AGRONEGÓCIO
Com Queda do Dólar e Café em Nova York, Comércio Brasileiro de Café Pode Ficar Estagnado
Publicado em
13 de agosto de 2024por
Da RedaçãoO mercado físico brasileiro de café deve enfrentar uma terça-feira de negócios paralisados. A queda superior a 3% nos contratos futuros de café na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) exerce uma forte pressão sobre os preços no Brasil, agravada pela desvalorização do dólar frente ao real. Diante desse cenário, os produtores tendem a adotar uma postura mais retraída, aguardando uma recuperação nos referenciais de preços.
Na segunda-feira (12), o mercado brasileiro de café apresentou preços mais elevados, alinhados com as altas nas Bolsas de Nova York, para o café arábica, e de Londres, para o robusta/conilon. O dia foi marcado por intensa movimentação devido às previsões de geadas em áreas cafeeiras no Brasil, com a expectativa de temperaturas ainda mais baixas na terça-feira.
De acordo com a Safras Consultoria, tanto vendedores quanto compradores optaram por uma abordagem cautelosa. Os compradores não acompanharam plenamente os ganhos nas bolsas, enquanto os vendedores preferiram segurar as negociações. Ambas as partes aguardam a madrugada para avaliar melhor os efeitos das geadas.
No sul de Minas Gerais, o café arábica de bebida boa com 15% de catação registrou preços de R$ 1.410,00 a R$ 1.415,00 por saca, comparado a R$ 1.380,00 a R$ 1.385,00 na sexta-feira. No cerrado mineiro, o arábica de bebida dura com 15% de catação foi cotado entre R$ 1.420,00 e R$ 1.425,00, frente a R$ 1.385,00 a R$ 1.390,00 anteriormente.
Já na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica “rio” tipo 7, com 20% de catação, foi negociado a R$ 1.190,00 a R$ 1.195,00 por saca, em comparação aos R$ 1.165,00 a R$ 1.170,00 da sexta-feira.
O conilon tipo 7, em Vitória, Espírito Santo, manteve preços de R$ 1.305,00 a R$ 1.310,00 por saca, enquanto o conilon 7/8 foi cotado entre R$ 1.300,00 e R$ 1.305,00, contra R$ 1.280,00 a R$ 1.285,00 anteriormente.
Exportações Brasileiras de Café
Em agosto de 2024, as exportações brasileiras de café em grão, com 7 dias úteis contabilizados, somaram 1.203.600 sacas de 60 quilos, com uma média diária de 171.943 sacas. A receita gerada atingiu US$ 294,178 milhões, correspondendo a uma média diária de US$ 42,025 milhões e um preço médio de US$ 244,41 por saca.
A receita média diária obtida com as exportações em agosto até agora é 47,9% superior à média diária de agosto de 2023, que foi de US$ 28,420 milhões. O volume médio diário embarcado também apresentou um aumento de 20,2% em relação ao mesmo período do ano passado, que registrou uma média diária de 143.095 sacas. O preço médio, por sua vez, subiu 23,1% no comparativo com agosto de 2023, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Desempenho em Nova York
Os contratos futuros com entrega em dezembro de 2024 registraram uma queda de 3,39% na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE), sendo cotados a 230,45 centavos de dólar por libra-peso. A posição de setembro de 2024 encerrou a segunda-feira em alta de 6,80 centavos, ou 2,9%, fechando a 240,85 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio e Indicadores Financeiros
O dólar comercial registrou uma queda de 0,34%, cotado a R$ 5,4800. O Dollar Index também apresentou uma leve baixa de 0,01%, marcando 103,13 pontos.
As principais bolsas da Ásia encerraram em alta, com Xangai subindo 0,34% e o Japão registrando um aumento significativo de 3,45%. Na Europa, as bolsas operam de forma mista, com Paris caindo 0,30%, Frankfurt avançando 0,04%, e Londres recuando 0,09%. Já o petróleo opera em alta, com o contrato de setembro do WTI em Nova York sendo negociado a US$ 79,71 por barril, uma queda de 0,43%.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro
Published
3 horas agoon
31 de agosto de 2026By
Da Redação
A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.
Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.
Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.
Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.
A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.
No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.
O movimento continua em 2026.
Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.
Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.
Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.
O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.
Essa vantagem aparece com clareza na soja.
Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.
A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.
Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.
No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.
A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.
O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.
A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.
O efeito ultrapassou a soja.
O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.
Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.
Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.
A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.
O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.
Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.
Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.
Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.
Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.
Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.
Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.
A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.
Fonte: Pensar Agro
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