AGRONEGÓCIO

Com safra acima de 330 milhões de toneladas, gargalos elevam custo e comprimem margens

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A competitividade do agronegócio brasileiro continua sendo limitada fora da porteira. A concentração do transporte no modal rodoviário, o déficit de armazenagem e a baixa integração entre modais elevam o custo do frete em períodos de pico, ampliam perdas operacionais e reduzem a margem do produtor, mesmo em um cenário de produção recorde.

Em rotas do Centro-Oeste aos portos do Sul e Sudeste, o frete chega a subir entre 20% e 30% durante a colheita, pressionado pela disputa por caminhões, filas em terminais e gargalos de infraestrutura. O impacto é direto: parte relevante da renda gerada no campo é consumida no escoamento.

O problema ocorre em um momento de forte expansão da produção. A safra brasileira de grãos no ciclo 2025/26 volta a superar 330 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mantendo o País entre os maiores produtores globais e ampliando a pressão sobre a logística.

A matriz de transporte ajuda a explicar o descompasso. Cerca de 69% do escoamento de grãos depende do modal rodoviário, enquanto ferrovias respondem por 22% e hidrovias por 9%. Em economias concorrentes, a maior participação de modais de alta capacidade reduz custos e aumenta a eficiência, o oposto do observado no Brasil.

Na prática, a dependência de caminhões amplia a exposição ao preço do diesel, reduz a escala de transporte e compromete a previsibilidade. Estimativas do setor indicam que o sistema atual exige cerca de 70 mil caminhões adicionais para atender a demanda, reflexo de filas em portos, baixa coordenação logística e limitações estruturais.

A armazenagem agrava o quadro. O País possui capacidade estática equivalente a 60% a 70% da produção, de acordo com a própria Conab, enquanto nos Estados Unidos esse índice alcança cerca de 150%. A diferença obriga o escoamento imediato da safra, concentrando o fluxo em janelas curtas e elevando o custo do frete justamente no pico da oferta.

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Sem estrutura para estocar, o produtor perde poder de decisão comercial. Em muitos casos, é forçado a vender no momento de maior pressão de preços, ao mesmo tempo em que absorve custos logísticos mais elevados.

Há, no entanto, avanços pontuais na redistribuição do fluxo. O chamado Arco Norte, que reúne portos no Pará, Maranhão e Amazonas, ampliou sua participação no escoamento de grãos de 12% em 2010 para cerca de 35% em 2024, reduzindo distâncias e custos para parte da produção do Centro-Oeste.

Mesmo com essa mudança, o Porto de Santos segue como principal hub logístico do País, com capacidade próxima de 70 milhões de toneladas por ano, concentrando grande parte das exportações e da pressão operacional durante a safra.

Nos modais alternativos, o avanço ainda é gradual. A malha ferroviária brasileira permanece limitada — há mais de 21 quilômetros de rodovias pavimentadas para cada quilômetro de trilho — e apenas parte da estrutura está em operação plena. Já as hidrovias, embora estratégicas em corredores como Madeira, Tapajós e Tietê-Paraná, seguem subutilizadas.

A cabotagem aparece como alternativa para integração entre regiões produtoras e portos, mas enfrenta entraves regulatórios que restringem sua expansão no transporte de grãos.

Diante das limitações físicas, a tecnologia tem gerado ganhos operacionais no curto prazo. Sistemas de agendamento de cargas, gestão de pátio e monitoramento em tempo real já permitem aumento de até 40% na eficiência de escoamento em terminais, ao reduzir filas e otimizar o fluxo.

Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA)

O diagnóstico é convergente entre governo e setor produtivo: o País precisa avançar simultaneamente em três frentes — infraestrutura, armazenagem e diversificação da matriz de transporte. Sem isso, o crescimento da produção continuará sendo parcialmente neutralizado fora da porteira.

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Na prática, o Brasil colhe mais, mas ainda paga caro para escoar. E, enquanto o custo logístico permanecer elevado, parte do ganho de produtividade seguirá ficando pelo caminho até o porto.

“Quando a gente fala em custo de produção, normalmente o foco fica dentro da porteira. Mas hoje o principal fator de pressão está fora dela. Em muitas rotas, o frete consome uma fatia relevante da receita e, no pico da safra, pode subir mais de 20%. Isso corrói margem e reduz competitividade justamente no momento em que o produtor deveria capturar o melhor preço”, afirma Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA).

“Há um descompasso claro entre o crescimento da produção e a capacidade logística do País. O Brasil já opera acima de 330 milhões de toneladas de grãos, mas continua dependente de uma matriz concentrada em rodovias e com déficit de armazenagem. Sem espaço para estocar, o produtor é obrigado a vender e escoar ao mesmo tempo, pressionando o sistema e perdendo poder de negociação”, diz.

“Não se trata apenas de investir em grandes obras, embora elas sejam necessárias. O País precisa avançar em três frentes ao mesmo tempo: ampliar a infraestrutura, melhorar a armazenagem e integrar melhor os modais com apoio de tecnologia. Se isso não acontecer, o risco é continuar produzindo cada vez mais e capturando cada vez menos valor, porque parte desse ganho vai ficar pelo caminho até o porto”, completa.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Exportações de algodão do Brasil devem bater recorde em 2025/26 e reforçam liderança global no mercado internacional

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As exportações brasileiras de algodão devem encerrar o ciclo comercial 2025/2026 em nível recorde, com estimativa de aproximadamente 3,3 milhões de toneladas embarcadas, segundo projeções apresentadas durante a abertura do XXIII Anea Cotton Dinner, em reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados.

O desempenho reforça o protagonismo do Brasil no comércio internacional da fibra, com o país consolidado como principal exportador mundial de algodão, superando concorrentes tradicionais como os Estados Unidos. O resultado é sustentado pela forte demanda de mercados da Ásia, Europa e Oriente Médio.

Produção brasileira mantém crescimento e produtividade elevada

A safra 2025/2026 de algodão no Brasil deve alcançar cerca de 3,9 milhões de toneladas de pluma, cultivadas em aproximadamente 1,9 milhão de hectares, com produtividade média próxima de 1.954 quilos por hectare, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Para o ciclo 2026/2027, as primeiras estimativas indicam nova expansão, com produção projetada em 3,96 milhões de toneladas, reforçando a tendência de crescimento consistente da cultura no país.

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Brasil registra recordes de exportação e consolida liderança global

A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) destacou que o Brasil registrou recordes mensais de embarques em sete meses dentro do ciclo atual, mantendo ritmo forte de exportações e encerrando a temporada na liderança global do setor.

“O algodão brasileiro alcançou um novo patamar no mercado internacional. Tivemos sete meses de recorde de exportação, e junho deve seguir o mesmo ritmo. Hoje, o desafio já não é apenas produzir mais, mas garantir infraestrutura, competitividade e previsibilidade para sustentar esse crescimento”, afirmou o presidente da Anea, Dawid Wajs.

O avanço das exportações reflete não apenas o aumento da produção, mas também a consolidação da confiança internacional na qualidade da fibra brasileira.

Cenário global pode sustentar preços do algodão

No mercado internacional, o cenário de oferta e demanda segue apertado. A projeção aponta consumo global de aproximadamente 26,510 milhões de toneladas, acima da oferta estimada em 25,265 milhões de toneladas, o que pode contribuir para sustentar as cotações da fibra no mercado mundial.

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Mercado interno mais cauteloso e busca por qualidade

No Brasil, o mercado doméstico apresenta comportamento mais conservador. As fiações têm adotado postura cautelosa nas compras, priorizando qualidade da matéria-prima e reduzindo o apetite por contratos de longo prazo, especialmente em um ambiente de juros elevados.

Uso do algodão avança para além do setor têxtil

Durante as discussões do setor, também ganhou destaque a valorização das fibras naturais e a ampliação do uso do algodão em novas aplicações industriais. Além do vestuário, o produto vem sendo incorporado em segmentos como saúde, construção civil, defesa e materiais funcionais, ampliando seu potencial de inovação e agregação de valor na cadeia produtiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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