AGRONEGÓCIO
Conflito no Oriente Médio redefine cenário das commodities no 2º trimestre de 2026, aponta StoneX
Publicado em
15 de abril de 2026por
Da Redação
A intensificação do conflito no Oriente Médio provocou uma mudança significativa no cenário global das commodities no segundo trimestre de 2026. De acordo com a 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, a geopolítica voltou a ocupar papel central na formação de preços, ampliando riscos e conectando mercados de energia, logística, insumos agrícolas e alimentos.
Geopolítica volta ao centro e aumenta volatilidade global
Segundo a análise da StoneX, a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã adicionou uma nova camada de complexidade a um ambiente que já era marcado por incertezas econômicas e comerciais.
Desde 2025, políticas comerciais mais rígidas e imprevisíveis por parte dos Estados Unidos já vinham provocando mudanças nas cadeias globais de suprimento. Com o avanço das tensões militares no Oriente Médio, esse cenário foi intensificado, elevando custos de produção e gerando impactos distintos entre setores.
O conflito, que se expandiu para além da Faixa de Gaza, passou a atingir infraestrutura estratégica, incluindo instalações petrolíferas e siderúrgicas, ampliando seus efeitos sobre a economia global.
Estreito de Ormuz amplia risco sobre energia e fertilizantes
Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito, além de volumes relevantes de fertilizantes exportados pelo Golfo Pérsico.
O fechamento da rota provocou impactos diretos sobre:
- Oferta global de energia;
- Custos logísticos marítimos;
- Cadeias de produção agrícola.
Embora um cessar-fogo temporário de duas semanas tenha sido anunciado em abril, o relatório destaca que o acordo é frágil, mantendo incertezas sobre a reabertura plena da rota e a normalização do comércio.
Energia no epicentro dos impactos econômicos
A energia permanece como o principal canal de transmissão dos efeitos do conflito. A alta nos preços do petróleo e seus derivados impacta diretamente os custos industriais, logísticos e agrícolas.
Segundo Vitor Andrioli, gerente de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, o cenário atual representa uma mudança estrutural:
A pressão sobre energia se espalha para fretes, fertilizantes e, consequentemente, para os preços dos alimentos, exigindo uma abordagem mais integrada na análise das commodities.
Incertezas macroeconômicas ampliam riscos globais
Além da geopolítica, fatores macroeconômicos também contribuem para o aumento da volatilidade. Entre eles, destacam-se as dúvidas sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos, especialmente com o fim do mandato de Jerome Powell à frente do Federal Reserve.
A possibilidade de mudanças na liderança da autoridade monetária americana levanta questionamentos sobre a independência do banco central e adiciona pressão sobre mercados de câmbio e renda fixa.
Para o Brasil, esse cenário é ainda mais sensível diante do contexto eleitoral e das fragilidades fiscais, podendo intensificar a volatilidade do real frente ao dólar.
Commodities agrícolas enfrentam aumento de custos
No mercado de grãos, o início do plantio no Hemisfério Norte coloca o clima dos Estados Unidos como fator-chave para a formação de preços. No entanto, o cenário atual incorpora um novo elemento: o aumento dos custos de produção.
A alta nos preços de energia e fertilizantes tende a:
- Sustentar as cotações agrícolas;
- Pressionar as margens dos produtores;
- Aumentar o risco nas decisões de comercialização.
Fertilizantes têm oferta pressionada e logística encarecida
O mercado de fertilizantes, que tradicionalmente apresenta condições mais favoráveis de compra no segundo trimestre, enfrenta agora um ambiente de maior risco.
A instabilidade no Golfo Pérsico afeta diretamente:
- A disponibilidade de produto;
- Os custos de transporte;
- A previsibilidade de entregas.
Esse cenário pode elevar os preços e impactar o planejamento das safras.
Energia segue sensível a novos desdobramentos
Nas commodities energéticas, o fator geopolítico continua dominante no curto prazo. Mesmo com eventuais períodos de trégua, os efeitos estruturais sobre oferta e logística tendem a persistir.
O mercado permanece altamente sensível a novos eventos, o que mantém a volatilidade elevada.
Soft commodities apresentam movimentos distintos
Entre as commodities agrícolas mais leves, o comportamento é heterogêneo:
- Algodão: tendência de reequilíbrio, com redução da sobreoferta;
- Café: possível pressão adicional com a entrada da safra brasileira em ano de bienalidade positiva;
- Cacau: aumento da oferta global, especialmente na África Ocidental, pode favorecer acomodação dos preços.
Metais refletem cenário misto entre oferta e liquidez
No segmento de metais, os sinais são variados. A restrição de oferta sustenta os preços dos metais de base, enquanto fatores macroeconômicos pressionam os metais preciosos.
A busca global por liquidez em dólar e o ambiente de juros elevados contribuíram para a recente correção em ativos como ouro e prata.
Câmbio brasileiro mostra resiliência, mas segue exposto
O real tem apresentado desempenho relativamente resiliente, apoiado pela posição do Brasil como exportador líquido de petróleo.
Ainda assim, a moeda permanece sensível a fatores como:
- Diferencial de juros;
- Cenário político interno;
- Evolução do conflito no Oriente Médio.
Esses elementos devem continuar influenciando o comportamento do câmbio nos próximos meses.
Gestão de risco ganha protagonismo no setor
Diante do novo cenário global, a StoneX destaca que a gestão de risco volta ao centro das decisões estratégicas.
A combinação de incertezas em energia, câmbio e juros exige maior disciplina em:
- Estratégias comerciais;
- Operações de hedge;
- Planejamento de custos e margens.
Relatório reúne análise global do mercado de commodities
Produzido desde 2015 pela área de Inteligência de Mercado da StoneX, o relatório trimestral reúne análises de especialistas do Brasil e de países como Reino Unido, Paraguai, Argentina, China e Estados Unidos.
A publicação oferece uma visão abrangente dos mercados de commodities agrícolas, energia, metais e moedas emergentes, com foco em apoiar decisões estratégicas em um ambiente cada vez mais volátil e interconectado.
Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade
Published
19 horas agoon
31 de maio de 2026By
Da Redação
Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.
Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.
O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.
A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.
Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.
Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.
Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.
Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.
Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.
Fonte: Pensar Agro
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