AGRONEGÓCIO

Crédito cada vez mais compartilhado

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Quem visita a cidade de Bebedouro (interior de São Paulo, distante 405 quilômetros da capital) sente no ar a forte vocação agrícola da região, ainda que diferente do período áureo do cultivo da laranja, até a década de 1990, quando houve o declínio da atividade. Mas, na atualidade, ainda com presença da citricultura e também da cana de açúcar. O que fez da cidade de quase 140 anos (a data de fundação é 3 de maio de 1884) uma espécie de polo atrativo do cooperativismo.

É lá que estão as bases de operações da Cooperativa de Crédito Credicitrus (Sicoob Credicitrus), atualmente a maior do país. Que, além de beneficiar uma população local de mais de 76,3 mil pessoas (os números são do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, de 2022), também atinge outras regiões do Brasil. Em um pujante universo de 169 mil cooperados, abrangendo todas as regiões produtoras do País. Um salto qualitativo e, sobretudo, de personalização, já que o cooperado dispõe de um amplo e diversificado leque de opções de crédito formatado de acordo com o seu perfil.

“Primamos por um planejamento estruturado e um crescimento conforme a demanda. Isso resulta em produtos a ser ofertados por região do país, individualizando o atendimento, realizado de modo presencial. Não abrimos mão do contato com o cooperado”, assevera o executivo Fábio Rodrigues Fernandes, diretor de Negócios da cooperativa.

Customização dos serviços de crédito e relacionamento, além da intercooperação com outras cooperativas resultam em um atrativo modelo de negócios, levando a cooperativa a atingir números expressivos em sua contabilidade anual. Ano passado, foram mais de R$ 14 bilhões em ativos, com índices de crescimento bem superiores ao mercado e à economia brasileira. As captações do período superaram os R$ 10 bilhões, com patrimônio líquido superior a R$ 2,6 bilhões.

Com patrimônio líquido superior a R$ 2,6 bilhões, em 2023, a Cooperativa de Crédito Credicitrus (Sicoob Credicitrus) comprova sua posição de liderança no Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC). As operações de crédito no exercício somaram R$ 6,9 bilhões e as sobras líquidas de R$ 493,5 milhões

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“É um crescimento robusto em números, conforme a demanda dos nossos associados e a otimização dos processos”, salienta o CEO da Cooperativa, Walmir Segatto, que conversou com jornalistas dedicados à cobertura do agronegócio.

Procuramos atingir, inclusive, ambientes diversificados, alcançando até bacias hidrográficas com significativo impacto social. Estimulamos, ainda, o consumo de produtos sustentáveis, como a linha de energia solar (fotovoltaica), mostrando a forte presença do Instituto Credicitrus.

Segatto conta que houve um aumento de 4,52% na oferta de crédito. Em dezembro de 2023, foram R$ 6,92 bilhões, contrastando com R$ 7,24 bilhões, em março deste ano. Levando em conta também os 10 mil associados no meio digital. “Registramos recentemente quase meio bilhão de reais em sobras, com um impacto social de 1,3 bilhão de reais em resultados socioeconômicos”, diz, ao acrescentar que os cooperados já dispõem de recursos de Inteligência Artificial (IA) no diálogo e transações com a Credicitrus, favorecendo a produção em um cenário macroeconômico global com repentinas transições, quebras de safra e menor preço das commodities.

Liderança Com patrimônio líquido superior a R$ 2,6 bilhões, em 2023, a Cooperativa de Crédito Credicitrus (Sicoob Credicitrus) comprova sua posição de liderança no Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC). As operações de crédito no exercício somaram R$ 6,9 bilhões e as sobras líquidas de R$ 493,5 milhões.

Segundo afirma o executivo Marcos Lourenço Santin, presidente do Conselho de Administração da Credicitrus “esses e os demais números do desempenho evidenciam a confiança dos nossos mais de 169 mil cooperados e concretiza o propósito da Credicitrus de somar forças para gerar prosperidade, transformar vidas e desenvolver a comunidade”.

O valor de ativos de R$ 14,5 bilhões significa um aumento de 27,6% em comparação com o ano anterior e de mais de 65% em relação aos últimos dois anos. As captações de R$ 10 bilhões, compostas por depósitos à vista e a prazo somados às aplicações em LCA/LCI, têm crescimento de 32,5% em relação ao ano anterior. Além de ter se mantido na classificação AA (bra+) pela Fitch Ratings.

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Segatto, por sua vez, reforça que o “desempenho positivo da Credicitrus demonstra a segurança e solidez dos nossos negócios, além de fortalecer o cooperativismo de crédito brasileiro com a confiança dos nossos associados em todas as decisões da Cooperativa.”

As operações de crédito e Cédula de Produto Rural (CPR) atingiram R$ 6,9 bilhões, com uma expansão de 32,54% nos últimos dois anos. “Esse avanço demonstra a capacidade da Credicitrus de atender às demandas de crédito de seus associados, consolidando-se como parceira financeira confiável do agronegócio e das demais categorias de cooperados, tanto pessoas físicas quanto jurídicas”, diz Fernandes, da área de Negócios.

Balanço A Credicitrus alcançou um marco significativo no cooperativismo de crédito nacional pelo segundo ano consecutivo, com mais de 65 mil associados participando da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária Digital. Realizada por meio do aplicativo Sicoob Moob entre os dias 3 e 12.

“A Assembleia Geral é um momento muito importante para a Cooperativa, pois legitima o segundo princípio do cooperativismo, a gestão democrática e esse marco de participação dos associados reflete o compromisso da Cooperativa em promover o engajamento de seus cooperados em seu processo decisório”, esclarece a diretora de Governança, Riscos e Compliance, Denise Almeida.

Buscando dar ainda mais representatividade aos associados, com o apoio e o protagonismo dos gerentes dos postos de atendimento, “realizamos em 101 municípios os encontros presenciais da assembleia que reuniram mais de 20 mil cooperados, trazendo maior proximidade e elevando o seu relacionamento com a Cooperativa”.

Fonte: Moacir Cunha – RC Agro

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Carne brasileira sob pressão: risco de perda de competitividade global cresce com exigências sanitárias da União Europeia

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Panorama do conflito sanitário com a União Europeia

A recente suspensão das exportações de carne brasileira para a União Europeia acendeu um alerta no agronegócio nacional. O episódio evidencia um ponto crítico: a necessidade de comprovação prática, auditável e contínua de conformidade com as exigências sanitárias do bloco europeu.

Segundo especialistas do setor jurídico agro, o Brasil corre o risco de perder competitividade internacional caso não consiga demonstrar, de forma estruturada, o cumprimento integral das normas de rastreabilidade e controle de uso de antimicrobianos.

Para a advogada Ieda Queiroz, do CSA Advogados, o problema vai além do acesso ao mercado europeu e atinge diretamente a reputação do país no comércio global de proteínas.

UE exige comprovação total da cadeia produtiva

“A União Europeia não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Se o Brasil não demonstrar, de forma verificável, que cumpre as regras de uso de antimicrobianos e de rastreabilidade animal, o impacto será duradouro”, afirma a especialista.

De acordo com ela, a exigência europeia não se limita a boas práticas declaradas, mas envolve auditorias, registros completos e rastreabilidade individual dos animais ao longo de toda a cadeia produtiva — do campo ao processamento industrial.

Governo tenta resposta técnica, mas desafio é estrutural

O Ministério da Agricultura e Pecuária informou que está reunindo relatórios técnicos e dados de fiscalização para encaminhamento às autoridades europeias. O objetivo é esclarecer pontos regulatórios e demonstrar avanços recentes na governança sanitária brasileira.

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Apesar da movimentação diplomática e técnica, o desafio estrutural permanece: a União Europeia condiciona qualquer reabilitação do Brasil à comprovação prática e contínua de conformidade em toda a cadeia produtiva.

Proibição de antibióticos não resolve o problema sozinha

Em abril de 2026, o governo federal proibiu o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, incluindo substâncias como avoparcina, bacitracina e virginiamicina.

A medida foi considerada um avanço regulatório importante, mas, segundo especialistas, ainda insuficiente para atender integralmente às exigências europeias. A UE também demanda sistemas robustos de rastreabilidade individual, auditorias independentes e documentação completa de conformidade sanitária.

Falhas de rastreabilidade e desigualdade regional preocupam

Uma investigação conduzida pela Irish Farmers’ Association em quatro estados brasileiros, no segundo semestre de 2025, apontou que a adequação plena às exigências europeias tende a ser um processo de longo prazo.

O relatório identificou inconsistências documentais, fragilidades nos sistemas de rastreabilidade e grande variação entre regiões e perfis de produtores.

Pressão internacional deve aumentar nos próximos anos

Além da pauta sanitária, a resistência antimicrobiana (AMR) tem ganhado espaço nas discussões globais e pode ampliar barreiras comerciais em diferentes mercados.

Outro fator de pressão é o avanço do Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR), que deve entrar em vigor no segundo semestre de 2026, impondo novas exigências ambientais para exportadores de commodities agropecuárias.

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Impacto econômico já preocupa exportadores

Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 1,8 bilhão em carnes para a União Europeia, equivalente a 368,1 mil toneladas. O bloco europeu é hoje o segundo principal destino em valor para as proteínas brasileiras.

Com a suspensão, o setor já observa pressão sobre contratos futuros e renegociações internacionais. Caso a situação não seja resolvida com rapidez e estruturação técnica, a perda potencial pode se aproximar de US$ 2 bilhões anuais.

Conclusão: tempo, governança e integração serão decisivos

Especialistas apontam que o Brasil possui capacidade técnica para atender às exigências internacionais, mas precisa acelerar a integração entre setor público e cadeia produtiva privada.

“O Brasil tem capacidade técnica para atender às exigências, mas precisa agir com velocidade. Cada mês de atraso representa perda de mercado e de credibilidade”, destaca Ieda Queiroz.

O cenário reforça que o futuro da competitividade da carne brasileira no mercado global dependerá menos de normas isoladas e mais de sistemas integrados, auditáveis e contínuos de conformidade sanitária e rastreabilidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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