AGRONEGÓCIO

Como o valor genético impacta a produção e a lucratividade bovina

Publicado em

O valor genético desempenha um papel importante na produção e lucratividade na bovinocultura, já que se refere às características genéticas inerentes e ao potencial que um animal individual possui, podendo influenciar no desempenho, na produtividade e no valor econômico da indústria pecuária. Ao selecionar animais com características desejáveis, é possível aumentar a produtividade, melhorar a eficiência, reduzir os custos e atender as demandas do mercado.

Entre as características buscadas com a seleção genética, se destacam o aumento da produção de leite, maior produção e melhor qualidade da carne, aumento da fertilidade, maiores taxas de crescimento e melhores índices de conversão alimentar. Ao focar nessas características, os produtores podem otimizar a atividade e o desempenho do rebanho bovino, elevando os resultados financeiros.

Para a produção de carne, tanto em clima temperado como em clima quente ou tropical, existem raças de desempenho produtivo satisfatório, como Angus, Hereford, Brahman, Nelore e outros, que tendem a apresentar boa eficiência biológica e elevadas taxas de crescimento. Por outro lado, raças direcionadas para a produção de leite ou ainda raças de gado locais e animais SRD (Sem Raça Definida) geralmente possuem características únicas, como resistência a doenças, robustez e compatibilidade com os recursos alimentares locais, mas apresentam taxas de crescimento e produtividade geral inferiores em comparação com raças especializadas.

Nesse sentido, a bovinocultura de corte visa direcionar a seleção de características associadas à eficiência alimentar, como melhores taxas de conversão do alimento em carcaça, e maiores ganhos de peso por unidade de ração consumida. Quanto melhor for essa conversão para uma mesma dieta, menor será o custo da arroba engordada, sendo o grupo racial um dos principais fatores de impacto para a característica. Além disso, padrões raciais distintos podem interferir diretamente no tempo até que os animais cheguem ao ponto ótimo de abate (precocidade) e em características de carcaça desejáveis.

Leia Também:  Jalles Machado encerra moagem da safra 2023/24 com recorde em produção de açúcar

A superioridade de determinadas raças para a produção de carne se dá especialmente por diferenças significativas na eficiência biológica, um importante índice que avalia a necessidade de consumo de alimento para conversão em carcaça. Isso significa que animais com maior potencial genético consomem menor quantidade de alimento para produzir o mesmo quilo de carne, apresentando vantagens consideráveis em relação ao custo, o que torna a atividade pecuária mais rentável.

A análise econômica dos sistemas de produção é essencial para ajudar o produtor a tomar decisões. A avaliação dos custos com a alimentação de bovinos é fundamental, uma vez que estes representam mais de 70% do custo de produção de forma geral e está diretamente relacionada ao potencial produtivo dos animais. Recentemente, a equipe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix realizou um estudo que avaliou o desempenho de três grupos genéticos: um composto por Nelore PO, outro por bovinos SRD de valor genético e fenótipo mediano e um outro de animais SRD de valor genético e fenótipo inferior.

A pesquisa mostrou que os animais da raça Nelore obtiveram melhor conversão, apresentando valores de eficiência biológica 14,5% superiores ao grupo SRD mediano, e 18% superiores ao grupo SRD inferior. Esses resultados influenciam diretamente no custo de produção, apontando a necessidade de consumo de alimento para o ganho de carcaça, levando a um impacto significativo na análise econômica do sistema.

Os resultados de ganho de carcaça diário foram de 1,119 kg/dia para a raça Nelore, 0,923 kg/dia para animais SRD medianos e 0,870 kg/dia para animais SRD inferiores, o que resulta em aproximadamente 3 dias a mais de confinamento para o ganho de uma arroba de carcaça na comparação entre SRD mediano e Nelore e aproximadamente 4 dias a mais de confinamento quando comparado SRD inferior com o Nelore. Transformando os dados em diferenças econômicas, é possível inferir um custo por arroba produzida 17% superior para animais SRD medianos e 22% superior para animais SRD inferiores, comparados com os animais Nelore, deixando evidente o diferencial de valor de animais com mais qualidade.

Leia Também:  Leilão da Marca CV Nelore Mocho Fatura R$ 3,97 Milhões com Comercialização de 360 Animais

É importante ressaltar que todo animal pode se tornar viável para os diversos sistemas de produção, desde que todas as variáveis, produtivas e econômicas, sejam analisadas em conjunto, levando em consideração índices como eficiência biológica, custo da dieta e também o mercado de compra e venda de animais. Isso significa que a produção de animais com valores de eficiência biológica insatisfatórios ou menor potencial de desempenho necessitam de compensação no momento de tomada de decisão, como por exemplo, melhores preços de aquisição por kg de peso corporal ou por arroba comprada.

Por fim, a seleção de animais com valor genético favorável contribui para a sustentabilidade da operação pecuária. Buscando características que melhorem a eficiência, a saúde e a produtividade, os produtores podem otimizar a utilização de recursos, reduzir os impactos ambientais e garantir a viabilidade dos negócios diante das mudanças na dinâmica do mercado e nas práticas industriais em evolução.

É importante observar que a eficiência de grupo genético é altamente dependente do ambiente em que ele está inserido. Fatores como clima, recursos alimentares disponíveis, práticas de manejo e desafios sanitários também podem afetar diretamente o desempenho. Os produtores precisam então escolher raças que se alinhem com seus objetivos de produção, condições locais e capacidade de gerenciamento para otimizar a eficiência, a sustentabilidade e a rentabilidade.

As referências bibliográficas encontram-se com os autores.

  • Msc Lauriston Bertelli Fernandes é zootecnista e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix.
  • Wellington Luiz de Paula Araújo é zootecnista, doutor em Nutrição e Produção Animal e analista de Pesquisa e Desenvolvimento na Premix.

Fonte: DS Vox

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Açúcar: USDA reduz superávit global em 57% e cenário climático reforça expectativa de alta nos preços internacionais

Published

on

O mercado global de açúcar recebeu um importante sinal de sustentação para os preços com a divulgação do primeiro relatório semestral do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27. Os novos números apontam uma redução expressiva do superávit mundial, reforçando a percepção de um mercado mais ajustado entre oferta e demanda nos próximos meses.

Segundo análise da SAFRAS & Mercado, o USDA reduziu a projeção de superávit global da safra 2026/27 para 4,8 milhões de toneladas, volume 57% menor em relação à estimativa anterior de 11,4 milhões de toneladas. Além disso, a entidade também revisou para baixo os números da safra 2025/26, cujo excedente foi reduzido de 11,4 milhões para 6,13 milhões de toneladas.

A combinação entre menor oferta global e condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras fortalece a expectativa de valorização dos contratos futuros do açúcar negociados em Nova York ao longo do segundo semestre.

USDA promove forte ajuste na oferta global

O principal destaque do relatório está na magnitude das revisões realizadas pelo USDA.

A safra 2025/26 teve seu superávit reduzido em mais de 5 milhões de toneladas, uma revisão equivalente a 46% em relação à projeção anterior. Já para a temporada 2026/27, o excedente global foi estimado em apenas 4,8 milhões de toneladas, representando uma queda adicional de 20% frente ao volume revisado da safra passada.

Somando os dois movimentos, os cortes acumulados alcançam aproximadamente 6,55 milhões de toneladas, alterando significativamente a percepção do mercado sobre a disponibilidade global de açúcar.

Na avaliação da SAFRAS & Mercado, esse ajuste representa um dos principais fatores de sustentação para os preços internacionais nos próximos meses.

El Niño e monções ampliam preocupação com a produção asiática

Além da redução da oferta apontada pelo USDA, o mercado acompanha com atenção a evolução das condições climáticas na Ásia.

O Departamento de Climatologia da Índia elevou sua projeção de déficit de chuvas durante a temporada de monções de 2026, passando de 8% para 10% abaixo da média histórica.

Leia Também:  Salmonella na Avicultura: Desafios e Impactos na Produção

A preocupação aumenta diante da previsão de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte a muito forte intensidade, conforme projeções internacionais.

Em 2023, quando a região enfrentou um episódio de El Niño de intensidade moderada, o déficit pluviométrico na Índia ficou entre 12% e 14% abaixo da média. Caso as previsões atuais se confirmem, o impacto climático sobre a produção agrícola asiática poderá ser ainda mais severo.

Índia e Tailândia figuram entre os maiores produtores e exportadores de açúcar do mundo, tornando qualquer redução produtiva um fator relevante para a formação dos preços globais.

Brasil também pode enfrentar impactos na produção

Enquanto a Ásia sofre com a perspectiva de chuvas abaixo da média, o cenário brasileiro aponta para o movimento oposto.

As projeções climáticas indicam aumento significativo das precipitações sobre os canaviais do Centro-Sul do Brasil a partir de agosto, com intensificação entre setembro e outubro e possibilidade de persistência até o início de 2027.

O excesso de chuvas pode comprometer o ritmo da colheita e da moagem da cana-de-açúcar, reduzindo a eficiência operacional das usinas e encurtando o período de processamento em algumas regiões produtoras.

Segundo a análise da SAFRAS & Mercado, dezenas de unidades industriais poderão encerrar suas atividades de moagem antecipadamente, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação.

Produção mundial deve recuar em 2026/27

Os dados do USDA mostram que a produção global de açúcar deverá atingir 184,85 milhões de toneladas na safra 2026/27, abaixo das 186,05 milhões registradas na temporada anterior.

A redução de 1,2 milhão de toneladas representa queda de 0,65% na comparação anual.

Os cortes de produção esperados para Brasil, União Europeia e Tailândia mais do que compensam o crescimento previsto para a Índia, contribuindo para o aperto na oferta mundial.

Além disso, o relatório aponta redução das exportações globais, principalmente por parte do Brasil, União Europeia, Marrocos e Paquistão.

Consumo mundial segue em trajetória recorde

Pelo lado da demanda, o consumo global continua avançando.

O USDA estima que o consumo mundial alcance 179,99 milhões de toneladas em 2026/27, praticamente atingindo a marca histórica de 180 milhões de toneladas.

Leia Também:  Produção de carne suína no Brasil deve crescer 2,3% em 2024, aponta Safras

Embora o crescimento seja modesto, o avanço da demanda ocorre em um momento de oferta mais restrita, contribuindo para sustentar os preços internacionais.

As exportações globais, por outro lado, deverão recuar de 62,64 milhões para 62,32 milhões de toneladas, reforçando o cenário de menor disponibilidade no mercado internacional.

Estoques crescem, mas não anulam tendência de alta

O único fator com potencial de limitar parcialmente a valorização do açúcar é o aumento dos estoques globais.

A relação estoque/consumo deverá avançar de 24,19% para 24,67% entre as safras 2025/26 e 2026/27.

Os estoques iniciais foram estimados em 43,52 milhões de toneladas, crescimento de 3% sobre a temporada anterior. Já os estoques finais devem alcançar 44,10 milhões de toneladas, avanço de 2%.

Apesar desse aumento, a SAFRAS & Mercado avalia que o crescimento dos estoques será insuficiente para neutralizar os efeitos combinados da menor oferta global, da demanda aquecida e dos riscos climáticos nas principais regiões produtoras.

Mercado mira patamares mais altos em Nova York

Diante desse cenário, a consultoria projeta continuidade do movimento de recuperação dos preços do açúcar bruto negociado na Bolsa de Nova York.

Os contratos futuros já demonstram fortalecimento ao longo da curva para os vencimentos do final de 2026 e início de 2027, com preços orbitando entre 16 e 17 cents por libra-peso.

A expectativa predominante é de avanço para a faixa dos 18 cents ainda neste ano, enquanto o patamar de 20 cents passa a ser considerado uma possibilidade crescente caso os riscos climáticos se confirmem e a oferta mundial continue sendo revisada para baixo.

A combinação entre menor superávit global, incertezas climáticas na Ásia e possíveis impactos do El Niño sobre a safra brasileira coloca o mercado internacional de açúcar em uma trajetória de maior firmeza para os preços ao longo do segundo semestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA