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Preço do feijão recua no fim de março após altas recordes, aponta Cepea

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Após um período de valorização expressiva e recordes registrados até a metade de março, os preços do feijão passaram a apresentar queda nas últimas semanas do mês. De acordo com pesquisadores do Cepea, o movimento foi influenciado principalmente pela retração da demanda no mercado.

Demanda enfraquecida pressiona cotações

Segundo o Cepea, compradores têm encontrado dificuldades para repassar ao atacado e ao varejo as altas recentes do grão. Esse cenário reduziu o ritmo das negociações e contribuiu diretamente para a queda dos preços no final de março.

Vendedores aproveitam patamares ainda elevados

Do lado da oferta, produtores e comerciantes demonstraram maior interesse em negociar e liquidar estoques. A estratégia visa aproveitar os preços ainda considerados atrativos, mesmo com a recente desvalorização.

Média de março segue acima de fevereiro para o feijão carioca

Apesar da queda no fim do mês, os preços médios de março permaneceram firmes na comparação mensal, especialmente para o feijão carioca.

Dados do Cepea/CNA indicam que:

  • O feijão carioca de notas 8 e 8,5 registrou alta de 6,7% em relação a fevereiro
  • Na comparação anual, o avanço foi expressivo, de 41,6% frente a março de 2025
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Feijão carioca de maior qualidade tem valorização ainda mais forte

Para os grãos de melhor padrão (notas 9 ou superiores), o desempenho foi ainda mais positivo:

  • Alta de 8,1% em relação a fevereiro
  • Crescimento de 33,6% na comparação com março de 2025

Esses números reforçam a valorização consistente do produto ao longo do mês, apesar da recente correção nos preços.

Feijão preto apresenta estabilidade no período

No segmento do feijão preto, o comportamento foi mais estável:

  • Leve recuo de 0,2% em relação a fevereiro
  • Preços praticamente iguais aos registrados em março do ano anterior
Mercado segue atento ao comportamento da demanda

O cenário atual indica um ajuste natural após fortes valorizações, com o mercado reagindo à menor capacidade de absorção de preços por parte dos compradores.

A tendência para as próximas semanas dependerá da recuperação da demanda e da dinâmica entre oferta e consumo no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

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A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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