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Cotações do milho caem em janeiro com estoques elevados e pressão da nova safra

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O mercado brasileiro de milho encerrou o mês de janeiro de 2026 com quedas nas cotações em praticamente todas as regiões produtoras. Segundo análise de Fernando Iglesias, especialista da Safras & Mercado, os consumidores começaram o ano com estoques elevados, o que reduziu a pressão de compra e ampliou a retração dos preços internos.

“Houve queda de preços no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e em outras praças importantes. O bom posicionamento de estoques pelos consumidores foi determinante nesse movimento”, avalia o analista.

Estoques elevados e avanço da colheita pressionam preços

Com o início da colheita da safra de verão em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a tendência de curto prazo ainda é de baixa nas cotações. Em outras regiões, como Centro-Oeste e Sudeste, os trabalhos de campo devem avançar nas próximas semanas, o que tende a aumentar a oferta doméstica.

Segundo o Banco Central do Brasil, o setor agrícola segue beneficiado por um câmbio mais estável e custos de produção sob controle, apesar da Selic mantida em 10,25% ao ano. Isso ajuda a equilibrar parte das perdas para produtores, mas mantém o ambiente de preços pressionados no mercado físico.

Mercado internacional tem forte influência da oferta global

No exterior, o mês de janeiro foi marcado por instabilidade nas bolsas internacionais. O milho chegou a ensaiar alta antes da divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 12 de janeiro.

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O documento, porém, apontou os maiores estoques de milho da história dos EUA, com 13,282 bilhões de bushels armazenados, e revisou para cima as projeções de estoques mundiais da safra 2025/26, para 290,91 milhões de toneladas.

Essa expectativa de forte oferta global derrubou as cotações em Chicago, que acumularam queda de 2,6% em janeiro. Desde então, o mercado tenta se recuperar, sustentado pela demanda norte-americana e por perdas pontuais na safra da América do Sul, especialmente na Argentina, afetada por seca.

Preços internos do milho recuam em todo o país

As cotações internas refletiram a maior oferta e o menor ímpeto comprador. Em 29 de janeiro, a saca de 60 kg de milho foi negociada, em média, a R$ 63,57, queda de 6,09% em relação aos R$ 67,69 registrados no fim de dezembro.

Confira os principais preços regionais:

  • Cascavel (PR): R$ 63,00 (-3,08%)
  • Campinas/CIF (SP): R$ 68,00 (-8,11%)
  • Mogiana (SP): R$ 65,00 (-7,14%)
  • Rondonópolis (MT): R$ 56,00 (-12,5%)
  • Erechim (RS): R$ 65,00 (-7,14%)
  • Uberlândia (MG): R$ 63,00 (-5,97%)
  • Rio Verde (GO): R$ 60,00 (-4,76%)
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De forma geral, o recuo dos preços reflete menor liquidez no mercado físico, grandes volumes armazenados e expectativa de safra robusta nos próximos meses.

Exportações avançam mesmo com preços menores

Apesar da desvalorização doméstica, as exportações de milho seguem firmes. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil registrou em janeiro receita de US$ 835,9 milhões, com 3,74 milhões de toneladas embarcadas até o dia 29.

O desempenho representa alta de 45,5% no valor médio diário exportado, aumento de 43,3% na quantidade média diária e valorização de 1,6% no preço médio frente a janeiro de 2025. O preço médio da tonelada ficou em US$ 223,20.

O cenário internacional mais competitivo, impulsionado pelo câmbio e pela boa demanda externa, tem ajudado a escoar parte da produção brasileira, aliviando momentaneamente o mercado interno.

Perspectivas para fevereiro

A tendência é de que os preços sigam pressionados no curto prazo, com o avanço da colheita e a manutenção de estoques elevados entre cooperativas e indústrias. No entanto, analistas apontam que as exportações e o câmbio continuarão sendo fatores-chave para definir o comportamento das cotações ao longo do primeiro trimestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Ureia despenca mais de 40% e fertilizantes voltam ao nível pré-crise com avanço de acordo entre EUA e Irã

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Os preços internacionais da ureia registraram forte recuo nas últimas semanas e já retornaram aos níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo análise da StoneX, as cotações destinadas ao mercado brasileiro acumulam queda superior a 40% após oito semanas consecutivas de desvalorização, refletindo o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.

O movimento é acompanhado de perto pelo setor de fertilizantes, uma vez que a região concentra uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes nitrogenados. A perspectiva de retomada da navegação vem reduzindo os temores relacionados à oferta global e aos gargalos logísticos que pressionaram os preços nos últimos meses.

Mercado reage à expectativa de normalização logística

De acordo com a StoneX, a possibilidade de restabelecimento do fluxo marítimo no Golfo Pérsico tem provocado uma mudança significativa no comportamento dos mercados de energia e fertilizantes.

As restrições impostas à navegação durante o período de instabilidade elevaram custos e dificultaram o transporte de insumos estratégicos. Agora, com o avanço das negociações entre Washington e Teerã, os agentes de mercado passaram a precificar um cenário de maior disponibilidade de produtos e menor risco logístico.

Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o acordo preliminar representa um importante fator de pressão baixista para o setor.

“O entendimento entre Estados Unidos e Irã tem impacto direto sobre a logística global e a oferta de fertilizantes. O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre, o que torna qualquer sinalização de normalização extremamente relevante para os mercados”, avalia.

Ureia retorna aos patamares anteriores ao conflito

O efeito mais visível foi observado no mercado da ureia. As cotações CFR Brasil recuaram para níveis inferiores aos registrados antes do início da crise geopolítica, revertendo completamente os ganhos observados durante o período de maior incerteza.

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A queda acumulada superior a 40% representa uma das correções mais expressivas dos últimos meses e sinaliza uma redução dos prêmios de risco que vinham sendo incorporados aos preços internacionais.

Além da expectativa de reabertura das rotas marítimas, o mercado também passou a considerar uma possível ampliação da oferta global de fertilizantes caso as negociações avancem para uma flexibilização das sanções impostas ao Irã.

Acordo ainda depende de novas etapas

Apesar da reação positiva dos mercados, o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não está concluído. Informações divulgadas pela Reuters indicam que o entendimento atual prevê a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas questões centrais continuam em negociação.

Entre os temas que permanecem em discussão está o futuro do programa nuclear iraniano, considerado um dos principais pontos de divergência entre os dois países.

Especialistas do setor marítimo alertam que a normalização completa das operações não deve ocorrer imediatamente. Mesmo após a eventual reabertura da rota, a retomada da confiança dos operadores logísticos e o reposicionamento das embarcações podem levar semanas.

Fertilizantes ainda dependem da evolução do cenário geopolítico

A StoneX destaca que o mercado segue monitorando fatores que podem limitar a recuperação plena da logística na região.

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Existem preocupações relacionadas à segurança da navegação, incluindo relatos sobre possíveis áreas minadas e incertezas quanto às condições definitivas para a circulação de embarcações. Além disso, navios que permaneceram retidos durante o período de restrições poderão enfrentar atrasos até que o fluxo marítimo seja totalmente restabelecido.

Dessa forma, embora a tendência atual seja de alívio para os preços, a oferta global de fertilizantes continua condicionada à evolução das negociações diplomáticas e à estabilidade da região.

Cenário favorece importadores brasileiros

A queda das cotações ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Tradicionalmente, as compras externas de fertilizantes nitrogenados ganham força ao longo do segundo semestre, período de preparação para importantes culturas da safra de verão.

Com preços mais baixos e perspectiva de melhora na logística internacional, os importadores brasileiros encontram um ambiente mais favorável para negociar volumes e recompor estoques.

Além dos fertilizantes, o anúncio do acordo preliminar também impactou o mercado energético. Os preços do petróleo recuaram para os menores níveis dos últimos três meses, refletindo as expectativas de retomada do fluxo normal de cargas em uma das regiões mais importantes para o comércio global.

Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre fertilizantes mais baratos e redução das incertezas logísticas pode representar um importante fator de alívio nos custos de produção nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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