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Copom destaca surpresas na inflação, impacto das enchentes e cenário externo desafiador

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Nos últimos trimestres, a atividade econômica apresentou um crescimento maior do que o esperado em diferentes componentes da demanda, segundo a ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada entre 17 e 18 de junho. O documento aponta surpresas altistas na inflação e destaca um cenário mais desafiador para o controle inflacionário, com preocupação especial quanto ao impacto das enchentes no Rio Grande do Sul e o clima adverso no cenário externo.

“A resiliência da atividade doméstica e a sustentação do consumo contrastam com o cenário de desaceleração gradual inicialmente previsto pelo Comitê”, diz a ata. “Observamos novas surpresas altistas na atividade econômica”, complementa.

O documento também ressalta a grande incerteza em relação aos efeitos econômicos das enchentes no Rio Grande do Sul. “Há incertezas sobre a intensidade da queda da atividade e sua recuperação subsequente, bem como sobre a redução do estoque de capital causada pelas enchentes e inundações”, afirma.

Cenário Econômico e de Mercado de Trabalho

O Comitê avaliou que as projeções atualizadas da atividade econômica estão mais fortes para o ano. As surpresas recorrentes apontam para um mercado de trabalho dinâmico, corroborando um cenário de mercado de trabalho apertado. O hiato do produto, que estava levemente negativo na última avaliação, está agora em torno da neutralidade.

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O Copom também destacou que o cenário prospectivo de inflação se tornou mais desafiador, com o aumento das projeções de inflação de médio prazo, mesmo com uma taxa de juros mais elevada. “Observamos surpresas benignas recentemente, mas também uma elevação nas projeções de prazos mais curtos, envolvendo preços livres. Concluímos unanimemente pela necessidade de uma política monetária mais contracionista e cautelosa, para reforçar a dinâmica desinflacionária”, destacou o Comitê.

Política Monetária e Taxa de Juros

O Comitê ressaltou que a política monetária deve permanecer contracionista por tempo suficiente para consolidar não apenas o processo de desinflação, mas também a ancoragem das expectativas em torno das metas. “O Comitê se manterá vigilante e reitera que eventuais ajustes futuros na taxa de juros serão ditados pelo compromisso firme de convergência da inflação à meta”, afirmou.

Estimativas sobre a Taxa Neutra de Juros

A ata também abordou as estimativas sobre a taxa neutra de juros utilizada como hipótese para as projeções. A taxa neutra é uma variável não observável e sujeita a grande incerteza. O Comitê enfatizou que a taxa neutra não deve ser atualizada com frequência alta e tampouco ter movimentos abruptos, salvo em casos excepcionais. No contexto atual, a hipótese de taxa de juros real neutra foi elevada marginalmente para 4,75%.

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Política Fiscal

O Comitê reforçou a importância de reformas estruturais e disciplina fiscal, ressaltando que o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra, impactando negativamente a política monetária. “Uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros”, destacou o Comitê.

O Copom monitora atentamente como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros, reafirmando que políticas monetária e fiscal sincronizadas contribuem para a estabilidade de preços e para suavizar as flutuações econômicas, fomentando o pleno emprego.

A análise completa pode ser conferida na ata da reunião, disponível no site do Banco Central do Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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