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Conflito no Oriente Médio pressiona logística global e aumenta volatilidade no mercado de cacau

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Escalada geopolítica amplia riscos e impacta mercados globais

A intensificação do conflito no Oriente Médio elevou o nível de risco geopolítico internacional e já provoca reflexos relevantes no mercado de energia. O petróleo tipo Brent atingiu os maiores patamares desde 2022, impulsionado pelas tensões na região.

Paralelamente, gargalos logísticos se intensificaram com a interrupção no Estreito de Ormuz e a redução do tráfego no Canal de Suez, fatores que elevaram os custos globais de transporte e ampliaram os prêmios de risco em fretes e seguros marítimos.

Pressão inflacionária e dólar forte encarecem custos no agro

Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, o ambiente de maior incerteza tende a fortalecer o dólar e intensificar as pressões inflacionárias em escala global.

Esse cenário impacta diretamente o agronegócio, elevando os custos de energia, fertilizantes e outros insumos essenciais à produção agrícola. A conjuntura amplia a sensibilidade dos mercados, mesmo em cadeias produtivas não diretamente afetadas por interrupções logísticas.

Mercado de cacau sofre impactos indiretos da crise

No caso do cacau, os efeitos da crise são considerados indiretos. As principais rotas utilizadas por grandes produtores e importadores de amêndoas e derivados permanecem preservadas, sem impactos diretos até o momento.

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A principal exceção está nas rotas asiáticas, especialmente nas exportações de pó e manteiga de cacau da Malásia e da Indonésia para a Europa. Ainda assim, o impacto global segue limitado.

África Ocidental mantém estabilidade no abastecimento europeu

A África Ocidental segue como principal polo de abastecimento do mercado internacional de cacau, com rotas atlânticas preservadas.

Atualmente, cerca de 80% das importações de derivados de cacau da União Europeia têm origem na região. No caso das amêndoas, aproximadamente 70% também são provenientes de países da África Ocidental, o que contribui para a manutenção do fluxo global da commodity.

Custos logísticos e seguros elevam pressão sobre o mercado

Mesmo sem interrupções diretas nas principais rotas, o aumento dos custos logísticos e dos seguros marítimos já altera a dinâmica do mercado.

A disponibilidade de embarcações e o encarecimento do transporte internacional são fatores que podem impactar os fluxos comerciais, especialmente em um cenário de prolongamento do conflito.

Preços sobem e volatilidade deve permanecer elevada

O atual cenário ocorre em um momento em que o mercado de cacau já apresenta elevada sensibilidade a fatores estruturais e técnicos.

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Na semana encerrada em 13 de março, os preços registraram alta de 2,14% em Nova York e 4,54% em Londres.

Diante desse contexto, a combinação entre incerteza geopolítica, custos elevados e pressão logística tende a sustentar a volatilidade dos preços no curto e médio prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de algodão do Brasil batem recorde em junho com embarques de 217 mil toneladas

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As exportações brasileiras de algodão registraram desempenho histórico em junho de 2026, alcançando o maior volume já embarcado para o mês. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou 217 mil toneladas da fibra, avanço de 63,4% em relação a junho de 2025.

Em receita, os embarques movimentaram US$ 350,6 milhões, crescimento de 64,1% na comparação anual, reforçando a competitividade do algodão brasileiro e a expansão da presença nacional em mercados estratégicos.

De acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o resultado confirma o ritmo elevado das vendas externas e fortalece a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais da fibra.

Algodão brasileiro encerra safra 2025/26 com desempenho histórico

O recorde registrado em junho encerra um ciclo comercial marcado por forte desempenho exportador. A temporada 2025/26, considerada pelo setor entre julho de 2025 e junho de 2026, apresentou volumes expressivos mesmo diante de um início de safra mais lento.

Segundo a Anea, o Brasil registrou recordes mensais de exportação em sete dos 12 meses da temporada, incluindo:

  • outubro;
  • novembro;
  • dezembro;
  • março;
  • abril;
  • maio;
  • junho.

Para o presidente da entidade, Dawid Wajs, o resultado demonstra a capacidade do país em manter a regularidade dos embarques e ampliar sua participação internacional.

“Apesar de um início de safra mais lento, o Brasil conseguiu manter volumes elevados ao longo do período e registrar recordes mensais de exportação em diversos meses”, destaca.

Ásia concentra principais compradores do algodão brasileiro

Os mercados asiáticos continuam como principais destinos da fibra nacional. Em junho, Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã responderam juntos por 71,1% dos embarques brasileiros.

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A distribuição das exportações no mês ficou concentrada nos seguintes países:

  • Bangladesh: 21,7% das compras;
  • Turquia: 17,7%;
  • Paquistão: 17,4%;
  • Vietnã: 14,3%;
  • Indonésia: 7,6%;
  • China: 6,3%;
  • Índia: 6,3%.

Também participaram da pauta compradores como Malásia, Egito, Coreia do Sul, Tailândia, Maurício e Japão.

Bangladesh e Turquia ampliam participação no algodão brasileiro

Segundo a Anea, alguns mercados apresentaram crescimento histórico durante a temporada.

Bangladesh alcançou o maior volume já importado do algodão brasileiro, consolidando-se como principal destino da fibra em junho. A Turquia também registrou avanço significativo e manteve trajetória de crescimento nas compras brasileiras.

Outro destaque foi a Índia, que mais que dobrou o maior volume histórico adquirido anteriormente, reforçando sua importância estratégica para o setor exportador.

“A Índia teve um desempenho muito expressivo, mais do que dobrando o maior volume que já havia importado do algodão brasileiro”, afirma Dawid Wajs.

Brasil amplia presença no mercado global de algodão

Com o desempenho de junho, o algodão representou 0,97% das exportações totais brasileiras no mês, ocupando a 17ª posição entre os principais produtos exportados pelo país.

Dentro do agronegócio, a fibra respondeu por 4,31% das vendas externas do setor, ficando na terceira colocação entre os produtos agropecuários mais exportados no período.

O resultado reforça o papel estratégico do algodão brasileiro na geração de divisas e na consolidação do país como fornecedor confiável para a indústria têxtil mundial.

China mantém posição estratégica para o algodão brasileiro

Embora a China não tenha registrado recorde de compras na temporada, o mercado permaneceu relevante para o Brasil.

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Segundo a Anea, o volume exportado ao país asiático foi o segundo maior da série histórica, mantendo a presença brasileira em um dos maiores consumidores mundiais da fibra.

A Indonésia também manteve estabilidade nos volumes importados, enquanto Egito, Malásia e Coreia do Sul permaneceram como compradores tradicionais.

O Vietnã apresentou redução em relação a períodos anteriores, mas ainda manteve volumes considerados elevados pelo setor.

Diversificação logística fortalece exportações de algodão

Além do crescimento da demanda internacional, o setor destaca a evolução da infraestrutura logística para o escoamento da fibra brasileira.

O Porto de Santos continua como principal rota de exportação do algodão nacional, mas outros terminais vêm ampliando participação, especialmente o Porto de Salvador, que ganhou relevância nos últimos anos.

Também tiveram participação no embarque da fibra os portos de:

  • São Francisco do Sul;
  • Paranaguá;
  • Itaguaí;
  • Itajaí;
  • Rio de Janeiro.

Segundo a Anea, a diversificação das rotas contribui para maior eficiência logística e reduz a dependência de um único corredor de exportação.

Algodão brasileiro ganha competitividade no comércio internacional

O recorde de exportações em junho reforça a evolução da cadeia produtiva do algodão no Brasil, marcada pelo aumento da produtividade, qualidade da fibra e ampliação dos mercados compradores.

Com maior presença na Ásia e no Oriente Médio, o país consolida sua posição entre os principais exportadores mundiais e demonstra capacidade de atender à demanda internacional com regularidade e escala.

O cenário positivo para os embarques também fortalece produtores, tradings, cooperativas e toda a cadeia ligada à cotonicultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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