AGRONEGÓCIO

Consultorias Tecnológicas do Sebraetec Impulsionam a Produção de Vinhos Artesanais em Santa Catarina

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A produção de vinhos artesanais na região oeste de Santa Catarina tem recebido um incentivo significativo por meio das consultorias tecnológicas promovidas pelo Sebrae/SC. Anualmente, a Avaliação Regional de Vinhos é realizada com o objetivo de apreciar a qualidade das bebidas produzidas, analisar a evolução técnica na vinicultura e identificar áreas para melhorias.

Neste ano, a avaliação ocorreu em duas etapas, sediadas em Lajeado Grande e Quilombo, onde foram degustados e analisados 50 rótulos de vinhos de mais de 60 produtores de dez municípios: Concórdia, Iraceminha, Lajeado Grande, Marema, Modelo, Nova Erechim, Pinhalzinho, Ponte Serrada, Quilombo e Serra Alta. O evento contou com a participação de seis enólogos: Clodenir Megiolaro, Fábio Ricardo Ecco, Jean Giacomin, Lucas Fardo, Odinei Busnello e Vinicius Caliari.

O formato da avaliação seguiu o modelo nacional do Sebrae, premiando os melhores vinhos nas categorias tinto, branco e bordô com troféus de ouro, prata e bronze. A análise foi realizada com base em uma ficha da Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV), considerando atributos visuais, olfativos, gustativos e a impressão global. A avaliação também abordou aspectos técnicos que necessitam de aprimoramento, como boas práticas de higiene e o uso de metabissulfito.

“Esses eventos são fundamentais para avaliar as características dos vinhos e verificar se houve evolução no processo produtivo em relação ao ano anterior. Além disso, coletamos informações que orientam os empreendedores rurais sobre as melhorias necessárias para elevar a qualidade do produto”, explicou Thiago Dalla Rosa, analista de negócios do Sebrae/SC.

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Desafios da Safra e Resultados Promissores

Fábio Ricardo Ecco, enólogo credenciado ao Sebrae/SC, ressaltou que a safra deste ano foi a mais desafiadora dos últimos 20 anos, devido ao clima excessivamente chuvoso, que impactou negativamente a qualidade das uvas. Os vinicultores enfrentaram dificuldades significativas durante o processo de vinificação, necessitando aplicar todo o seu conhecimento e técnica para produzir vinhos de qualidade. “Apesar das adversidades, os resultados das análises demonstram o excelente trabalho realizado pelos empreendedores,” destacou Ecco.

Vinícius Caliari, pesquisador em enologia da Estação Experimental da Epagri de Videira, também notou uma melhora na qualidade dos vinhos ao longo dos anos. Ele observou que os vinicultores têm adotado tecnologias para aprimorar seus produtos, embora a safra tenha apresentado uvas com acidez elevada. “As avaliações técnicas são cruciais para indicar as áreas que precisam ser aperfeiçoadas, como a produção da matéria-prima e a valorização do conceito de terroir, que considera as particularidades do solo, clima e variedades de uva utilizadas,” explicou Caliari.

Apoio ao Turismo Rural e Empreendedorismo

O empreendimento Regalos do Interior, de propriedade dos empreendedores Dani Jannuzzi e Rafael Fochezatto, combina turismo rural, café colonial e produção de frutas, com um enfoque em práticas sustentáveis. “Nosso principal atrativo é o café colonial, mas também oferecemos almoços. Durante a Avaliação Regional dos Vinhos, o prato principal foi uma parilla crioula com carne de cordeiro,” contou Rafael.

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Com um histórico de três anos investindo no turismo, o casal começou seu projeto após Rafael retornar à propriedade dos pais, há nove anos. A escolha das frutas cultivadas, como uvas, amoras, pêssegos, morangos e cítricos, prioriza a produção orgânica e a agricultura regenerativa. Desde a pandemia, abriram as portas da propriedade para visitantes, criando um espaço que valoriza a história e a cultura local.

“Ter a oportunidade de sediar eventos é extremamente gratificante, pois podemos receber visitantes e divulgar nosso trabalho. Participar de iniciativas que visam a melhoria da qualidade dos vinhos produzidos na região é um grande privilégio. O enoturismo é um segmento robusto, tanto localmente quanto em nível global, e a presença de empreendimentos que produzem vinhos de qualidade é benéfica para toda a região,” avaliou Dani.

A Regalos do Interior faz parte da Rota das Ovelhas e Sabores de Lajeado Grande, uma iniciativa da Administração Municipal em colaboração com o Sebrae/SC, inserida no Programa Cidade Empreendedora. Além disso, a empresa rural participou do Programa Agentes Locais de Inovação (ALI), também do Sebrae/SC, que visa melhorar a gestão, aumentar a produtividade, faturamento e reduzir custos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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