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Construção com Madeira: Inovação e Sustentabilidade Impulsionam o Setor no Brasil

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O uso de tecnologias construtivas inovadoras, como o wood frame e a madeira engenheirada (mass timber), está ganhando destaque no Brasil, não apenas como uma alternativa sustentável, mas também como uma solução eficiente para resolver o déficit habitacional do país. Em um novo episódio do Podcast WoodFlow, especialistas discutem as vantagens dessas tecnologias e os desafios que o setor precisa superar para acelerar seu crescimento.

O uso da madeira como solução para o déficit habitacional

Recentemente, o Ministro das Cidades, Jader Barbalho, anunciou o uso do sistema construtivo wood frame para auxiliar na redução do déficit habitacional no Brasil, uma iniciativa que pode revolucionar a construção civil no país. De acordo com Euclesio Manoel Finatti, presidente da Associação Brasileira da Wood Frame, a construção com esse sistema pode ser concluída em um terço do tempo se comparada aos métodos tradicionais, o que representa um avanço significativo na busca por soluções rápidas e eficientes para as moradias populares.

“Estimamos que o Brasil precise de 6,2 milhões de novas moradias. O wood frame pode ajudar a resolver essa questão com agilidade e eficiência”, afirma Euclesio.

Tecnologia e industrialização: o momento ideal para a construção com madeira

O momento atual é considerado favorável para a adoção de sistemas construtivos em madeira, com uma convergência de fatores tecnológicos, mercadológicos e regulatórios que estão impulsionando a industrialização do setor. Ramon Pollnow, fundador da Kata Machines and Systems, acredita que a industrialização é a chave para acelerar o desenvolvimento da construção com madeira no Brasil.

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“Estamos vivendo um ponto de inflexão, onde a madeira, aliada à industrialização, pode resolver grandes problemas sociais. Esse é o momento de aplicarmos a tecnologia de forma escalável e eficiente para atender às necessidades habitacionais”, explica Ramon.

Oportunidades de crescimento para o setor de madeira engenheirada

O Brasil já conta com normas bem estabelecidas para a construção com wood frame e madeira engenheirada, e a industrialização desses sistemas permite maior precisão e velocidade na execução das obras. Martin Kemmsies, consultor especializado em madeira engenheirada, destaca que as serrarias brasileiras têm uma grande oportunidade de agregar valor aos seus produtos, medindo e especificando a capacidade de carga das madeiras. Isso permitiria uma venda mais qualificada, onde o valor seria agregado à qualidade estrutural da madeira, em vez de ser cobrado apenas por metro cúbico.

“Ao valorizar as qualidades estruturais da madeira, as serrarias podem se destacar no mercado, oferecendo um produto diferenciado para a construção civil”, acrescenta Martin.

Desafios: falta de informação e resistência do setor

Apesar do potencial da construção com madeira, o setor ainda enfrenta desafios significativos, como a falta de informação e resistência à mudança no meio técnico da construção. Euclesio Finatti aponta que, das 250 mil empresas construtoras no Brasil, menos de 1% estão considerando adotar sistemas construtivos em madeira. Isso resulta em uma oferta limitada de soluções nesse sentido, o que retarda a adoção dessa tecnologia por grande parte do mercado.

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“O setor construtivo precisa de mais informações e capacitação para entender o potencial da madeira como solução construtiva. Sem isso, a adoção de novas tecnologias será lenta”, alerta Euclesio.

O crescimento do setor de construção com madeira

O cenário atual é propício para a expansão das soluções de construção industrializada, e a madeira se encaixa perfeitamente nesse novo contexto. Os especialistas entrevistados são unânimes ao afirmar que a construção com madeira tem grande potencial para crescer no Brasil, embora a escala desse crescimento dependa da capacidade da cadeia produtiva de responder aos desafios logísticos e de infraestrutura.

“O crescimento já começou, e agora é a hora de ampliar a aplicação desses sistemas construtivos. O grande desafio será a escalabilidade desse processo”, conclui Ramon.

A construção com madeira, por meio de sistemas como wood frame e mass timber, surge como uma solução inovadora e eficiente para enfrentar os desafios habitacionais e ambientais do Brasil. Com o apoio da industrialização e a superação de obstáculos como a falta de informação e a resistência do setor, essas tecnologias podem transformar a maneira como as cidades brasileiras se desenvolvem, promovendo construções mais rápidas, sustentáveis e com custos mais acessíveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte

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O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.

Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.

O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.

O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.

A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

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O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.

No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.

O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.

Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.

Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.

Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.

No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.

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Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.

As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.

No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.

Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.

A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.

Fonte: Pensar Agro

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