração de preços maior do que o de custos, a margem de lucro dos produtores foi 67,4% menor em outubro de 2023, em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Diante das incertezas crescentes para 2024, com mudanças na temperatura média e nos índices de chuvas causadas pelo fenômeno El Niño, a CNA ressalta a necessidade de aumentar os recursos para o seguro rural, atualmente em pouco mais de R$ 1 bilhão, mas com uma necessidade estimada pela entidade de R$ 3 bilhões para cobrir cerca de 14 milhões de hectares.

Crise

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado Pedro Lupion (PP-PR) destaca que há uma crise de rentabilidade na agropecuária com os preços dos grãos não cobrindo o custo de produção. “O produtor plantou soja a R$ 140 por saca e agora está vendendo a R$ 90. O pior disso tudo é que são valores praticados que não pagam mais o custo de produção. Uma relação que só piora desde 2023 e corroeu o lucro de quem produz,” disse o deputado, afirmando que “sem lucro, o produtor não investe e, em alguns casos, desiste e vai plantar outra coisa, como milho”, apontou.

Segundo ele, mesmo com a safra ainda em andamento, já está posto que parte dos produtores rurais não conseguirá cumprir financiamentos assumidos. “O que temos hoje é que produtores não estão conseguindo cumprir compromissos e pagar dívidas. Vemos o produtor em dúvida se terá como aplicar ou se endividar mais com compra de equipamentos e insumos”, acrescentou.

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Já o ex-presidente da FPA deputado Alceu Moreira (MDB-RS) destacou que a conjuntura atual do setor deve se estender ainda para 2025 e 2026. “É uma crise grande e que vai durar além deste ano. Teremos que reequilibrar o jogo. Não chegamos ao fundo do poço, mas, se o governo não agir em conjunto com o setor, vamos chegar”, pontuou.

O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) enfatizou que será preciso a participação do governo federal na busca por soluções. “Precisamos de política de preço mínimo e um trabalho junto a instituições financeiras para fortalecer o setor.”

“Além do governo federal, continuaremos a busca por soluções no âmbito do parlamento brasileiro para auxiliar os produtores diante dessa crise. Historicamente, testemunhamos o setor agropecuário sustentando a economia brasileira. No entanto, neste ano, tenho dúvidas se conseguiremos manter esse papel,” finalizou o deputado Sérgio Souza (MDB-PR).

Fonte: Assessoria de Comunicação FPA

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Exportações do agro brasileiro avançam em abril e soja lidera embarques, aponta ANEC

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O Brasil segue com ritmo acelerado nas exportações do agronegócio em 2026, com destaque para a soja e o milho, segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). O relatório da Semana 16 mostra avanço consistente nos embarques e reforça o protagonismo do país no comércio global de grãos.

Embarques semanais superam 3,4 milhões de toneladas de soja

Na semana de 19 a 25 de abril, os embarques brasileiros de soja somaram cerca de 3,48 milhões de toneladas. Para o período seguinte, entre 26 de abril e 2 de maio, a projeção indica aumento para aproximadamente 4,46 milhões de toneladas.

Os dados refletem a intensificação da logística portuária, com destaque para:

  • Porto de Santos: maior volume embarcado, superando 1,4 milhão de toneladas de soja
  • Paranaguá: mais de 400 mil toneladas
  • Barcarena e São Luís/Itaqui: forte participação no escoamento pelo Arco Norte

Além da soja, o farelo e o milho também apresentaram movimentação relevante nos principais portos do país.

Exportações crescem em abril e reforçam tendência positiva em 2026

No acumulado mensal, abril deve registrar entre 18,0 milhões e 20 milhões de toneladas exportadas, considerando todos os produtos analisados.

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Entre os destaques:

  • Soja: cerca de 14,9 milhões de toneladas embarcadas
  • Milho: 2,75 milhões de toneladas
  • Farelo de soja: volumes mais modestos, mas com recuperação frente a meses anteriores

No acumulado do ano, o Brasil já soma mais de 41 milhões de toneladas exportadas de soja, mantendo desempenho robusto no mercado internacional.

Comparativo com 2025 mostra avanço nas exportações

Os dados da ANEC indicam crescimento relevante frente ao ano anterior, especialmente no primeiro quadrimestre:

  • Janeiro: alta expressiva nos embarques
  • Março e abril: consolidação do crescimento
  • Fevereiro: leve recuo pontual

Em abril, o volume exportado supera em mais de 2,3 milhões de toneladas o registrado no mesmo período de 2025.

China segue como principal destino da soja brasileira

A demanda internacional permanece aquecida, com forte concentração nas compras chinesas. Entre janeiro e março de 2026:

  • China: responsável por 75% das importações de soja brasileira
  • Espanha e Turquia: aparecem na sequência, com participações menores
  • Países asiáticos e do Oriente Médio ampliam presença
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No caso do milho, os principais destinos incluem Egito, Vietnã e Irã, reforçando a diversificação dos mercados compradores.

Logística e demanda sustentam desempenho do agro

O avanço das exportações brasileiras está diretamente ligado à combinação de fatores como:

  • Safra robusta
  • Demanda internacional aquecida
  • Eficiência logística, com maior uso de portos do Norte

A tendência é de manutenção do ritmo positivo ao longo dos próximos meses, especialmente com o avanço da comercialização da safra e a continuidade da demanda global por grãos brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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