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COFCO negocia ampliação de participação na Nidera para reforçar presença global no comércio de grãos

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A estatal chinesa COFCO está em negociações para ampliar sua participação na trading holandesa de grãos Nidera, em um movimento estratégico que visa acelerar sua transformação em uma potência global no comércio agrícola. A informação foi revelada por fontes com conhecimento direto das tratativas à agência Reuters.

Atualmente detentora de 51% da Nidera — participação adquirida em fevereiro do ano passado —, a COFCO busca adquirir ao menos mais 15% da empresa. O objetivo é integrar as operações da Nidera com as da trading Noble Group, também parcialmente controlada pela COFCO, e consolidar todos os ativos agrícolas em uma futura oferta pública de ações (IPO).

Em 2014, a COFCO investiu US$ 2,8 bilhões em joint ventures com a Noble e a Nidera, como parte de uma estratégia agressiva de internacionalização. As aquisições permitiram à estatal chinesa acessar regiões estratégicas para a produção de grãos e óleos vegetais, como Brasil, Argentina, Indonésia e a região do Mar Negro, fortalecendo sua capacidade de abastecimento alimentar ao país.

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A operação com a Nidera incluiu uma cláusula de earnout, permitindo à COFCO ampliar sua participação após três anos, condicionada ao desempenho da empresa. Contudo, segundo uma das fontes, como a Nidera não alcançou as metas previstas, as partes discutem antecipar o aumento da participação, encerrando a cláusula antes do prazo.

Embora nem a COFCO nem a Nidera — sediada em Roterdã — tenham se manifestado publicamente, fontes do setor afirmam que a estatal chinesa também avalia elevar sua fatia na Noble. Diferentemente da Nidera, o acordo com a Noble não prevê cláusula de earnout. Procurada, a Noble não quis comentar.

“Há um esforço da COFCO para integrar totalmente a Nidera e a Noble até o final deste ano, o que pode significar a aquisição do controle total de ambas as empresas”, revelou uma fonte do setor. “Eles estão conduzindo novas avaliações de ativos, o que reforça essa intenção.”

A ideia, segundo os envolvidos nas negociações, é que a nova empresa integrada seja listada em bolsas internacionais em um prazo de três a cinco anos. Roterdã e Suíça são cogitadas como sedes da futura companhia, enquanto Cingapura, Hong Kong e mercados europeus estão entre os locais considerados para o IPO.

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Com essa movimentação, a COFCO se aproxima do seleto grupo de gigantes do agronegócio global — conhecido como “ABCD” — formado por Archer Daniels Midland, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação de carne bovina aos EUA expõe frigoríficos brasileiros a até 2,8 milhões de hectares de risco de desmatamento na Amazônia Legal

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As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos registraram forte expansão na última década, mas um novo levantamento acende alerta sobre riscos ambientais associados à cadeia produtiva.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, os embarques para o mercado norte-americano cresceram de 33.210 toneladas em 2016 para 271.826 toneladas em 2025, evidenciando a consolidação do Brasil como fornecedor estratégico.

No entanto, um estudo do Radar Verde aponta que frigoríficos habilitados na Amazônia Legal permanecem expostos a áreas com alto risco de desmatamento em suas cadeias de fornecimento.

Exposição ao risco pode chegar a 2,8 milhões de hectares

A análise avaliou sete empresas responsáveis por 15 frigoríficos habilitados a exportar carne para os Estados Unidos, com capacidade média de abate de 11.270 cabeças por dia.

De acordo com o estudo, essas unidades estão expostas a áreas de risco que variam entre 144 mil hectares e 2,8 milhões de hectares, considerando regiões com:

  • Áreas embargadas por desmatamento ilegal
  • Registros recentes de desmatamento
  • Potencial de desmatamento futuro em áreas fornecedoras

As regiões com maior concentração de risco estão localizadas principalmente em Mato Grosso e Rondônia, dentro da Amazônia Legal.

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Falhas de rastreabilidade e baixa transparência na cadeia

O estudo destaca que, apesar de 93% das plantas frigoríficas possuírem Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados com o Ministério Público Federal, não há evidências consistentes de implementação efetiva ou monitoramento contínuo das políticas ambientais.

Outro ponto crítico é a rastreabilidade da cadeia produtiva:

  • 11 das 15 plantas controlam apenas fornecedores diretos
  • Nenhuma empresa apresentou dados auditados de fornecedores indiretos

Essa lacuna compromete a rastreabilidade completa do gado e dificulta a verificação de origem livre de desmatamento.

Proposta de lei nos EUA pode impactar exportações brasileiras

O estudo também avalia o cenário regulatório à luz da proposta conhecida como Forest Act 2023, ainda em tramitação no Congresso norte-americano.

A proposta exige que importadores de commodities como carne bovina, soja e cacau comprovem que os produtos não estão associados ao desmatamento ilegal, por meio de sistemas de due diligence e rastreabilidade completa.

Segundo o Radar Verde, caso a legislação estivesse em vigor atualmente, as exportações brasileiras de carne não estariam plenamente em conformidade com os requisitos propostos.

Pressões globais e impacto na produção agropecuária

O crescimento das exportações brasileiras para os EUA também está relacionado à necessidade de estabilização da oferta de alimentos no mercado norte-americano, em um cenário de inflação e eventos climáticos extremos que afetam a produção global.

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O estudo destaca ainda que a pecuária responde por 71% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, considerando emissões diretas e mudanças no uso da terra, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Recomendações apontam para rastreabilidade total da cadeia

Entre as principais recomendações do estudo estão:

  • Priorizar compras de frigoríficos com baixo risco de desmatamento
  • Implementar rastreabilidade completa, incluindo fornecedores indiretos
  • Fortalecer mecanismos de controle e auditoria independente
  • Considerar restrições a produtos oriundos de áreas recentemente desmatadas

O Radar Verde também alerta que lacunas regulatórias podem incentivar o avanço do desmatamento caso não haja maior rigor nas exigências de mercado internacional.

Cenário reforça pressão sobre o agronegócio exportador

O levantamento evidencia que, embora o Brasil amplie sua participação no mercado global de carne bovina, o setor enfrenta desafios crescentes relacionados à rastreabilidade, conformidade ambiental e exigências regulatórias internacionais.

O avanço das exportações dependerá cada vez mais da capacidade de comprovar sustentabilidade e origem livre de desmatamento em toda a cadeia produtiva.

Novo Estudo Radar

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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